09 abril 2006

Evangelho segundo Judas


Na continuação do estudo de antigos manuscritos sobre os primeiros anos do cristianismo, evangelhos não canónicos, hereges ou gnósticos, o Evangelho segundo Judas será um acontecimento de grande importância, não só cultural mas teológica.

O facto de Judas não ser um traidor mas o discípulo predilecto de Jesus, de tal forma que é ele a quem Jesus confia o papel confirmador da previsão messiânica (com a sua morte) e sendo a ressurreição espiritual, ao contrário da carnal, a experiência inscrita nos textos gnósticos, é uma diferença substancial à leitura canónica da ressurreição de Jesus e da morte de Judas, consumido pelo remorso.

Por outro lado, Judas traidor e assassino de Jesus foi utilizado como estandarte do anti-semitismo, interpretação tolerada pelos responsáveis cristãos, com implicações macabras.

Considero interessantíssimos os debates sobre a pessoa de Jesus, na sua dimensão histórica e religiosa, fora da visão limitativa e redutora do catolicismo. Ao contrário de Frei Bento Domingues ("Um partido do Papa?" - Público de hoje), penso que Jesus teve um importante papel político e que a sua intervenção cívica, integrada na religião judaica, foi vista como uma perigosa promessa de revolução social e política, como tantas houve naqueles tempos.

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