07 maio 2006

Grávidas de Barcelos


Desde ontem que os noticiários avisam que as “grávidas de Barcelos” se vinham manifestar em Lisboa, contra o fecho da maternidade.

Hoje fala-se de 10 000 habitantes de Barcelos a manifestarem-se.

Tenho curiosidade em saber: quantas são as grávidas? Estamos a falar de 123 831 habitantes, com cerca de 18% com idade inferior a 15 anos.

O encerramento de maternidades obedece a imperativos técnicos que se prendem, entre outros critérios, com o número de partos/ano, porque há falta de obstetras para fazerem os partos e, principalmente, porque não há número suficiente de parturientes que assegurem aos obstetras uma experiência suficiente para que os partos sejam feitos de uma forma tecnicamente perfeita ou, pelo menos, aceitável.

Este problema não se resolve colocando mais obstetras e parteiras nessas maternidades, mesmo pagos a peso de ouro. A acentuada redução da população em determinados locais do país é uma realidade. A desertificação das regiões do interior é um dos factores mais importantes na diminuição do número de partos por dia. E é a falta de soluções de emprego que leva à desertificação.

Problema insolúvel? Não sei. Mas a demagogia de quem pretende que estas medidas são apenas economicistas é prejudicial precisamente a quem permanece em Barcelos, ou em terras com problemas semelhantes.

7 comentários:

  1. ana luisa17:19

    eu por mim defendo os partos no domicilio, mas tá bem, vou tentar ler os "imperativos técnicos" e já digo qualquer coisinha...

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  2. ana luisa22:30

    Pronto, já li. Comecei pelo fim, como geralmente faço com os jornais e com as revistas. A última página, um documento anexo, diz que a região centro é a que tem mais nascimentos em HAPs, com menos especialistas, sem as condições minímas exigidas e é a região do país com melhores resultados. Isto deve-se ao modelo organizativo da rede de referênciação e transporte perinatal. É lógico que é preciso gerir recursos e optimizar resultados, mas depois de ler o documento, confirmei a ideia que tinha: no fundo não há objectivos de saúde globais e o bem estar das pessoas pouco ou nada interessa. Para começar, quem faz os relatórios “técnicos”, nos gabinetes centrais, exige como condições mínimas, quase o máximo. O investimento nos cuidados primários de saúde, nas vias de acesso, nos transportes e na melhoria das condições de vida, especialmente no interior do país, não parece ser prioritário. É mais fácil e mais barato desertificar. Quanto aos excelentes resultados obtidos com o modelo organizativo da região centro, com condições mínimas longe das recomendadas, o relatório não faz comentários. As Comissões, Unidades, Direcções e Instituições são mais que muitas e continuam a proliferar mesmo sabendo que quase todas só vão funcionar no papel. Enfim...

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  3. Sofia Loureiro dos Santos12:14

    Já te respondo!

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  4. ana luisa19:27

    take your time :)

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  5. Sofia Loureiro dos Santos19:29

    Ana Luisa:
    1 - Obrigada pela tua opinião.
    2 - Eu NÃO defendo os partos no domicílio. Para isso teria que montar uma clínica em cada casa o que, convenhamos, é um pouco difícil e dispendioso. Penso mesmo que o facto de se fazerem os partos em unidades hospitalares contribui, em muito, para a baixa taxa de mortalidade e complicações peri-natais.
    2 - É verdade que os modelos de referenciação e acessibilidade são importantíssimos e a base de qualquer reorganização dos cuidados de saúde hospitalares. Também é verdade que o que mais urgente há a fazer é melhorar e incentivar os cuidados de saúde primários. Se o modelo de referência das comissões técnicas é o óptimo, acho normal. E o modelo são as recomendações da OMS. Que tem que se fazer uma análise do que é desejável e do que é possível, estou de acordo. Com o que já não concordo é com a opinião de que as comissões técnicas estão desfasadas da realidade. Se calhar estão, mas em que critérios te podes basear? Se se nomeia uma comissão, devem ter-se em conta as suas recomendações! Os técnicos não prestam? Provem-no, responsabilize-se quem os nomeou e nomeiem-se outros!
    3 - A redução da população em determinadas áreas tem, como consequência, a redução do número de escolas, hospitais, tribunais, correios, etc; não é o contrário! O combate à desertificação não se faz mantendo recursos totalmente desadaptados à realidade. Faz-se criando emprego e riqueza nessas zonas. O resto vem naturalmente, consoante as necessidades.
    4 - O caso de Barcelos é só exemplificativo. Como calculas não o conheço em pormenor.
    5 - Se o fecho das maternidades não é a favor do interesse das populações (no que temos opiniões contrárias) não me parece que a sua contestação o seja...
    6 - Adoro uma bela discussão! Até mais ver.

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  6. ana luisa00:30

    Sofia:


    1) Eu acho que nascer e morrer são fenómenos naturais e deviam acontecer, sempre que possível em casa. Há sistemas de saúde como o da Holanda onde isso isso é possível. Claro que é necessário ter esse objectivo para se chegar lá.
    2) Não é o modelo das referências da comissão técnica que é óptimo, é a organização do sistema de referênciação na Região Centro que tem funcionado bem. Não tenho nada contra a comissão técnica, só acho que não analisou devidamente os bons resultados e que foi pouco imaginativa na proposta de soluções. Claro que é necessário fechar algumas maternidades (nomeadamente as privadas, quase todas).
    3) Quanto à desertificação é também um fenómeno natural nas regiões do interior, para a contrariar é preciso esforço activo. A Beira Interior, tem vindo a ser animada com uma população crescente de jovens estudantes. Investiu-se na electrificação do comboio, compraram-se carruagens novas para o Intercidades. Pois agora alguém fez contas e chegou à conclusão de que a maioria dos passageiros paga tarifas reduzidas com prejuizos para a companhia e já se pensa acabar com a linha. As pessoas podem muito bem demorar mais 2 ou 3 horas de viagem. Qual é o problema? Não sei se me fiz entender. E é sempre assim. Porquê? Porque a melhoria das condições de vida e o bem estar de TODAS as pessoas não faz parte dos objectivos políticos actuais!!
    4) Também não conheço bem o caso de Barcelos, nem tenho a solução ideal para os casos que melhor conheço. Mas, quanto a Elvas por exemplo, parece-me ridículo não haver uma via rápida que a ligue a Portalegre.
    5) Não contesto. Não vou para a rua defender que nada mude. Há muitas coisas que estão mal.
    6) Também gosto de um bom debate, mas acho que estas caixinhas são um lugar muito apertado. Havemos de conversar um dia destes.

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  7. Sofia Loureiro dos Santos12:19

    Acabamos por concordar, pelo menos no que diz respeito às maternidades (e não só!) privadas.
    Comenta sempre!

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