
nas cordas da guitarra
sem ver nem ouvir
sou as notas dedilhadas
fogosas ou solitárias
efémeras como o som.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Enquanto carregava o enorme frasco com a aguardente, as cascas e os caroços de pêssegos, despojos da sessão compoteira de Setembro, subindo as escadas como se tivesse vários longos braços de polvo, com numerosos sacos a abarrotar de garrafas vazias que tinha recolhido nos cafés mais próximos, para reciclar, espantou-se mais uma vez com os caminhos desviantes que a vida percorre.
Quem poderia imaginar, muito menos ela, que seria a guardiã das tradições culinárias do Natal, que seria ela a receber a herança dos licores, das consoadas, do bacalhau cozido, das rabanadas, do ananás com vinho do Porto?
Mediu bem medida a infusão de aguardente e pêssego, e pôs a panela ao lume com o açúcar e a água, para fazer o xarope. Ainda hoje lhe tinham falado mais uma vez de um pesa-xaropes, um utensílio misterioso de que toda a gente sabia a existência, menos ela.
Procurou em várias gavetas um guardanapo de linho para filtrar o licor. Foi provando e aquecendo, à medida que as faces se lhe avermelhavam, e que as pernas se tornavam mais pesadas.
Agora só faltava distribuí-lo pelas garrafas que, entretanto, tinha lavado, desinfectado e limpo de rótulos e cola. E colar os novos rótulos que tinha feito no computador.
Estava divinal, um néctar digno de deuses. Doce e aveludado, mesmo apropriado para Nossa Senhora, que de há 2000 anos a esta parte não parava de dar à luz!
Licor de pêssego
[pode provar-se (muitas vezes), para ver se não se estragou…]

O dia amanheceu de cara lavada. Bach convida à meditação.

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...