31 outubro 2009

Um dia como os outros (1)

 


Depois de Obama ter anunciado o fim da proibição de entrada nos EU aos portadores de HIV, Fidel Castro acusa Obama de ter introduzido a gripe A em Cuba.


(Também aqui)


 


Adenda: afinal parece que Fidel Castro não disse bem isso. Nada de novo, eu é que me esqueço com frequência: não se pode acreditar no que se lê nos jornais, nem no que se ouve na rádio).


 

29 outubro 2009

Singularidades

 



 


Há algumas coisas que me fascinam. A forma como se baptizam as operações e os casos que estão sob investigação é fantástica: o caso mediático mais recente é o Face Oculta. Não é maravilhoso? Claro que todos já se declararam obviamente inocentes e de consciência tranquila. E claro que agora vamos todos tecer considerações e enveredar pelo jornalismo e comentarismo de investigação para decidirmos na praça pública o que aconteceu. Nem sei para que precisamos de advogados, juízes e tribunais.


 


Outra coisa fascinante é o sentido de organização, de simetria, direi mesmo de estética de quem, na sombra, arruma todas as armas, munições, dinheiro, cordas, algemas, facas, enfim, tudo o que se encontra nas casas, nos barcos, nos armazéns em que os meliantes são descobertos com armas ilegais, droga ou outras mercadorias. Outro dia foi na casa de um padre. E lá nos deparámos com uma mesa primorosamente arranjada com todas aquelas espingardas e balas, umas para cima outras para baixo, arrumadas por dimensões, em sentido crescente ou decrescente. É fantástico.


 



 

No hay problema

 



Pink Martini


 

Pecularidades da política nacional

 



 


Esta legislatura anuncia-se peculiar. Há como que um entendimento oficioso e informal de que é a oposição que deve governar.


 


Na área da Educação os partidos da oposição multiplicam-se em contactos e iniciativas, ouvem e negoceiam com sindicatos que, por sua vez, já tornaram públicas as suas opiniões e exigências em relação à suspensão da avaliação dos professores e do estatuto da carreira docente.


 


Aguarda-se que o governo e a ministra se pronunciem em relação à opinião da maioria negativa.


 


Na área da Saúde dá a sensação que todo o ministério se fundiu no Hospital Central de Portugal em que a Presidência do Conselho de Administração, a Direcção Clínica e o Gabinete de Imprensa são assegurados pela Dra. Ana Jorge. Esse Hospital Central de Portugal é o centro de referência da pandemia de gripe A. São produzidos boletins clínicos com periodicidade quase diária.


 


A política de saúde auto suspendeu-se por prazo incerto, mas teme-se que esteja de baixa prolongada.


 



 


Nota: também aqui.


 

25 outubro 2009

Referendo

 


Não percebo porque é que um grupo de socialistas católicos pretende um referendo sobre o casamento entre homossexuais.


 


Caso este seja legalizado, será o casamento civil. O casamento religioso será sempre conforme os preceitos da religião, neste caso os da Igreja Católica. Ou será que querem referendar a hipótese de haver casamento religioso para homossexuais? Pois, mas para isso não serve um referendo.


 


Os católicos ofendem-se com frequência e tendem a pretender que todos sigam as suas ideias, os seus valores, as suas escolhas.


 


O programa do governo era explícito nessa matéria e essa já foi sufragada. Caso seja legalizado o casamento entre homossexuais, ninguém será obrigado a ser homossexual, ninguém será obrigado a casar. Apenas se abrirá a possibilidade de dois cidadãos do mesmo sexo celebrarem um casamento civil.


 


Um referendo pedido por um grupo de católicos? Não percebo.


 


Nota: também aqui.


 

Caim

 



pintura de Gustave Doré


A morte de Abel


 


Génesis

Capítulo IV



  1. E conheceu Adão a Eva, sua mulher; e ela concebeu e pariu a Caim, e disse: Alcancei um Varão do Senhor.

  2. E pariu também a seu irmão Abel: e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

  3. E aconteceu a cabo de dias, que Caim trouxe do fruto da terra [uma] oferta ao Senhor.

  4. E Abel também trouxe dos primogénitos de suas ovelhas, e de sua gordura: e atentou o Senhor para Abel e para sua oferta.

