30 novembro 2005

Untitled


Às vezes tenho ideias, felizes,
Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...

Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...


(Álvaro de Campos)



Hoje falou-se muito de poesia, de Fernando Pessoa e seus heterónimos, de Mário Cezariny, daquelas coisas que é politicamente correcto e culto falar de vez em quando. Que bom, que bem, Fernando Pessoa era um génio, levou Portugal a todo o mundo, imprimiu a nossa língua, a nossa forma de estar, a dele, mais precisamente, que quando vivia o país desconhecia-o.
Mas os poetas só servem para os líderes encherem o peito e enevoarem os olhos, que isto de sermos um país de poetas até dá jeito, para termos a sensação de que, pelo menos, temos poetas.
Que eles sirvam para mais alguma coisa, isso não, que eles coitados são muito sonhadores, muito dores, muito ores, que até rima, mas não sabem de política, nem de deputados, nem de candidatos, a eles apenas ninguém os cala.
Pobre país o nosso, que se ri dos seus poetas e se enfeita com os seus poemas!

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