02 maio 2006

Amostra de Frida



Um dia de férias desgarrado do resto sabe bem, quebra o ritmo e aproveita-se ao segundo.

Assim sendo resolvi finalmente ir ver a exposição de Frida Kahlo. Saí de lá bastante desiludida, não com a Frida Kahlo mas com a exposição.

A exposição está dividida em 7 grupos: infância e juventude, 4 quadros (entro os quais “o autocarro” de 1929) e 3 desenhos; paixão por Diego Rivera, 2 quadros (“Hospital Henry Ford” de 1932 e “umas quantas facaditas” de 1935); casa azul, 10 quadros (“a minha ama e eu” de 1937, “a coluna partida” de 1944, “auto-retrato com macaco” de 1945); diário, 3 retratos; altares dos mortos; trajes de Tehuana; um documentário sobre a pintora, com testemunhos de sobrinhas, escritores e críticos de arte. Nos primeiros quatro grupos estão expostas fotografias de Frida Kahlo, feitas por inúmeras pessoas, entre as quais o pai e Diego Rivera.

A iluminação é muito fraca, os pequenos textos de introdução a cada parte da exposição e aos quadros, desenhos e pinturas lêem-se mal, porque a cor das paredes não faz contraste suficiente com a cor das letras. Há poucos quadros, poucos desenhos, pouco de tudo. Dá a sensação de que é apenas uma pequena amostra de uma verdadeira exposição, se calhar o pouco a que tivemos direito. Senti-me defraudada.

O documentário, pelo contrário, é interessante e esclarecedor. Dá-nos uma ideia de que o fenómeno Frida Kahlo é recente, que foi criado um comércio à volta da história revista, aumentada e retocada da pintora, carregando nas cores do sofrimento, da boémia com aventuras bissexuais, esquecendo-se o principal, a obra.

Não tenho conhecimentos de pintura ou de história de arte para discorrer sobre a técnica e / ou o valor da pintura de Frida Kahlo. Mas quem olha para os quadros sente uma força e uma imaginação prodigiosas. Naquela época deve ter sido inovador aquele tipo de imagética, de temas, de figuração da dor e da ansiedade, do corpo como altar.

Como apreciadora de pintura gosto das formas, das cores, dos mortos e do sangue, dos pássaros e do macaco, das camas, do sol e da lua chorosa. É uma pintura incómoda, atractiva e admirável.

Quanto à própria Frida era com certeza uma mulher extraordinária porque diferente, porque lutadora, romântica, amante e amadora da vida, da beleza, dela própria, da dor, dos homens e das mulheres, uma divulgadora orgulhosa da cultura do seu país.

(Frida Kahlo: a coluna partida – 1944)

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