
CA-DÁ-VER
Estendo-me na morte,
ainda em lençóis de vida:
as enzimas alerta,
a catálise certa
na carne arrependida.
Preparo-me sangrando
só na circulação:
bate a ritmo brando
meu áspero coração.
E assim, como um adeus,
os neurones cintilam
como a luz interior
de que meus olhos brilham.
Saberei no disperso
do ácido aminado
que a rima do meu verso
diz amor
acabado:
Ca-dá-ver…
Até ver
se sou ressuscitado.
(poema de Vitorino Nemésio; pintura de Jacques Deshaies)
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