
Foram muitos Berlins, em mim.
A dolorosa aventura de uma viagem a só, o receio de se ver perdida num grupo desconhecido, a descoberta de uma cidade luminosa, grande, larga, em que todos os passos nos guiam pela História do séc. XX. A biblioteca vazia, as inúmeras homenagens às vítimas dos nazis, o museu judaico, a biblioteca vazia, o museu da Resistência, as pedras da calçada com nomes de mortos, as memórias da noite de cristal, a estação de comboios que transportavam os judeus para os locais de aniquilação, a plataforma 17, a contabilização quase diária da humanidade que se assassinava. O muro, os restos do muro, a história do muro, a STASI, o medo, os informadores, a tortura, a censura. E a queda do muro, a libertação, os Trabanti, o tempo que parou, os consumíveis, a morte de quem queria a liberdade.
E a descoberta de outras formas de viajar, de que um grupo de desconhecidos pode transformar-se num grupo de companheiros, os silêncios e as conversas, as cervejarias, os Apfelstrudel, o aprender, o conhecer o que foi para saber o que poderá ser.
Berlim, o recomeço da abertura ao mundo.
