12 julho 2006

Arte


Que nos move, segundo após segundo, compassadamente, rítmica e repetidamente, em direcção ao fim? Que nos motiva, o que há no instante posterior ao de agora, de diferente, de melhor? Que pensamos poder alcançar?

Ou estamos programados, como máquinas cujo fim se desconhece, para ir metabolizando proteínas, gastando e produzindo energia, com efeitos, para nós, desconhecidos?

Que agrupamento de funções fazem com que olhemos e chamemos nomes às coisas, que conjunção de esforços para que transformemos as coisas em utensílios indispensáveis?

Que novas sinapses, que tipo de neurotransmissores, que quantidade de endorfinas fabricamos com a percepção dos outros, ou que os outros fazem estimular em nós a segregação?

Porque aceitamos a decadência progressiva das células, o embranquecimento do cabelo, os partos, a dor dos filhos que crescem, o abandono, o amor, as perdas somativas e inconsequentes e, mesmo assim, todos os dias abrimos os olhos e reiniciamos a indústria de sobreviver?

Que regeneração se opera nos músculos, que ciclo respiratório se mobiliza instantaneamente ao ouvir uma sequência de sons, ao absorver uma paleta de cores, ao viver vidas emprestadas, ao ler sentimentos inventados?

Será a arte que nos faz, uma e outra vez, e sempre, continuar? Em direcção ao absoluto, ao supremo prazer da beleza?

3 comentários:

  1. A.Teixeira23:12

    Este post está muito bom! Mesmo muito bom! Parabéns Sofia!

    O que não tenho é respostas para as perguntas colocadas...

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  2. Eppur si muove....na procura do belo, ou dum modo geral do prazer na acepção mais epicurista.
    A arte têm aqui um papel importante, claro, mas eu não menosprezaria a combinação sublime duma caldeirada penicheira com um tinto estremenho.
    Este post também contribuiu para o meu bom abrir dos olhos de hoje.
    Gostei.

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  3. Silvares20:04

    Há quem procure a salvação na Religião, há quem a encontre na Arte.

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