01 fevereiro 2006

Casar


Casar, contrair matrimónio significa, segundo os dicionários que consultei, a união contratual entre duas pessoas de sexos diferentes, para constituir família.

É claro que o conceito de família se foi alterando ao longo dos tempos, e também o conceito de que o casamento tem que ser obrigatoriamente entre pessoas de sexos diferentes, tem vindo a ser modificado.

Hoje em dia, na sociedade ocidental, a palavra família tem múltiplos significados quanto ao número e quanto ao sexo dos seus fundadores e intervenientes. Por isso é natural que as palavras casamento e matrimónio venham a adquirir tantos significados quantas as variedades e tipos de família existentes.

Modificar a lei para que esse contrato possa ser celebrado entre pessoas do mesmo sexo, é uma hipótese cada vez mais provável, tal como aconteceu noutros países da Europa.

Mas fazer desse tópico um facto político importante, todo o dia badalado pela nossa comunicação social, parece-me totalmente descabido e resultante de uma completa instrumentalização do assunto por algumas pessoas, nomeadamente pelo Bloco de Esquerda (BE).

Não me tenho apercebido de quaisquer crispação ou reivindicação da sociedade em geral em relação aos direitos dos homossexuais. O que se passou hoje, com a ida de um casal de mulheres a uma conservatória, para se casarem, por sinal acompanhadas por um advogado (que previdentes!), por sinal com direito a notícias, de meia em meia hora, e a tema de fórum, na TSF e, (que coincidência!) com declarações de Fernando Rosas relativamente à premência da iniciativa legislativa do BE, por causa deste grande "problema" que é preciso "resolver"!

Como perdeu protagonismo e importância, nomeadamente por causa dos resultados das presidenciais, o BE tem que agitar-se muito, bradar muito, encontrar muitas causas da "esquerda plural", "fracturantes" da sociedade, para repararem nele.

Sou totalmente contra a marginalização de seja de quem for. Francamente, parece-me que este é um ínfimo problema ao pé de outros que deveriam ser resolvidos, esees sim, rapidamente, como a questão da despenalização do aborto, por exemplo.

Talvez amanhã o BE escolha outro importante facto político para o ouvirmos durante todo o dia.

(pintura de Tamara de Lempicka)

3 comentários:

  1. Anónimo10:51

    Um belo post, com toneladas de senso comum e um pequeno travo irónico a rematar.

    Vamos lá ficar à espera do próximo tema fracturante do BE. Pode ser o vergonhoso tratamento dado aos animais domésticos...

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  2. Silvares21:52

    Acho que este post padece de alguma má vontade. Nem o BE perdeu tanto protagonismo como é sugerido, nem o aproveitamento da situação foi tão escandaloso quanto isso.
    E, nos dias que correm, andar com um advogado por perto é sinal de... grande necessidade!

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  3. Sofia Loureiro dos Santos15:03

    Obrigada pelo seu comentário. Talvez alguma má vontade no que diz respeito às agendas políticas que nos são impostas, sem se saber exactamente com que sentido. Talvez, sim.

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