06 novembro 2008

O regresso da ideologia

A onda de interesse e aclamação que varreu os EUA e a Europa com a campanha de Barack Obama veio demonstrar que, ao contrário do que muitas vezes se diz, estamos sedentos de ideologia.


 


Estamos abertos às palavras e às sensações, comovemo-nos com a cadência e a beleza das ideias, precisamos de esperança.


 


A eleição de Barack Obama faz renascer a política naquilo que ela tem de mais puro, o debate por algo em que se acredita, a certeza de que é possível mudar para melhor, de que todos podemos participar nessa mudança, de que todos podemos sonhar com a felicidade.

Claustrofobia democrática

As cenas passadas ontem na Assembleia Regional da Madeira é um contínuo de disparates e falta de respeito dos deputados uns pelos outros, passando o tempo em que deveriam representar os seus eleitores e velar pela causa pública, e vez de se comportarem como arruaceiros e trogloditas. Na verdade é um desrespeito à própria Assembleia.


 


Mas tudo se passa com o beneplácito das mais altas figuras da Nação, incluindo o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República.


 


No entanto houve um limite que se ultrapassou hoje e que não pode ser ultrapassado. Foi impedida a entrada de um deputado legitimamente eleito na Assembleia Regional da Madeira e foi-lhe retirada a imunidade parlamentar por quem não tem legitimidade para isso, mandatado por quem não tem poder para tal.


 


Está em causa o normal funcionamento de uma Instituição democrática pelo que espero actuação pronta e enérgica do Presidente da República. Tal como aguardo a condenação pública por parte de todos os que se dizem democratas e que denunciam claustrofobias democráticas em Portugal. De facto elas existem. Na Madeira.

05 novembro 2008

Convívio virtual


(pintura de Rachel Baum: Crimson)


 


Ao longo dos últimos 3 anos, de uma forma mais ou menos regular, vou escrevendo o que me vai na alma.


 


Muitas vezes disparatei, outras tantas me enganei, mas sempre tentei discutir o que me toca, partilhar o que gosto.


 


Vou trocando afinidades, algumas alfinetadas, com pessoas sem rosto mas com a espessura do que sentem. A nossa nova sociedade incorpórea de palavras, sons e imagens.


 


Não me revejo já nalguns textos inflamados que produzi, nalgumas opiniões que expressei. Mas isso é que me dá a certeza de que não parei.


 


Assim me preparo para mais um ano.

A concretização do desejo

Ontem houve 66% de eleitores americanos que votaram. O povo escolheu um homem que não pertence a famílias presidenciáveis, um homem comum, um homem negro, deu-lhe o poder de governar o país que governa o mundo.


 


O mundo tem aquilo que desejou.


 



(foto do Público)

04 novembro 2008

BPN

Nacionalizou-se o BPN, tal como já se nacionalizaram vários bancos noutros países da Europa civilizada.


 


Mas por cá foi pouco civilizada a reacção. Aliviados só mesmo os clientes.


 


Noite eleitoral

Esta noite eleitoral é quase um reviver das memoráveis noites das primeiras eleições em Portugal. Grupos de amigos e conhecidos reúnem-se, os menos badalados nas suas casas, com o aquecedor, cervejas e amendoins, os democratas mediáticos m hotéis, com os obrigatórios convidados americanos.


 


Para além do disparate do espectáculo fácil e do enchimento das horas televisivas, não há dúvida de que o resultado das eleições presidenciais nos EUA serão um marco na nossa próxima história globalizada.

Inevitável mudança

Hoje até nos podemos esquecer do Magalhães, esse prodígio ibero-americano que todos os assessores de Sócrates usam, do Banco de Portugal que vai de ingenuidade em ingenuidade até ao descrédito final.


 


Porque hoje, com a vitória de Obama, vai começar o fim da crise.


 


Os EUA e a Europa anseiam pelo sinal de mudança. Mudança nos discursos e nas atitudes. É bom que nos convençamos que, em Portugal, as coisas também podem mudar.


 


É bom que José Sócrates se ouça a si mesmo e perceba que, mais tarde ou mais cedo, esta onda o alcançará.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...