25 junho 2017

Um dia como os outros (175)

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(...) Acontece que em política sair também pode ser um ato de coragem. Quando por exemplo fica claro que há responsabilidades de um determinado ministério numa tragédia. Por isso, a ministra admite, na entrevista que hoje o DN e a TSF publicam, que "naturalmente" tirará "as devidas ilações" se a Comissão Independente de Peritos atribuir responsabilidades à tutela nalguma coisa do que aconteceu em Pedrógão. A alternativa é deixar António Costa a ter de dizer: "Naturalmente, demito-a" - e isso nunca acontecerá.


 


Há, ainda assim, um momento anterior a este em que um ministro pode ter de deixar o lugar. Por solidariedade para com o primeiro-ministro ou como sacrifício pela defesa da imagem do governo. É sabido que António Costa tudo fará para defender Constança Urbano de Sousa, de quem é amigo e que convidou para o governo. O que ainda não sabemos é a extensão dos danos que esta tragédia trará ao executivo de Costa. Até agora, a comunicação governamental e a forma digna como a oposição soube esperar ajudaram a conter os danos. Mas a luta política vai aquecer à medida que as respostas forem chegando. Ainda agora começou. (...)


 


Paulo Baldaia

23 junho 2017

O misterioso caso das manchetes do El Mundo

Parece que há um jornalista chamado Sebastião Pereira, que se ofereceu ao El Mundo para cobrir o incêndio de Pedrógão Grande, em Portugal, cujos artigos são incendiários e mentirosos e replicados, como é hábito, pelos media nacionais.


 


Parece ainda que não se encontra rasto desse jornalista, nem em Portugal nem em Espanha.


 


Não é preciso espantarmo-nos com as manipulações de outros países em épocas eleitorais, por exemplo nas Presidenciais norte americanas ou no referendo do Reino Unido. Temos as nossas manipulações domésticas, com fabricação de notícias falsas com a cumplicidade (por acção ou omissão) dos meios tradicionais. Nem é necessário recorrer às redes sociais. Basta ter à vontade e desplante para criar casos e factos políticos.


 


Assim vai a nossa democracia.

22 junho 2017

Da plantação de notícias falsas

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Entretanto continuam os jogos sujos de manipulação informativa, com a multiplicação de factos que nunca existiram, fazendo perder tempo e desperdiçar meios preciosos para o que, de facto, precisa. A queda do avião Canadair de combate a incêndios é um exemplo bastante recente. Ainda não se percebeu bem o que aconteceu mas uma coisa é certa - não caiu avião nenhum e ninguém sabe, ao certo, qual a fonte de quem veio a notícia.

Das explicações que se impõem

Morreu muita gente, de uma forma que é quase inimaginável - numa estrada, a fugir de um incêndio de proporções gigantescas. Durante dias as populações afectadas e o resto do país assistiu impotente, assustado e revoltado ao desenrolar das tentativas e do sacrifício de uma quantidade de gente que combateu o fogo, que assistiu as vítimas, que tudo fez para que se acabasse com o sofrimento o mais rapidamente possível.


 


Um manancial de comentadores, peritos em tudo e em nada, doutores em incêndios e ordenamento do território, debitaram chavões que já todos ouvimos, vezes sem conta, durante décadas, rigorosamente todos os Verões. Impõe-se agora que sejam averiguadas as circunstâncias, as causas, as evitáveis e as não evitáveis, o que correu mal e o que correu bem.


 


Contra a demagogia e a desinformação a única arma, aquela que eu espero de um governo honesto e transparente, é a investigação acelerada e rigorosa dos acontecimentos e a assumpção das responsabilidades, sejam elas de quem forem.


 


Politicamente a Ministra da Administração Interna tem o seu cargo a prazo. Acho muito difícil que tenha condições para se manter em funções, seja qual for o desfecho das comissões de inquérito e dos processos de averiguação que entretanto se iniciem. Injusto ou não houve uma tragédia sem precedentes envolvendo a actuação de vários actores que estão sob a sua responsabilidade.


