25 novembro 2025

Os 50 anos do 25 de novembro de 1975

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25/novembro/1975


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19/julho/1975


 


A 25 de novembro de 1975 houve um movimento de rotura nas Forças Armadas, entre os militares moderados e os de extrema esquerda, que não chegou a um enfrentamento militar e civil devido ao importantíssimo papel de Ramalho Eanes, de Melo Antunes, dos restantes oficiais que lhe estavam agregados e do, evidentemente, Presidente da República Costa Gomes. A partir daí foi possível retomar o rumo da consolidação da Democracia, inaugurada a 25 de abril de 1974.


Tudo isto é conhecido, há documentos, há ainda protagonistas vivos, de ambos os lados ideológicos - os que defendiam uma democracia liberal e os que defendiam um totalitarismo socialista, cuja referência (e apoio) era a União Soviética.


Se os militares tiveram um papel crucial nesta evolução democrática, também a sociedade civil o teve, com a mobilização de todos os que acreditavam nas promessas de abril. E dentre os movimentos da sociedade civil destacaram-se o Partido Socialista e o seu Secretário-geral Mário Soares.


Não posso entender, nem aceitar, que o Partido Socialista se deixe arrastar e confundir com a narrativa de quem, em 25 de novembro, tenha falhado na sua ânsia de voltar ao 24 de abril de 1974 e a um país onde se podiam proibir partidos políticos, nomeadamente o PCP.


Não posso entender, nem aceitar, que as devidas comemorações do 25 de novembro, uma das datas símbolo que fizeram o caminho democrático em Portugal, nos últimos 50 anos, esteja a ser apropriada pela direita revanchista, que foi uma das perdedoras do 25 de novembro.


Não posso entender, nem aceitar, que dirigentes e militantes socialistas não ergam bem alto a bandeira que por direito lhes cabe, de terem sido centrais na defesa do Portugal onde vivemos, deixando que outros, assumindo um papel que não tiveram, tentem transformar o 25 de novembro na data primordial do regime.


No 25 de abril, após um golpe militar, a liberdade foi restaurada. No 25 de novembro, após o levantamento dos moderados do MFA, com o apoio da população liderada pelo Partido Socialista, voltou-se ao projeto delineado a 25 de abril - liberdade, democracia, descolonização e desenvolvimento.

14 outubro 2025

Ao décimo terceiro dia do mês de outubro

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Isabel cresce feliz
Treina palavras e voz
Trabalha como aprendiz
Refaz laços cria nós


Isabel mora comigo
Na memória que me resta
Nos seus olhos um abrigo
No seu abraço uma festa


Isabel conta-me um conto
De uma vida de encantar
Cose os fios que desmonto
Para depois remontar


Isabel ensina às flores
O voo das borboletas
Desenha risos e cores
Vai na cauda dos cometas


Isabel acende a esperança
Deste mundo que entristece
Pelos sonhos em que dança
Com o destino que acontece

11 outubro 2025

Ao voto!


 


Nada de encolher os ombros.


Nada de vociferar.


É a festa da democracia.


É a nossa vez.


Decida, escolha, vote.


Não se resigne.


Nunca desista.


 



SMS grátis para 3838 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD). No estrangeiro pode enviar um SMS para +351962171000 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD).

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Enquanto

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John Singer Sargent, 1919


 


Guerra irsraelo-palestiniana - um eufemismo para o genocídio a que todos assistimos em direto. O acto terrorista e insano não justifica um genocídio, nem a ocupação militar dos territórios quer Israel sempre cobiçou. A lei dos messiânicos é uma lei de paus e pedras empapados de sangue.


A guerra entre a Ucrânia e a Federação Russa. Putin é o invasor. A Europa está, de novo, à beira da guerra, não vale a pena fingir que não vê, que não sabe.


Uma criatura tresloucada e perigossíma à frente dos Estados Unidos, os pogroms iniciados com imigrantes, ouvindo-se já impropérios contra judeus, odiar o vizinho que limpa a casa, recolhe o lixo, que traz comida, conduz quem quiser aonde quiser.


Os campos de detenção, a violação de telemóveis, a perseguição de jornalistas e Juízes, a censura. Outro tresloucado perigosíssimo, acalentado pelo primeiro, destruindo aquilo que de mais importante se descobriu e implementou no mundo em prole da saúde, opondo-se a vacinas, anunciando que o paracetamol causa autismo.


