
Vários blogues se têm referido à discussão da lei do protocolo do estado, principalmente no que se refere aos lugares dos representantes da Igreja Católica em cerimónias oficiais.
O que, para mim, é extraordinário é que, passados tantos anos desde a implantação da República, depois de tanto se ter lutado pela laicização do estado, ainda não haja uma separação efectiva entre a Igreja e o Estado. Isto é por demais evidente na recente polémica do retirar de símbolos religiosos (cruzes) das escolas públicas, ou mesmo da existência de aulas de religião, mesmo que opcionais, seja qual for a confissão religiosa em causa, também em escolas públicas.
Vem isto a propósito de um excelente texto crítico ao artigo do Prof. Anselmo Borges, no DN de hoje.
Discreta e mansamente, o Prof. Anselmo Borges vai impregnando o leitor da indispensabilidade de reconhecer o cristianismo como um cimento, um molde, um modelo para a democratização das sociedades, esquecendo-se que as democracias são sistemas políticos, em que a presença ou ausência de religião dos seus cidadãos deve ser irrelevante na condução das políticas institucionais. A religião é um assunto privado, do for íntimo de cada cidadão. Não me parece que os anteriores séculos de cristianismo sejam um testemunho de incentivo democrático.
A igualdade entre os homens, tal como pregada por Jesus Cristo, estava para além da religião.
O que, para mim, é extraordinário é que, passados tantos anos desde a implantação da República, depois de tanto se ter lutado pela laicização do estado, ainda não haja uma separação efectiva entre a Igreja e o Estado. Isto é por demais evidente na recente polémica do retirar de símbolos religiosos (cruzes) das escolas públicas, ou mesmo da existência de aulas de religião, mesmo que opcionais, seja qual for a confissão religiosa em causa, também em escolas públicas.
Vem isto a propósito de um excelente texto crítico ao artigo do Prof. Anselmo Borges, no DN de hoje.
Discreta e mansamente, o Prof. Anselmo Borges vai impregnando o leitor da indispensabilidade de reconhecer o cristianismo como um cimento, um molde, um modelo para a democratização das sociedades, esquecendo-se que as democracias são sistemas políticos, em que a presença ou ausência de religião dos seus cidadãos deve ser irrelevante na condução das políticas institucionais. A religião é um assunto privado, do for íntimo de cada cidadão. Não me parece que os anteriores séculos de cristianismo sejam um testemunho de incentivo democrático.
A igualdade entre os homens, tal como pregada por Jesus Cristo, estava para além da religião.
(pintura de Audrey Frank Anastasi: stations of the cross)
Muito obrigada pela referência.
ResponderEliminarConcordo em absoluto: não tem sentido incluir no protocolo do Estado representantes religiosos (da Igreja Católica ou outra).
ResponderEliminarNão se percebe as bençãos dos navios, as cruzes nas paredes das escolas num Estado que se diz e se quer laico.
A religião é de um outro campo, tendo as Igrejas que ser respeitadas, bem como os seus seguidores, mas que não faz parte da organização do Estado (fazendo parte da organização social.
Estou de acordo, mesmo sabendo que perderei uns santos feriados.
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