25 fevereiro 2014

Estamos muito melhor

 


Estamos muito muito muito, mas muito muito muito melhor.


 


Estamos todos muito muito muito, mas mesmo muito muito muito melhor.


 


Estamos mesmo tão tão tão melhor, que nem percebemos quão tanto tanto tanto melhor estamos.


 


Muito muito muito, mas mesmo muito muito muito melhor.


 

Grama a grama

 


 


24 fevereiro 2014

Campos

 


 


 



North Bennington Train Yard


Tony Conner


 


1.


O campo à minha espera


a tarde de um Março por nascer


a corrida das árvores no horizonte


plácidos insectos encostados à janela.


 


O campo que me desespera


a chuva de um Março por colher


o abraço do silêncio revoltado


os teus braços abrigos que alimentam.


 


2.


Mesmo que salte para o fundo da vida


não largo a corda da lucidez


nem esta impenetrável inabilidade em persistir.


 


3.


Pergunto-me se o lugar que ocupo é meu


ou foi roubado a alguém que se esqueceu


de existir.


 

23 fevereiro 2014

O barrete ideal

 


 



Mercado e lavadouro na Flandres

Jan Brueghel, o Velho

Joos de Momper, o Jovem

 


E quem poderia imaginar que, depois de um dia soalheiro, frio que baste mas não demais, São Pedro desabaria ondas de chuva e vento traiçoeiro, alagando as ruas de Lisboa e molhando sem piedade os incautos passeantes, que aproveitavam uma tarde de domingo para visitar a exposição Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem do Norte no Museu do Prado? Foi uma exposição interessante, dividida por várias salas onde se pode apreciar pintura paisagística flamenga dos séculos XVI e XVII, a representação de cenas da vida campestre, o branco da neve, o espelho do gelo e os bosques, o aspecto velado dos quadros, os pormenores, a exiguidade de luz e de cores vibrantes.


 


A seguir ao banho de pintura deambulámos em busca de um restaurante muito recomendado, com pré-reserva e tudo, para não nos arriscarmos a ouvir dizer que não havia lugar, mesmo com o restaurante vazio, que é o que mais acontece nos dias que correm. Primeiro, uns pingos, depois molha tolos, por fim um dilúvio que transformou botas e chapéus em arcas de Noé.


 


Lá conseguimos encontrar o dito restaurante ao qual batemos desesperadamente à porta. De certo que ainda era cedo mas, totalmente encharcados, perguntámos se não podíamos entrar, que chovia que Deus a dava e tínhamos mesa marcada para daí a uma longuíssima meia hora. O porteiro de ocasião foi perguntar se era possível e para isso precisava de reunir em conclave. Minutos passados e a conclusão foi que não, que apesar da molha dos promitentes comensais teríamos que aguardar debaixo do toldo que despejava certeiramente água para cima do espanto incréu dos nossos ouvidos.


 


Pois não experimentámos a dita Taberna Ideal e penso que nunca a experimentaremos. Nem faro comercial houve - sempre poderiam ter servido uns aperitivos e umas entradas enquanto se fazia tempo - já que não existiu educação ou simpatia. Foi um excelente cartão de visita. Não recomendo, portanto.


 

17 fevereiro 2014

Labirintos

 


 


 Rico Eastman


Perdi-me neste labirinto em que persigo


uma alma que quero e não tenho


em que me desencontro das causas


que perdidas nos atapetam o caminho.


Perdi-me de nós entre as voltas do mundo


que a vida mudou


perdi-me dos dedos que tocam


nas voltas que o amor nos traçou


perdi-me de sonhos e de medo


nas dobras que o mundo mostrou


perdi-me da morna quietude de te amar.


 


Meu amor não percas nunca a coragem de me procurar


que eu serei de novo o labirinto das voltas


em que te hei de encontrar.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...