Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Este e outros poemas do Novo Cancioneiro, ditos por Natália Luiza e Maria João Luís, numa tarde de domingo, após uma curtíssima palestra sobre os poetas neorrealistas.
Se todos os nossos líderes ou candidatos a tal ouvissem mais poesia e mais música, visitassem mais exposições, assistissem a mais peças de teatro e vissem mais cinema, tivessem mais conhecimento de como se constrói uma cultura e se consolida uma comunidade, a nossa sociedade seria muito mais decente.
A 25 de novembro de 1975 houve um movimento de rotura nas Forças Armadas, entre os militares moderados e os de extrema esquerda, que não chegou a um enfrentamento militar e civil devido ao importantíssimo papel de Ramalho Eanes, de Melo Antunes, dos restantes oficiais que lhe estavam agregados e do, evidentemente, Presidente da República Costa Gomes. A partir daí foi possível retomar o rumo da consolidação da Democracia, inaugurada a 25 de abril de 1974.
Tudo isto é conhecido, há documentos, há ainda protagonistas vivos, de ambos os lados ideológicos - os que defendiam uma democracia liberal e os que defendiam um totalitarismo socialista, cuja referência (e apoio) era a União Soviética.
Se os militares tiveram um papel crucial nesta evolução democrática, também a sociedade civil o teve, com a mobilização de todos os que acreditavam nas promessas de abril. E dentre os movimentos da sociedade civil destacaram-se o Partido Socialista e o seu Secretário-geral Mário Soares.
Não posso entender, nem aceitar, que o Partido Socialista se deixe arrastar e confundir com a narrativa de quem, em 25 de novembro, tenha falhado na sua ânsia de voltar ao 24 de abril de 1974 e a um país onde se podiam proibir partidos políticos, nomeadamente o PCP.
Não posso entender, nem aceitar, que as devidas comemorações do 25 de novembro, uma das datas símbolo que fizeram o caminho democrático em Portugal, nos últimos 50 anos, esteja a ser apropriada pela direita revanchista, que foi uma das perdedoras do 25 de novembro.
Não posso entender, nem aceitar, que dirigentes e militantes socialistas não ergam bem alto a bandeira que por direito lhes cabe, de terem sido centrais na defesa do Portugal onde vivemos, deixando que outros, assumindo um papel que não tiveram, tentem transformar o 25 de novembro na data primordial do regime.
No 25 de abril, após um golpe militar, a liberdade foi restaurada. No 25 de novembro, após o levantamento dos moderados do MFA, com o apoio da população liderada pelo Partido Socialista, voltou-se ao projeto delineado a 25 de abril - liberdade, democracia, descolonização e desenvolvimento.
SMS grátis para 3838 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD). No estrangeiro pode enviar um SMS para +351962171000 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD).
Guerra irsraelo-palestiniana - um eufemismo para o genocídio a que todos assistimos em direto. O acto terrorista e insano não justifica um genocídio, nem a ocupação militar dos territórios quer Israel sempre cobiçou. A lei dos messiânicos é uma lei de paus e pedras empapados de sangue.
A guerra entre a Ucrânia e a Federação Russa. Putin é o invasor. A Europa está, de novo, à beira da guerra, não vale a pena fingir que não vê, que não sabe.
Uma criatura tresloucada e perigossíma à frente dos Estados Unidos, os pogroms iniciados com imigrantes, ouvindo-se já impropérios contra judeus, odiar o vizinho que limpa a casa, recolhe o lixo, que traz comida, conduz quem quiser aonde quiser.
Os campos de detenção, a violação de telemóveis, a perseguição de jornalistas e Juízes, a censura. Outro tresloucado perigosíssimo, acalentado pelo primeiro, destruindo aquilo que de mais importante se descobriu e implementou no mundo em prole da saúde, opondo-se a vacinas, anunciando que o paracetamol causa autismo.
Um ministro português, neste caso da defesa, a classificar cidadãos portugueses, presos em águas internacionais, não tendo feito nenhuma ilegalidade ou crime, como amigos do Hamas e por isso, subentende-se, até lhes fez bem. Um governo e um Presidente da República que não se levantaram em uníssono para defender esses portugueses, fossem o que fossem, politicamente ou outra coisa qualquer. A certeza de qualquer cidadão fora de Portugal, que o seu País não o defenderá, apoiará, seja em que situação for.
Os Venturas originais e copiados a crescerem, a crescerem, ao colo de tanta pseudo informação com pseudo entrevistas.
(...)
enquanto tudo isto acontecer, e o mais que se não diz por ser
verdade,
enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
o poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:
Se lermos e ouvirmos este discurso, e outros que se lhe seguiram, não conseguimos compreender como, nos EUA e na Europa, foi possível defender, nessa época, a implementação de verdadeiras medidas sociais e socialistas, democratas, quando, desde há cerca de 20 anos, essas medidas serem apelidadas de extremistas e a ideologia subjacente de radicalismo de esquerda.
A criação da legislação da Grande Sociedade, com leis que confirmavam os direitos civis, rádio e televisão públicas, Medicare eMedicaid, educação e a Guerra à Pobreza", foi importantíssima no que diz respeito aos valores da igualdade, liberdade e democracia, com o incentivo aos serviços públicos nestas várias áreas. Hoje em dia, os valores reverteram-se para aqueles que vigoravam nas ditaduras dos anos 20, 30 e 40, em que se culpavam migrantes das dificuldades económicas, em que se divulgavam mentiras e manipulavam cidadãos, levando-os a discriminar e odiar todos os que fossem diferentes.
Neste momento, construimos campos de detenção, deportamos imigrantes, incentivamos as perceções sobre violência e pobreza, o preconceito dos privilégios, a ilusão sem sentido da defesa da nacionalidade e, daquilo que ninguém sabe exatamente o que é: a nossa "tradição".
Nesta onda de retrocessos e apelos totalitários, encabeçados por figuras como Trump, Putin, Netanyahu, para não falar dos seus pálidos seguidores, como Bolsonaro e Ventura, o papel da mulher na sociedade vai conquistando adeptos saudosos da mãe a tempo inteiro, do abençoado lar que deve conduzir, pululando discursos mais ou menos óbvios apelando ao regresso de práticas e processos que considerávamos irrevogáveis.
A guerra como solução imperial, o extermínio de povos e a quebra de todos os compromissos e tratados internacionais que mantinham um equilíbrio no mundo, o avanço científico, as organizações humanitárias, são já o nosso dia a dia.
Resta-me acreditar que sempre haverá quem defenda o humanismo, a tolerância, o compromisso com o outro, essenciais para a construção de uma sociedade humana.