05 maio 2019

MÃE

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Mais


Antiga


Empresa


 


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Magia


Abraço


Esperança


 


 


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Manutenção


Atenta


Especial


 


 


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Mole


Águia


Esquece


 


 


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Maior


Alcance


Estoicismo


 


 


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Mesa


Anjo


Eco


 


 


 


 


 


 


(Pablo Picasso)

03 maio 2019

Demissão do governo

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Expresso


 


 


E fez muito bem. Os partidos de esquerda e de direita terão agora que explicar como e onde vão encontrar orçamento para pagarem a todas as carreiras da função pública que, legitimamente, também querem a recuperação total da contagem do tempo de serviço congelado.


 


E também explicar quando e como vão pagar, porque a ónus está, para já, no governo do próximo ano.


 


Isto é tudo uma tristeza. Fez bem António Costa.

25 abril 2019

Venham mais cinco


Manuel de Oliveira


 


Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá


 


Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar


 


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


 


A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei


 


A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe


 


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


 


Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei


 


José Afonso

Liberdade

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Nada de palavras objectos ou flores
apenas olhares e sorrisos
o toque do carinho que nos liberta
neste dia igual e único
a que nos aconchegamos devagar
sem nunca nos despedirmos.

19 abril 2019

Na Saúde

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Jogam-se as cartas na Saúde - o BE, numa corrida de antecipação, tentando ganhar os louros da decisão, ou seja, votos, apressa-se a rejubilar por ter fechado um acordo com o Governo (ou o PS?) em relação ao fim da continuidade das PPP* para além dos contratos em curso. O PCP não só desmente o BE como deixa entender que ainda está tudo em discussão e que também é protagonista. O governo (ou o PS?) terá sido apanhado de surpresa pela pressa do BE e não gostou, deixando no ar a ideia de que o documento é apenas de trabalho - mas está lá essa hipótese ou não?


 


Entra em jogo o Presidente, ou alguém por ele, ou o centro político por ele, ou as empresas privadas de saúde por ele (ou por nós?), escapando para a opinião pública um prometido veto, caso esse acordo seja para avançar.


 


Por outro lado Marta Temido está sob fogo por causa das listas de espera para cirurgia enquanto Presidente da ACSS - foram as listas expurgadas de quem já deveria não estar lá? Ou foram mesmo cirurgicamente geridas para melhorar estatísticas? Convinha esclarecer este assunto, porque é muito importante. Infelizmente, não tenho capacidade para ajuizar da verdade de cada um, pois aprendi a desconfiar de tudo e de todos. Na realidade há imensos doentes que estão inscritos em listas de espera e que, entretanto, ou já foram operados noutros locais, ou faleceram, ou desistiram de ser operados. A falta de softwares apropriados, sendo os que existem diferentes em cada Instituição, dificulta ou impossibilita o cruzamento de dados e a sua actualização automática. Há muitas disfunções no sistema (como noutros) e, ciclicamente, as listas devem ser revistas e actualizadas. Mas a investigação dos doentes que morreram enquanto em lista de espera é essencial, como pede o Bastonário da OM que, entretanto, poderia ter mais cuidado com as declarações que faz sobre a degradação do SNS, porque sabe, ou deveria saber, que este governo, nesta área como noutras, não pode recuperar em 4 anos o que se degradou em muito mais.


 


E que é feito da dívida dos grupos privados de saúde à ADSE? Já todos se esqueceram disso, agora que, de novo, já há acordos com a ADSE, depois da estrondosa rotura a que assistimos, lançando o pânico entre os beneficiários deste subsistema de saúde?


 


*Declaração de interesses: trabalho numa PPP, defendo afincada e furiosamente o SNS, e sou contra o fim das PPP na Saúde.

Paris em Maio, 1994

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Paris


 


Paris em Maio, 1994.


 


Aterrámos no meio do bulício do costume e fomos de táxi para o hotel, que um francês amigo tinha reservado, na Rive Gauche, ao pé do Grand Magazin Le Bom Marché, na Rue Saint Placide.


 


Com todos os clichés reunidos e explodindo numa jovem pouco viajada, tudo era deslumbrante: os carros que, ao serem arrumados batiam à frente e atrás, sem qualquer preocupação pelo amachucar dos para-choques, as baguette nas mãos dos parisienses, as montras lindíssimas e coloridas das pastelarias, o Sena, as pontes sobre o Sena, as margens do Sena com prédios altos e maciços, o Quai des Orfèvres de Maigret, o Hôtel-Dieu, os Bouquinistes, as estações de metro, as flores e as floristas, os queijos, a loja gourmand em que entrei um dia, esbaforida e exausta, e disse (num francês majestático e macarrónico) on veut deux cafés, a escadaria até ao Sacré Coeur, a vista deslumbrante do Sacré Coeur, as caminhadas pela longa avenida dos Campos Elísios, o Arco do Triunfo e o caos organizado do trânsito, a Torre Eiffel, o Louvre, o maravilhoso Musée d’Orsay dos impressionistas, a Place du Tertre com os seus caricaturistas, Montparnasse, o Quartier-Latin, onde comemos a pior mousse de chocolate de que me lembro, Saint-Germain des Près, os livros expostos nas ruas, as livrarias com múltiplos andares e toneladas de banda desenhada, o Astérix, o jardim das Tulherias, o túmulo de Napoleão, os quilómetros andados, as cores, os ruídos, os Bateaux-Mouche.


 


Foi uma tarde inesquecível, ladeando a Île de La Cité, onde se ergue a Catedral de Notre-Dame de Paris. É nestas alturas que sinto o apelo do sagrado, do transcendente, do etéreo. Dentro daquelas abóbadas, naquele ambiente a um tempo esmagador e libertador, com a luz filtrada pelos vitrais, tudo nos eleva para o sentido do divino. Naturalmente baixamos  voz, com uma reverência e um temor irracionais para quem, como eu, não é crente. Templos que nos induzem recolhimento, como se a presença dos milhares de pessoas que por ali passaram, rezaram, desesperaram, resguardaram, os milhares de trabalhadores que penaram para a sua construção e reconstrução, as esperanças, os medos e os ódios, nos fizesse mais humanos e nos induzissem à humildade e à perfeição.


 


Lembro-me que íamos jantar a uma Brasserie mesmo ao lado do Hotel, exaustos e inundados de Paris, numa das viagens que mais gratas memórias me deixou. Ao ver arder Notre-Dame, foi quase como se me despedisse definitivamente do início da minha vida adulta, do meu conhecimento do mundo, do meu verdadeiro sentir europeu, como se alguma coisa se partisse, encolhesse e regredisse, como se o incêndio não fosse mais que o esfumar de uma Europa intercultural e universalista que faz parte da nossa História mas que dificilmente fará já parte do nosso futuro.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...