27 fevereiro 2006

Co-incineração


A co-incineração, um processo de tratamento de resíduos industriais perigosos, foi objecto de um estudo aprofundado, com a formação de uma Comissão Científica Independente, (CCI) nomeada pela Assembleia da República, no tempo do governo Guterres (1999), cuja composição, objectivos, métodos de trabalho, etc, obedecia a um conjunto de leis emanadas pela mesma assembleia e pelo mesmo governo.

Ao contrário do que é habitual neste país, a dita CCI, presidida pelo Doutor Sebastião Formosinho, não só levou a cabo as tarefas que lhe foram incumbidas, como produziu relatórios, conclusões e recomendações, tudo obedecendo ao método científico que, pensava eu, tiraria as teimas relativamente aos alegados perigos para a saúde das populações.

É claro que, como os resultados cientificamente comprovados não eram os que convinham a determinados políticos, demagógicos e ignorantes, de todas as forças políticas, nomeadamente do PS, e estou a lembrar-me de Manuel Alegre e de Carlos Pimenta, por exemplo, deu-se o dito por não dito, a CCI já não era científica e muito menos independente e, o governo seguinte, de Durão Barroso, produziu abundante legislação para revogar a anterior.

Neste momento voltou a discussão. De 2002 até agora, nem co-incineração, nem incineração sem co, nem nada. Espero que, de uma vez por todas, pelo menos neste assunto, se esqueçam as politiquices, reatando o assunto onde ele foi deixado – no avanço deste processo de tratamento de resíduos industriais perigosos que, por essa santa Europa, parece ser razoavelmente seguro e tolerado.

A propósito, há um site com tudo (ou quase) sobre este processo Kafkiano.
http://paginas.fe.up.pt/~jotace/home.htm

4 comentários:

  1. João Villalobos16:36

    Muito bem Sofia! Straight to the point :)

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  2. Sofia Loureiro dos Santos14:21

    Olá João
    E que tal o "expresso da meia-noite" de ontem?

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  3. pires20:08

    Na minha opinião a co-incineração é o método mais vantajoso de eliminação de resíduos tóxicos, visto que se torna menos dispendioso e mais eficaz. Este método, não produz novos resíduos perigosos e destrói com grande eficiência as moléculas orgânicas. Um bom exemplo disto, são as cimenteiras que, para aquecer os fornos, utilizam como forma de energia os resíduos tóxicos, que são altamente calóricos. Com a co-incineração quase todos os resíduos são eliminados, não produz novos resíduos perigosos e o custo da sua instalação é mais baixo, uma vez que recorre a infra-estruturas já existentes.
    Mas este é um tema bastante conflituoso, que coloca em pontos opostos autarquias, governo e instituições ambientais. No caso da Secil de Setúbal, por exemplo, as Câmaras de Setúbal, Palmela e Sesimbra, apesar de concordarem com o processo da co-incineração, discordam com o local onde ele é realizado, uma vez que este tipo de processo retira alguma qualidade de vida aos seus habitantes, apesar do nível baixo de exposição aos agentes químicos. Este ponto de vista é também comum aos ambientalistas, que discordam igualmente da sua proximidade com as povoações. No meu ponto de vista, autarquias e ambientalistas estão correctos, pois o ideal seria que estas fábricas fossem deslocadas para longe das localidades e que, desta forma, não prejudicassem os seus habitantes. Bom seria se estas instituições se conseguissem entender e se, em conjunto, conseguissem encontrar soluções para o bem de todos. Como tal tem sido difícil, é melhor que a co-incineração exista e que nos ajude, a todos, a ter uma qualidade de vida um pouco melhor.
    Considero, também que a co-incineração traz mais benefícios ao país, que desta forma evita a exportação destes resíduos, o que implica um gasto de cerca de 50 milhões de euros por ano.

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