03 julho 2019

Biografias

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O Poço e a Estrada


Isabel Rio Novo


 


Cada vez gosto mais de ler biografias, principalmente biografias de escritores.


 


Acho interessantíssimo conhecer a pessoa para além da capacidade de escrita, a forma como viveu, as suas circunstâncias e as do mundo que a rodeava, a família, o processo de criação, a sua ideologia política, se a tinha, a sua intervenção de cidadania, se é que a teve, as suas vitórias e derrotas, a maneira como lidava com a fama ou com o anonimato, enfim, a sua vivência e a sua humanidade.


 


Li a biografia de Agustina Bessa-Luís logo que foi publicada, até pelo fascínio que sempre me provocou. E não fiquei desiludida. Isabel Rio Novo consegue dar-nos a conhecer a mulher, a escritora, a irreverência e o conservantismo, a feminilidade, a alegria, o humor, a incrível capacidade de se distanciar de tudo e de olhar a sua vida como o adubo das suas personagens e dos seus aforismos.


 


Pelo contrário, a biografia de Sophia de Mello Breyner não me prendeu nem me devolveu uma pessoa. Penso que Isabel Nery ficou demasiado impregnada da imagem da poetisa e da poesia de Sophia, que se intimidou. Não fiquei a perceber como era a mulher, para além dos padrões e dos valores morais, da imensidão da vivência da obra poética, do amor à Grécia. A sua intervenção política, pelo contrário, parece-me bem espelhada.


 


E se calhar nada disto é importante e o meu gosto por conhecer a pessoa atrás da figura, da intelectual, da escritora, da poeta, é apenas a minha futilidade e curiosidade de voyeur. O que nos interessa, de facto, é a obra que deixaram, é a extraordinária capacidade de nos envolverem, ensinarem, divertirem e emocionarem.


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Sophia


Isabel Nery

Ou então


... à maneira de Dick Fosbury.

Confortabilíssimos colchões

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Quando comprarem um colchão não se esqueçam de medir a altura, pois podem ter que adquirir também um escadote...

02 julho 2019

Alguns factos verdadeiros para afirmações alternativas

A Ordem dos Médicos disponibiliza, online, estatísticas por especialidade - as mais recentes são de 2017.


Dessas estatísticas, realço apenas a especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, a propósito das notícias diárias de caos, falta de especialistas, urgências e maternidades a fecharem, etc.


Convém não esquecer que os médicos especialistas podem deixar de fazer urgências nocturnas a partir dos 50 anos - na especialidade de Ginecologia / Obstetrícia há 74% de médicos com mais de 50 anos. Mas a partir dos 55 anos, podem também deixar de fazer urgências diurnas - nesta mesma especialidade 61% dos médicos têm mais de 55 anos e 32% têm mais de 65 anos (a idade da reforma é por volta dos 67 anos).


Ou seja, o problema das urgências em Ginecologia / Obstetrícia tem principalmente a ver com o envelhecimento dos médicos.


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Por outro lado, e lendo o Relatório Social do Ministério da Saúde e do Serviço Nacional de Saúde (o último disponível é também de 2017):



  • pág. 24 - A carga horária predominante em todos os grupos profissionais é, com exceção do pessoal médico, as 35 horas semanais (53,9%), o que decorre da entrada em vigor da Lei n.º18/2016, de 20 de junho, que alterou o período normal de trabalho (PNT) em 2016. No caso do pessoal médico, mercê do respetivo enquadramento legal, predomina o período normal de trabalho de 40 horas semanais.

  • pág. 30 - A taxa média de retenção global dos médicos recém-especialistas que concluíram o internato médico no ano de 2017, foi até à data, na ordem dos 84%. Evidencia-se as especialidades com o maior número de recém-especialistas ativos nas entidades como a Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Anestesiologia, Cirurgia Geral e Ginecologia/Obstetrícia, apresentando estas especialidades taxas de retenção global entre os 83% e os 91%.


Ou seja, ao contrário do que muitos comentadores e opinadores comentam em todos os media, o problema da falta de médicos nada tem a ver com a redução das 40 para as 35 horas semanais, pois os médicos mantêm as 40h/ semana.