  5. Mas para Caim e para sua oferta não atentou. E assanhou-se Caim em grande maneira, a ponto de lhe caírem suas faces.

  6. E o Senhor disse a Caim: Porque te assanhaste? E porque te caíram tuas faces?

  7. Não haverá exaltação se fizeres o bem? E se não fizeres o bem, o pecado está deitando à porta, com desejo de ti, e ele se assenhorará.

  8. E falou Caim com seu irmão Abel: e aconteceu, que estando eles no campo, se levantou Caim contra seu irmão Abel, e matou-o.

  9. E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel teu irmão? E ele disse: Não sei. Sou eu guardador de meu irmão?

  10. E disse [Deus]: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama a mim da terra.

  11. E agora maldito sejas tu na terra, que abriu sua boca para receber o sangue de teu irmão de tua mão.

  12. Quando lavrares a terra, não te dará mais sua força: vagabundo e forasteiro serás na terra.

  13. Então disse Caim ao Senhor: Maior é minha maldade, que se perdoe.

  14. Eis que hoje me lanças da face da terra, e de tua face me esconderei; e serei vagabundo e forasteiro na terra; e acontecerá que todo aquele que me achar me matará.

  15. Porém o Senhor lhe disse: Qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o senhor um sinal a Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.

  16. E saiu Caim diante da face do Senhor: e habitou na terra de Nod, na banda do oriente do Éden. (…)


Bíblia Ilustrada, tradução de João Ferreira Annes de Almeida; apresentação e fixação do texto: José Tolentino Mendonça; ilustrações: Ilda David; Assírio & Alvim


 


Caim (lança) o primogénito, talvez o preferido de Eva, Caim o lavrador, aquele que faria o bem para que fosse recompensado, aquele que ferveria de ciúmes perante Abel (nada), que era crente e solícito, que era bom.


 


Caim, aquele que escolheu o mal, aquele que pecou, aquele que foi condenado a prisão perpétua e não à morte, o que fugia de Deus e da voz do sangue do seu irmão, aquele que viveu a leste do Paraíso.


 


Caim, o escolhido por Deus como exemplo, o escolhido de Deus como sinal do lado negro do homem, o escolhido por Deus como prova. Caim, o sacrificado por Deus.


 


Esta história é uma história de humanidade e desumanidade, de amor, paixão, ciúme e morte, de condenação sem perdão. É uma história de sempre. Crentes, ateus ou agnósticos, há nestes livros uma profunda reflexão sobre nós, como nos vemos, como nos relacionamos, como nos amamos. Podemos sempre interpretá-los de forma literal, mas perderemos um manancial de informação sobre a nossa própria memória ancestral, os nossos medos e os nossos mitos.

 

Teresín - Theresienstadt

 



 


Theresienstadt, ou Teresín (em checo) – foi um campo de concentração nazi, desde 1941, para onde se deportavam judeus, definitiva ou transitoriamente, a caminho de Auschwitz.


 


Era um campo de concentração que, originalmente, foi pensado para albergar a burguesia judaica germanófona. Havia pintores, escritores, músicos, cientistas, diplomatas, professores, etc. Fazia-se uma tentativa de proceder como se a vida decorresse dentro da normalidade, mantendo as crianças nas aulas e uma produção artística que, por entre os horrores que ali se passavam, poderiam sugerir aos presos a ilusão e alguns vislumbres do que era ser-se humano. Chegou mesmo a ser usado como propaganda do regime nazi, que autorizou a Cruz Vermelha a visitá-lo em 1944.


 


Calcula-se que dos 140.000 deportados para Theresienstadt apenas 12.747 sobreviveram à guerra. No Museu Judaico de Praga estão guardadas colecções de desenhos e pinturas realizados pelas crianças e pintores de Theresienstadt. Muitos músicos continuaram a compor no campo de concentração.


 


Anne Sofie Von Otter, em 2007, publicou um CD com uma compilação de obras de vários compositores de Theresienstadt.


 


Não encontrei no YouTube nenhum excerto do CD. Mas é lindíssimo. Apenas encontrei uma interpretação de uma sonata para violino, de Erwin Schulhoff.


 



Yvonne Smeulers


 


Adenda (informação de Eugénia de Vasconcellos): ver o livro de Daniel Blaufuks.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...