 


Aguardemos o resultado das inquirições. E espero que pelo menos se comecem a por em prática algumas medidas que possam, mesmo que a mais longo prazo, evitar que outras tragédias aconteçam, pelo menos em perda de vidas como a que aconteceu em Pedrógão Grande.


 


Não enganemos as nossas consciências, sempre prontas a apontar o dedo a outros. Este assunto envolve-nos a todos. As alterações ambientais são uma realidade e a desertificação do Interior continuará se não houver uma radical alteração do funcionamento da sociedade, em termos de mercado de trabalho, de distribuição e de horários, de forma a permitir que seja possível viver longe dos grandes centros. Todos teremos que contribuir com as nossas exigências e com as nossas disponibilidades para uma mudança no hábitos e nas necessidades. E aos governos pede-se que implementem as reformas que permitam a deslocalização de pessoas e serviços, que criem pólos de desenvolvimento descentralizado com incentivos para fixar as populações. Não para o ano nem para o mês que vem nem para amanhã - agora.

18 junho 2017

Requiem - Lacrimosa


Requiem - lacrimosa


Mozart

Dos abutres

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Diário de Notícias


 


 


Na rádio e na televisão os pivots insistem com todos os entrevistados na pergunta de como se poderia prever esta tragédia - falta de estratégia, escassez de meios, enfim, tudo.


 


Convinha que houvesse mais decoro. A procura de bodes expiatórios não é compreensível da parte de quem tem obrigação de informar e não desinformar. Há pouco um meteorologista disse que a causa da magnitude deste incêndio é a seca, a falta de água no solo e na atmosfera, para além dos ventos.


 


Tudo deve ser investigado e o que houver a corrigir corrigir-se. Mas a tentativa de aproveitamento político desta situação é vergonhosa e bem típica dos abutres.

17 junho 2017

Um dia como os outros (174)

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(...) Se a hipocrisia matasse, Schäuble e Dombrovskis deveriam ter caído fulminados logo que fizeram estas afirmações. É que ninguém esquece – eu, pelo menos, não me esqueço; e para os esquecidos há sempre o recurso ao Facebook – as sucessivas declarações de Schäuble sobre Portugal, dizendo que o país ia no bom caminho com o anterior Governo mas que com o Governo PS e a mudança de orientação política, estava preocupado com a eventualidade de Lisboa ter de pedir um segundo resgate (em 30/6/2016 e 15/3/2017). Disse-o não uma mas duas vezes, sempre que lhe perguntavam qual era a situação do Deutsche Bank (que era péssima na altura). Dombrovskis também foi sempre muito duro com o Governo do PS e os dois puseram sucessivamente em causa a capacidade de Portugal cumprir os seus compromissos europeus, em particular as metas orçamentais, com uma política económica diferente da seguida pelo executivo de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas. (...)


 


(...) Hoje é um grande dia para Portugal e para os portugueses. É também um grande dia para o Governo e para Mário Centeno. São eles que vão ficar para a História como o Governo e o ministro que conseguiram alcançar o défice mais baixo em 42 anos de democracia, 2%, um valor que se preparam para reduzir ainda este ano e no próximo; e são eles que ficam para a História como o Governo e o ministro que retiraram Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, depois de nele termos caído em 2009. (...)


 


(...) O que falta agora é que outros representantes internacionais da hipocrisia, as agências de rating, venham reconhecer que a notação que atribuem atualmente à dívida emitida pela República (“lixo”) é totalmente inadequada à atual situação e que a subam rapidamente. Esta mesma semana, Portugal emitiu dívida a 10 anos abaixo dos 3% (2,8%), o que prova que mesmo os mercados reconhecem a melhoria consistente da situação económica portuguesa. O que falta para que, mesmo rangendo os dentes e cruzando os dedos, melhorem a notação da dívida portuguesa?


 


Nicolau Santos

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...