E em relação ao facto de haver muitos médicos a serem seduzidos pelos Hospitais Privados, isso não é globalmente verdade e, no caso da especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, não o é especificamente.


 


Resumindo - há falta de médicos sim, porque eles não existem e não se formam de um dia para o outro.

29 junho 2019

Das antigas novidades

Nada do que se está a passar no SNS, em termos de escassez de recursos humanos, pelo menos médicos, é novidade e estava prevista e diagnosticada há décadas. Gostaria muito de ouvir alguém, nomeadamente jornalista, a informar sobre o seguinte:



  • Qual a percentagem de médicos com idade superior a 55 anos - é que os médicos com mais de 50 anos deixam de fazer urgências nocturnas, e com mais de 55 anos deixam de fazer urgências diurnas.

  • Quais as especialidades com maior percentagem de população acima dos 50 anos.

  • Porque se continua a repetir que não há falta de médicos quando os concursos para o SNS abrem e muitas vezes fecham sem que as vagas sejam preenchidas.

  • Porque não se pondera a possibilidade de haver um determinado número de anos em que os médicos deverão prestar serviço no SNS, aonde for necessário - o serviço médico à periferia foi uma obrigação das gerações que estão agora perto da idade da reforma.

  • Porque motivo a Ordem dos Médicos demora uma infinidade de tempo a despachar os pedidos de validação de licenciatura e títulos de especialista a muitos emigrantes médicos que gostariam de trabalhar no SNS?

  • Porque razão se mantém a MAC a funcionar, quando há uns anos se chegou à conclusão de que 4 maternidades na zona de Lisboa eram de mais? Tanto quanto sei pelas estatísticas que vão aparecendo, a natalidade mantém-se num nível baixíssimo.

  • Poque não se reorganizam todas as urgências e não se constituem serviços rotativos, não só para a Obstetrícia mas também para as outras urgências dentro da cidade de Lisboa? Há uns anos falou-se da premência dessa medida a propósito da urgência de neurocirurgia.

  • Porque não se altera a forma de entrada nas Universidades de Medicina, porque não se aumentam as vagas? O afunilamento da profissão médica, apadrinhado pela Ordem, é uma das causas, se não a principal, da presente situação (um médico demora entre 10 a 12 anos a formar).

  • Porque não se revêem as carreiras e as remunerações dos médicos no SNS, porque não se implementam incentivos e prémios baseados no desempenho?

  • Porque não se revêem as carreiras dos enfermeiros e dos técnicos de saúde, redefinindo as suas competências e dando-lhes remunerações dignas e que reflictam a sua formação exigente e contínua, de forma a que esses profissionais tenham um papel mais activo, partilhando tarefas para as quais tenham formação?

  • Porque não se investe em equipamentos, nomeadamente informáticos, para libertar os profissionais das horas gastas ao computador?

  • Porque não se organizam centros de meios complementares de diagnóstico junto de centros de saúde para libertar os hospitais de exames que poderiam e deveriam ser feitos fora das unidades hospitalares?

  • Porque não de dotam os centros de saúde com consultas de especialidade, libertando as horas dos médicos para trabalho exclusivamente hospitalar?


Estes problemas não são de agora e chega a ser pornográfico ouvir agentes políticos e jornalistas repetirem aquilo que existe há décadas como se fosse novidade, ouvir repetir mentiras sobre as PPP, como se o SNS se resumisse a 4 hospitais em PPP.


É tudo demasiado triste e muito cansativo.


 


https://www.edulog.pt/artigos/em-analise/em-debate-ha-falta-de-medicos-em-portugal


https://www.spp.pt/UserFiles/file/Publicacoes/Estudo_Evolucao_Prospectiva_Medicos_Relatorio.pdf

28 junho 2019

Do ensino das gaivotas

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As seagulls swoop


 


Do ensino das gaivotas pelo areal dos sentidos


alisamos dúvidas esfregamos asas


recebemos das ondas o primordial alimento


de olharmos o mundo no bico do vento.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...