23 julho 2020

O reeditar das reformas estruturais

Não aprendemos nada, como comunidade europeia, com o que se passou na crise de 2008. E, mais uma vez, a divisão entre os países que se acham moralmente superiores, que são frugais e sabem gastar bem o dinheiro, impõe-se. Dentro de alguns anos regressarão as sanções para quem não fez aquilo que esses países acham que se deve fazer - cortar na segurança social e reduzir as garantias dos trabalhadores com alterações da legislação.


É sempre o mesmo. A falta de vergonha chegou até à proposta de vetos por parte de países que não concordavam com a forma como se aplicavam os fundos. A falta de vergonha da parte de quem faz dumping fiscal, atraindo as empresas de outros países para fugirem aos impostos.


Não, não aprendemos rigorosamente nada.

Debates e democracia

Estou de acordo com todos os que se opõem à redução dos debates parlamentares quinzenais, em que o Primeiro-ministro e o governo são confrontados com o escrutínio Parlamentar.


O trabalho do Parlamento é legislar e escrutinar a actuação do governo. Um dos trabalhos do Primeiro-ministro é responder aos parlamentares. Este tique autoritário de deixem-no e deixem-me trabalhar é uma submissão ao populismo, muitas vezes denegrido mas abraçado nestes gestos que são bastante significativos do que se pensa da actividade dos deputados.

13 julho 2020

Das terapêuticas anti-virais

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Contra gripes repentinas


e outros vírus coroados


compota de nectarinas


e ficamos vacinados.


 


Corte tudo em pedacinhos


retire só o caroço


de canela uns pauzinhos


de cravinho só um esboço.


 


Açúcar pesa metade


do peso das nectarinas


tudo em conformidade


das dietas em ruínas.


 


Não se deve esquecer


o que diz a tradição


e que consta em espremer


um sumarento limão.


 

09 julho 2020

Concursos fictícios

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Rita Rato, licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais, não conhecia, em 2009, a realidade dos atropelos aos Direitos Humanos na China, nomeadamente a existência de presos políticos, e nunca tinha estudado nem lido nada sobre os gulags, as purgas e o terror do estalinismo.


Rita Rato decidiu concorrer ao lugar de direcção do Museu do Aljube Resistência e Liberdade. Para o perfil pedia-se



  • Formação superior adequada à função (preferencialmente na área de história política e cultural contemporânea);

  • Experiência em funções similares (preferencialmente na área dos museus);

  • Experiência em programação e produção de exposições;

  • Experiência em gestão de pessoal e equipas;

  • Domínio da língua portuguesa falada e escrita;

  • Proficiência em inglês e francês;

  • Domínio das ferramentas do Microsoft Office;

  • Elevadas competências de relacionamento interpessoal;

  • Elevado sentido de responsabilidade e de confidencialidade.


Pelos vistos Rita Rato não preenchia os 3 primeiros requisitos. Mas isso não impediu o júri de lhe dar o lugar, pelos vistos pela forma como decorreram as entrevistas realizadas durante o concurso.


Tentar transformar o espanto e a indignação de várias entidades e pessoas quanto a esta escolha, dificilmente compreensível não só face ao perfil requerido como à evidente ignorância e / ou cegueira da candidata, num ataque misógino e anti-comunista, é triste e constrangedor.

Justiça quatro anos depois

Quatro anos depois o Tribunal Judicial de Lisboa decidiu condenar José António Saraiva pelo crime de devassa de vida privada.


É muito importante que a sentença tenha sido essa. No entanto, 4 anos depois, já ninguém se importa, liga ou sequer se lembra do que se passou, com excepção dos directamente visados. Para além da morosidade do processo, o custo associado é seguramente muito superior ao financeiro.


Defendi e defendo que estes assuntos sejam decididos na justiça e acredito que tenha sido uma vitória da lei e da decência, mas com um sabor mais acre que doce. É preciso ser-se muito corajosa e resiliente, para suportar tudo isto.

Vírus e Sistema Nervoso Central

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Multiplicam-se os títulos bombásticos de manifestações da COVID-19. O Público publica uma notícia que cita estudos que alertam para a possibilidade de lesões graves causadas pelo SARS-Cov-2 no Sistema Nervoso Central (SNC).


Uma pequeníssima e rápida busca no Google, mostrou outros estudos, noutros anos, com outros vírus, que alertam para as mesmas possibilidades: nestes casos concretos em relação aos vírus da gripe (H1N1 e H5N1).


Também o vírus da varicela é conhecido por poder causar lesões no SNC. E muitos outros. É indispensável que não percamos a perspectiva do todo - há muitos vírus que têm capacidade para lesar o SNC, o que não significa que o façam sempre nem para sempre.


Este tipo de notícias só aumentam o medo pelo alarmismo. Informação não pode ser apenas a procura de títulos assustadores, completamente desenquadrados e sem qualquer procura mínima de cruzamento de dados.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...