12 fevereiro 2023

E nós vamos aceitando

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E nós vamos aceitando.


Porque não queremos ser insultados nas redes sociais, porque não queremos ser olhados de lado ao usarmos palavras malditas, ao defendermos aquilo que até há bem pouco tempo, era considerado liberdade artística, criação, multiculturalismo, tolerância pela aceitação da diferença.


Policiamos a linguagem, o desenho, as opiniões, o teatro, o cinema. Não há lugar a debates, a discussão e trocas de ideias. Há barricadas, o lado certo e o lado errado.


Os factos deixaram de o ser. As interpretações do mesmo são, neste momento, aquilo a que temos direito não só nas redes sociais, como nos media. A manipulação do que se escreve, do que se diz, nem que seja para que os títulos sejam tremendistas, mesmo que as notícias digam o contrário, são a informação contemporânea. Não interessa se é verdade ou não.


O discurso corriqueiro, alarve, terrorista, inunda opinantes, políticos, gente que vive e actua pela imagem. Deixou de haver privacidade pois já não distinguimos o espaço público da nossa casa. Tudo se mostra nas redes sociais, tudo se diz em alta voz, tudo é público e não privado, pois o privado levanta teorias da conspiração.


E nós, vamos calando.

God Give Me Strength


Burt Bacharach


Elvis Costello

08 janeiro 2023

Ataque à democracia brasileira

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TSF


 


No Brasil a democracia treme. As regras do voto livre, da aceitação dos resultados eleitorais, da sã convivência entre as várias alas políticas, a tolerância e o respeito pelas Instituições são cada vez mais uma miragem.


Como nos EUA, os camaradas de Trump seguem-lhe o exemplo.


A extrema-direita pulula e tende a clonar-se. A polícia assiste, impávida, aso ululantes terroristas internos.


Como isto tudo é dolorosamente conhecido. Como tudo isto é assustadoramente premonitório.


O viver democrático está a deixar de fazer sentido para muita gente.


Tempos de chumbo.

07 janeiro 2023

Mito

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Yoko Kubrick


 


Carrego o mito pelas costas e vai-se moldando pelo corpo


sem asas nem vento prende-se de raízes suculentas


daquelas que nunca existiram sem a dor humana.

31 dezembro 2022

Nada é mais previsível que a imprevisibilidade

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Unpredictable Journeys


 


Sendo o último dia do ano é suposto dizer-se qualquer coisa inspirada, ou inspiradora. Fazer balanços de perdas e ganhos, esconjurar azares do ano que termina, vaticinar futuros imediatos e longínquos para o ano que começa.


Nada é mais previsível que a imprevisibilidade.


Mergulhados no quotidiano, no rotineiro e apagado romance das nossas existências, não temos tempo, nem ânimo, nem capacidade para ver além. A crise, a guerra, o clima, o fogo, a seca, as cheias, incertezas que se tornam certezas de tão constantes e iguais, ano atrás de ano. Sem sequer percebermos os momentos de felicidade, a sorte do acaso de termos uma vida sem grandes sobressaltos mas que nos parece sempre pouca.


Por isso nada tenho de grandioso para pensar ou dizer. Apenas que aqui estou, que continuo a amar e a torturar-me com o que não consigo resolver, a espantar-me com o que não sei e a maravilhar-me com o que posso aprender, a agradecer o amor dos que me querem, a dar-me toda a quem gosto, sem reservas nem promessas, a tentar fazer da minha vida alguma coisa de útil.


Solidariedade e abandono, solidão e resistência, talvez palavras cruas que me foram acompanhando nos últimos tempos, mas também entrega, esperança e amizade.


Amanhã é mais um dia que teremos que viver, pleno, como todos os dias do ano.


Bom 2023!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...