Um ministro português, neste caso da defesa, a classificar cidadãos portugueses, presos em águas internacionais, não tendo feito nenhuma ilegalidade ou crime, como amigos do Hamas e por isso, subentende-se, até lhes fez bem. Um governo e um Presidente da República que não se levantaram em uníssono para defender esses portugueses, fossem o que fossem, politicamente ou outra coisa qualquer. A certeza de qualquer cidadão fora de Portugal, que o seu País não o defenderá, apoiará, seja em que situação for.


Os Venturas originais e copiados a crescerem, a crescerem, ao colo de tanta pseudo informação com pseudo entrevistas.



(...)


enquanto tudo isto acontecer, e o mais que se não diz por ser


verdade,


enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,


o poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:


ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA


(António Gedeão)


30 agosto 2025

Da infâmia

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Expresso


 


Ocupaçao militar de Gaza. Conselho de Segurança da ONU marca reunião de emergência - RTP - 09/08


Netanyahu defende plano israelita em Gaza como "a melhor forma de acabar com a guerra" - RTP - 11/08


Fome é confirmada na Cidade de Gaza pela primeira vez, diz órgão ligado à ONU - BBC - 22/08


Netanyahu classifica novo relatório da fome em Gaza como "mentira absoluta" - CNN - 22/08


Following Trump’s lead, Netanyahu shifts strategy on ceasefire even after Hamas accepts - CNN - 26/08


ONU declara oficialmente fome em Gaza. Guterres lamenta "desastre feito pelo homem" - RTP - 28/08


ONU denuncia "desaparecimentos forçados" de palestinianos em pontos de distribuição - RTP - 28/08

Tempos escuros


O discurso


 


A 8 de janeiro de 1964, Lyndon Johnson, Presidente dos EUA após o assassinato de John Kennedy, proferiu o seu discurso sobre o Estado da União, perante o Congresso.


Se lermos e ouvirmos este discurso, e outros que se lhe seguiram, não conseguimos compreender como, nos EUA e na Europa, foi possível defender, nessa época, a implementação de verdadeiras medidas sociais e socialistas, democratas, quando, desde há cerca de 20 anos, essas medidas serem apelidadas de extremistas e a ideologia subjacente de radicalismo de esquerda.


A criação da legislação da Grande Sociedade, com leis que confirmavam os direitos civisrádio e televisão públicasMedicare e Medicaid, educação e a Guerra à Pobreza", foi importantíssima no que diz respeito aos valores da igualdade, liberdade e democracia, com o incentivo aos serviços públicos nestas várias áreas. Hoje em dia, os valores reverteram-se para aqueles que vigoravam nas ditaduras dos anos 20, 30 e 40, em que se culpavam migrantes das dificuldades económicas, em que se divulgavam mentiras e manipulavam cidadãos, levando-os a discriminar e odiar todos os que fossem diferentes.


Neste momento, construimos campos de detenção, deportamos imigrantes, incentivamos as perceções sobre violência e pobreza, o preconceito dos privilégios, a ilusão sem sentido da defesa da nacionalidade e, daquilo que ninguém sabe exatamente o que é: a nossa "tradição".


Nesta onda de retrocessos e apelos totalitários, encabeçados por figuras como Trump, Putin, Netanyahu, para não falar dos seus pálidos seguidores, como Bolsonaro e Ventura, o papel da mulher na sociedade vai conquistando adeptos saudosos da mãe a tempo inteiro, do abençoado lar que deve conduzir, pululando discursos mais ou menos óbvios apelando ao regresso de práticas e processos que considerávamos irrevogáveis.


A guerra como solução imperial, o extermínio de povos e a quebra de todos os compromissos e tratados internacionais que mantinham um equilíbrio no mundo, o avanço científico, as organizações humanitárias, são já o nosso dia a dia.


Resta-me acreditar que sempre haverá quem defenda o humanismo, a tolerância, o compromisso com o outro, essenciais para a construção de uma sociedade humana.


Todos somos responsáveis.

16 julho 2025

Esperar que voltes é tão inútil


Concerto para piano e orquestra nº 2 de Rachmaninov


Evgeny Kissin | Orquestra Filarmónica da Radio France


 


esperar que voltes é tão inútil como o
sorriso escancarado dos mortos na
necrologia dos jornais


e no entanto de cada vez que
a noite se rasga em barulhos no elevador e
um telefone se debruça de um sexto andar


sinto que ainda ficou uma palavra minha
esquecida na tua boca
e que vais voltar
para
a
devolver


[12º poema do livro "Os armários da noite"


Alice Vieira]


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...