28 março 2006

Untitled


CA-DÁ-VER

Estendo-me na morte,
ainda em lençóis de vida:
as enzimas alerta,
a catálise certa
na carne arrependida.
Preparo-me sangrando
só na circulação:
bate a ritmo brando
meu áspero coração.
E assim, como um adeus,
os neurones cintilam
como a luz interior
de que meus olhos brilham.
Saberei no disperso
do ácido aminado
que a rima do meu verso
diz amor
acabado:

Ca-dá-ver…
Até ver
se sou ressuscitado.

(poema de Vitorino Nemésio; pintura de Jacques Deshaies)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...