16 maio 2021

Por todos os dias da nossa vida

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Oldes


Zakir Ahmedov


 


Há 34 anos não sabia o significado de todos os dias da nossa vida. Uma vida a começar com tantos dias à nossa frente, o tempo na sua imensidão relativa.


Todos os dias da nossa vida, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano. Manhãs, roupas, desarrumações, dinheiro, camas, beijos, sustos, raivas, desejos, sonos, filmes, viagens, risos, desesperos, cansaços, nódoas, suspiros, silêncios, amuos, pesos, corpos, banhos, lágrimas, portas, fechos, escadas, compras, conversas.


Todos os dias da nossa vida são este, e talvez amanhã, e se calhar depois.


São já tantos e quantos ainda serão.


Contigo.

02 maio 2021

Dias de mães

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Doces, nem sempre as mães são doces.


Porque a amargura da vida lhes tira o açúcar, porque o balanço do ácido se desequilibrou, porque se esqueceram de juntar canela, porque a luz do sol ainda não amadureceu.


Mas sempre o procuram e doseiam para os filhos, uma pitada de mel, um pedacinho de aniz, um cheirinho a baunilha.


Longas horas passam a mexer, a apurar, a filtrar, a decorar. Tudo para que a felicidade lhes seja eterna, macia, saborosa. Mesmo que os dedos já estejam nodosos, mesmo que os olhos adivinhem mais do que veem, mesmo que o murmurar das discussões infantis apenas ecoem na sua memória.


Compota de morango



  • 2 quilos de morangos

  • 1 quilo de açúcar amarelo

  • Raspa e sumo de 2 limas

  • 4 paus de canela


Tiram-se os pés aos morangos, lavam-se com água corrente e partem-se aos bocadinhos para uma panela grande. Junta-se 1 quilo de açúcar amarelo, a raspa (primeiro) e o sumo (depois) de 2 limas e 4 paus de canela. Mistura-se tudo muito bem e deixa-se a marinar durante umas 2 horas.


Leva-se ao lume e deixa-se ferver até começar a engrossar. Depois tritura-se com a varinha mágica e torna ao lume até fazer ponto de estrada.

Afagos

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Pablo Picasso


 


Nestes tempos sem abraços


vigio os teus passos


vagarosos incertos


tento alinhar desacertos.


Nestes tempos amargos


respiramos afagos


aguardamos que se soltem


e voltem.


 

25 abril 2021

Avenida

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Maria Helena Vieira da Silva


 


Vou florir na avenida


De cravos brancos ao peito


Que o encarnado da vida


Trago de vestido inteiro


 


Vou cantar na avenida


Os sonhos da liberdade


Que a canção da minha vida


Vai gritando a realidade


 


Vou correr pela avenida


Atrás da felicidade


Que esta profunda corrida


Nunca passa da metade


 


Vou marchar na avenida


Com bandeiras sem idade


Que não me dou por vencida


Na manhã da eternidade


 

Manhã da madrugada inaugural


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Manhã da madrugada inaugural

De um tempo claro liso branco

De uma nova e luminosa vida

Ainda que dorida

Ainda que sofrida

Bem vinda

Liberdade.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...