21 maio 2025

Faróis fundidos

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Luís Montenegro (...) o farol do País (...)


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André Ventura (...) um farol e um garante da estabilidade (...)


Tantos e tão grandes faróis que temos a iluminar Portugal, a guiá-lo por entre as brumas.


O problema é que alumiam muito pouco, tal as trevas que por aqui estão.


Fundidos, certamente.

16 maio 2025

Éramos dois


Paula Morelenbaum


Baden Powell & Vinicius de Moraes


 


Éramos dois


em tudo em tanto dois


um e um lado a lado


em tudo unidos e desarmados


perante a dor e a perda


desarmados de amor bendito


de amor inebriante de amor rugoso


de amor súbito e lento


de verde de verde


de vento bravio e sereno


de pedra


 


Éramos dois


e na escura imensidão que me rodeia


no silêncio vazio em que me encerro


por ti desespero por ti anseio


meu amor ausente


para sempre


 

04 maio 2025

Dia das mães

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Tower of Mothers


Käthe Kollwitz


Este é o dia de todas as mães.


Das mães que falam, das mães que calam, das mães carinhosas, das mães belicosas, das mães plácidas, das mães violentas, das mães ricas, das mães pobres, das mães de hoje, das mães de ontem.


De todas as mães, mesmo as que foram, das que são e das que serão, das mães corajosas, das mães receosas, das mães com beijos, das mães de agulhas, das mães que querem e das que não querem, das mães aflitas, das mães triunfo.


De todas as mães, das heroínas e das cobardes, das santas e das sacrílegas, de todas as que dão vida, de todas as que matam.


Nelas nasce o mundo.

25 abril 2025

Os cravos que inventamos

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Vincent Van Gogh


 


Tenho uma casa assombrada


Pelos ecos do passado


A verdade abandonada


O poema censurado


 


Tenho uma casa cinzenta


Com ramos de realidade


Onde se guarda e sustenta


O fogo da liberdade


 


Tenho uma casa encantada


De armas que se calaram


De ventos na madrugada


De mãos que não se negaram


 


Tenho uma casa encarnada


Para quem quiser entrar


Seja o fim da caminhada


Seja a voz a desfilar


 


Tenho uma casa vestida


Dos cravos que inventamos


Flutuam pela avenida


No futuro que criamos


 

Os cinquenta anos das primeiras eleições livres

 


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Vincent Van Gogh


 


À medida que os anos passam, os deserdados da democracia vão perdendo vergonha e ganhando terreno.


A decisão do governo relativamente às comemorações dos 51 anos do 25 de Abril de 1974 e aos 50 anos das eleições para a Assembleia Constituinte deveriam ser uma prioridade de toas as Instituições Democráticas, não só pela celebração da alegria da libertação e pelo reconhecimento do tanto que o País se desenvolveu, como também pela alegria e necessidade de transmitir a quem nasceu já depois dessas datas, aquilo que de mais importante, precioso e delicado existe: a democracia, a liberdade, a igualdade e a solidariedade.


Todos estes conceitos são cada vez mais desprezados, se não denegridos pelas crescentes forças autoritárias, ignorantes e ditatoriais, de ditadores e/ou dos  seus aprendizes.


É muito importante e urgente que não deixemos que o medo, o desinteresse, a amargura e a desilusão se instalem.


Desçamos a Avenida celebrando a Liberdade, com cravos, com turbantes, com mantos, com o que quisermos, de preferência bem vermelho.


Viva a Liberdade!

18 abril 2025

Ninhos de cegonhas

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Ninhos de Cegonhas


 


Nascimento


Acolhimento


Cumplicidade


Comunidade


Amor


Liberdade


Eternidade

Alfazema

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Alfazema


1.


Concentrar a vida em alfazema


A sua cor perfume capacidade de serenar


A possibilidade de encher o vazio instalado


A metade que falta de colorir a inquietude


E o negrume das sombras


Concentrar a vida nas pequenas e fugazes


Alegrias no abraço inesperado nas raras sensações de realização


Janelas e suaves cantares de aves


O murmúrio aconchegante de outros ocupando lentamente


A aridez à minha volta


Concentro-me em respirar


Na cumplicidade muda


Da flor


 


2.


São sinais de roxo mantos


Lençóis de penitência


No pecado do esquecimento


É preferível o vermelho da liberdade


O verde da aventura


Nem roxo nem paixão


Aventura

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...