30 março 2008

Alteração da hora


 


Talvez a razão primeira tenha sido a alteração da hora. Quando me levantei, lentamente porque devemos honrar as manhãs de Domingo, já eram quase horas de almoçar.

Ou seja, o meu dia precipitou-se em direcção à recuperação das funcionalidades horárias, mas sem tempo de o fazer. Tudo transladado para mais tarde, o café da manhã sem jornais, o almoço tardio sem café, a peregrinação semanal ao supermercado à velocidade da luz, arranquei com o TomTom totalmente preparado para a Rua do Açúcar, no Poço do Bispo, para assistir à penúltima representação de Lisboa Invisível, no Teatro Meridional.

Mas não contei com os maus augúrios astrais, com as ventanias em sentido contrário, e muito menos com as obras na zona ribeirinha de Lisboa, por alturas do Rossio, que levou a grandes enchentes de carros parados preguiçosamente em filas descomunais, com o TomTom desesperadamente a dizer-me para virar aqui e acolá, com as ruas fechadas e os Polícias a desviarem para círculos viciosos e concentrados de autocarros.

É claro que já não fui a tempo. Desliguei o TomTom e regressei a casa, onde cheguei mais de uma hora depois de ter partido.



Pelo caminho, enquanto irritadamente esperava nas filas, fui olhando e reparando que todos os cafés daquela zona da Baixa estão fechados, num Domingo, e que as ruas estão desertas de pessoas a pé, pois os turistas estão dentro dos autocarros panorâmicos.

O tão falado comércio tradicional não se adapta aos novos tempos e por isso morre. E morre também o centro de Lisboa.


 


Enfim, não se pode dizer que tenha sido uma bela tarde dominical.

Extraordinário e peculiar

Será que alguém quer esclarecer a veracidade destas peculiares e extraordinárias declarações de António Borges?

A pedido

A cesariana é um acto médico que tem indicações precisas e, como qualquer acto médico, tem contra-indicações e riscos, para a mulher e para a criança.

Transformá-la numa alternativa a pedido é contrário à boa prática e à ética médica. Tanto no SNS como em qualquer Clínica ou Hospital privado.

Educação precisa-se

O manancial de demagogia resultante do caso Carolina-Michaelis é avassalador.

Após décadas de governação social-democrata e socialista, em que o problema da indisciplina, de desautorização dos professores e da escola, de falta de avaliação de todo o tipo de componentes, desde a adequação dos curricula à competência profissional dos docentes, à desresponsabilização dos encarregados de educação e dos alunos, despertaram subitamente as consciências.

Repentinamente ressuscitam os defensores da disciplina férrea, chegando-se ao cúmulo de transformar estes casos de indisciplina e má educação em casos de polícia, retirando mais uma vez protagonismo, responsabilidade e autoridade à escola, com intervenções do Procurador Geral da República e, pasme-se, do Presidente da República, e provavelmente pressões várias que levaram a que a Professora, que nem sequer tinha apresentado queixa ao Conselho Directivo, a apresentar queixa ao Ministério Público.

Outros procuram argumentos que desculpabilizem os alunos, falando da democratização do ensino, do problema social das famílias, das dificuldades em educar nas nossas sociedades modernizadas e globalizadas, descobrindo que a Professora teria autorizado o uso de telemóveis, como se isso, por muito errado que seja, justifique a atitude dos alunos.

Mudar os alunos de escola e ter repórteres à espera que eles recomecem na nova escola, espreitar o momento em que a Professora regresse às aulas, fazendo da propaganda, da mediatização, da humilhação pública, um espectáculo degradante, não me parece que ajude a resolver o problema.

O aproveitamento político do assunto, com a troca de acusações entre o PSD e o PS sobre o Estatuto do Aluno, a alegada campanha de descredibilização dos Professores, a ligação ao Estatuto da Carreira Docente, às manifestações e à avaliação do desempenho dos Professores é absolutamente ridícula.

Todos somos cúmplices desta situação, por acção ou por omissão. Talvez repensar a forma como lidamos com os nossos filhos, como os superprotegemos e compramos, como os desresponsabilizamos e nos desresponsabilizamos da sua formação e educação seja o passo mais urgente e importante. Será que o percebemos?

A alternativa


 


Há uns dias vi na televisão uma reportagem sobre a consequência da cruzada moral das Mães de Bragança contra a prostituição.


 


Pelas entrevistas aos negociantes, Bragança ficou mais pura e mais pobre. Uma Cabeleireira queixou-se da redução da clientela e o negócio dos telemóveis perdeu 25%.


 


Será que a prestação dos maridos, sem as mezinhas e os feitiços das mulheres da vida, aumentou proporcionalmente?


 


E a casa de alterne cristã dará lucro? Será que os Pais de Bragança preferem as conversas teológicas e o aconchego do terço aos prazeres carnais?

Suspeições (continuação)

Agora que já passou mais de um mês, gostaria muito de saber como vão as investigações de CAA relativamente à identidade de Miguel Abrantes:




  • É uma pessoa só com múltiplas personalidades



  • São muitas pessoas com uma personalidade



Adensa-se o mistério.


 


Sugiro ao CAA uma entrevista com a Mma Ramotswe e umas litradas de chá de Rooibos. Pode ser que se lhe faça luz.


 


26 março 2008

Bom-senso precisa-se (2)

José Sócrates cansou-se de ser previsível e de governar à direita, como o acusam os mais esquerdistas do PS. E como o tempo urge, os descontentes descem à rua e o nosso Primeiro está a ver fugirem-lhe alguns votos necessários, resolveu tomar medidas que contentem a classe média e Manuel Alegre, e que retirem iniciativa ao BE e ao PCP que, pela primeira vez desde há décadas, pondera a hipótese de ir a votos sozinho, desfazendo a longa coligação da classe trabalhadora e outros democratas.


 


Hoje a novidade era a descida dos impostos (1% do IVA). Não sei se é bom se é mau, os meus conhecimentos de finanças e de mercados não me permitem ajuizar o que será melhor para animar a nossa anémica economia. Mas não deixo de achar bizarro que Sócrates assuma uma medida que há cerca de 15 dias apelidou de irresponsável.


 


É claro que a redução do défice é melhor do que estava prometido. Mas ele não saberia isso há 15 dias?


 


O que não me surpreende é ouvir aqueles que têm vindo a exigir redução de impostos há meses se estejam agora a esforçar por demonstrar como esta medida é má e eleitoralista. Nada de novo, portanto, no reino da oposição.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...