09 setembro 2018

Na toca

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Parque do Piauí


 


1.


Basta um toque


a morna quietude do abandono


para que a primeira realidade


seja a felicidade


do teu amor.


 


2.


A vida regular e normalizada


café da manhã espreitar os jornais


deliciar-me com um dia pacato


pacatez de um oceano


mediania da existência


sem ondas nem plano.


 


3.


Ainda faltam


as costumeiras andanças de domingo.


Ainda não é meio-dia.


Ainda posso sonhar com vastos mundos


de cabeça vazia.


 

06 setembro 2018

19 agosto 2018

Um dia como os outros (185)

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(...) Já agora, seria oportuno que o sr. Cosgrave esclarecesse quais são esses critérios que definem as fronteiras das escolhas para o palco da Web Summit, uma iniciativa dirigida ao chamado novo empreendedorismo tecnológico e a sociedade digital onde, convenhamos, os propósitos de Le Pen estão manifestamente deslocados. Não se trata de censurar ou não censurar escolhas, mas de considerar o sentido que fazem ou não num determinado contexto. É isso e só isso o que está em causa e não o legítimo direito de Le Pen e outros líderes populistas se exprimirem em todos os fóruns políticos e mediáticos apropriados. (...)


 


Vicente Jorge Silva

Função pública - envelhecimento e rejuvenescimento

Nada tenho contra o envelhecimento activo e a possibilidade de trabalhar após os 70 anos, seja no sector privado ou no público. Mas tenho algum receio que o término da reforma compulsiva aos 70 anos para a função pública, venha a ser, com o tempo, a manutenção do trabalho compulsivo a partir dos 70 anos. É claro que as condições dos trabalhadores hoje são muito diferentes das que existiam em 1926 (data da lei). Mas penso que há que ter em atenção inúmeros aspectos, não só a esperança e a qualidade de vida actuais, em comparação com as do início do séc. XX.


 


A realidade é que temos uma função pública com quadros envelhecidos, a precisar urgentemente de substituição e renovação. Já há muito que defendo que a reforma deveria ser gradual e que os últimos anos de actividade dos trabalhadores deveriam adaptar menos tempo e mais flexibilidade de horários a funções de formação e supervisão dos mais novos, aproveitamento da experiência e do saber dos mais velhos nas actividades diárias, para que, a pouco e pouco, se integrassem e renovassem as gerações, com a preparação simultânea de uma reforma activa e produtiva.


 


desemprego jovem é grande pelo que o que me pareceria lógico era reduzir a idade da reforma e não incentivar a manutenção dos postos de trabalho após os 70 anos. Até porque a número de trabalhadores que tem esperado pelo limite de idade para se reformar é cada vez mais escasso, tendo sido de apenas 387 em 2017. Se as reformas forem cada vez mais exíguas, como é o caso, não me espanto que os trabalhadores possam pedir para continuar a trabalhar depois dos 70 anos, não porque de facto o desejem, mas porque se arriscam a ter sérias dificuldades económicas se não o fizerem.


 


É importante não desperdiçar o saber e a experiência de tanta gente notável que, aos 70 anos, tem ainda muito para dar à comunidade. Mas também não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar a força renovadora dos jovens que anseiam entrar no mercado de trabalho, sem o qual não podem assumir as suas vidas, privando-as do seu direito a serem cidadãos plenos, podendo ter os seus filhos, contribuindo para a sociedade com motivação, energia e competências diferentes das dos seus pais, e também para a economia do país.

As preocupações da CIP

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António Saraiva reage negativamente às propostas do BE para reduzir as desigualdades salariais. Chegou mesmo a falar de uma nacionalização da economia portuguesa, numa intervenção que ouvi mas não consigo recuperar.


 


Segundo António Saraiva, nessa mesma intervenção, as empresas estão muito atentas e preocupadas com as ditas disparidades, até porque causam mal-estar entre os colaboradores, mas só a elas cabe a resolução do problema.


 


Desconheço as propostas do BE e não sei se a legislação proposta é uma boa solução, mas fico imensamente descansada com a preocupação da CIP e do seu presidente - como se deduz pelo campeonato das empresas com maiores desigualdades salariais, em que Portugal tem posições cimeiras. Aliás podemos ficar todos descansados, aguardando com muita paciência as medidas que as empresas hã-de tomar, enquanto assistimos a um aumento continuado das desigualdades.


 


Há que ter muito desplante.

16 agosto 2018

R - E - S - P - E - C - T

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Billboard, 17 February 1968


 



Aretha Franklin


Ottis Redding


 


 


What you want


Baby, I got it


What you need


Do you know I got it


All I'm askin'


Is for a little respect when you get home (just a little bit)


Hey baby (just a little bit) when you get home


(Just a little bit) mister (just a little bit)


I ain't gonna do you wrong while you're gone


Ain't gonna do you wrong cause I don't wanna


All I'm askin'


Is for a little respect when you come home (just a little bit)


Baby (just a little bit) when you get home (just a little bit)


Yeah (just a little bit)


I'm about to give you all of my money


And all I'm askin' in return, honey


Is to give me my propers


When you get home (just a, just a, just a, just a)


Yeah baby (just a, just a, just a, just a)


When you get home (just a little bit)


Yeah (just a little bit)


Ooo, your kisses


Sweeter than honey


And guess what?


So is my money


All I want you to do for me


Is give it to me when you get home (re, re, re ,re)


Yeah baby (re, re, re ,re)


Whip it to me (respect, just a little bit)


When you get home, now (just a little bit)


R-E-S-P-E-C-T


Find out what it means to me


R-E-S-P-E-C-T


Take care, TCB


Oh (sock it to me, sock it to me, sock it to me, sock it to me)


A little respect (sock it to me, sock it to me, sock it to me, sock it to me)


Whoa, babe (just a little bit)


A little respect (just a little bit)


I get tired (just a little bit)


Keep on tryin' (just a little bit)


You're runnin' out of fools (just a little bit)


And I ain't lyin' (just a little bit)


(Re, re, re, re) when you come home


(Re, re, re ,re) 'spect


Or you might walk in (respect, just a little bit)


And find out I'm gone (just a little bit)


I got to have (just a little bit)


A little respect (just a little bit)

"Os jornalistas não são o inimigo"

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Os ataques de Trump à imprensa e, de um modo geral, a todos os meios de comunicação livres, mostram que, até na (quase) indestrutível democracia americana, o autoritarismo e as tendências ditatoriais fazem o seu caminho. A era Trump colocou a nu aquilo de que já se falava e que já se sabia há algum tempo: que as pessoas eram cada vez mais manipuladas pelo que se lê nas redes sociais, que há fábricas de invenção de notícias e que a ignorância e a má-fé imperam.


 


É claro que, para quem joga um jogo viciado, como Trump, ter uma imprensa livre é uma péssima notícia. Daí o ataque constante e violento a todos os que o confrontam, tal como aos seus apoiantes, com as mentiras e as inenarráveis declarações diárias a que nos habituou.


 


O grito da imprensa norte americana de hoje, com cerca de 300 jornais a assinarem editoriais em que escreve que Os jornalistas não são o inimigo deveria ser repetido e ecoado por todo o lado, nomeadamente em Portugal. A democracia é um hábito que morre rapidamente, se todos os dias não a experimentamos.


 


Mas é importante que os jornalistas, da imprensa escrita e das restantes formas de comunicação, olhem para si próprios e percebam que também são vítimas de si próprios. Desde o momento em que se constituem actores políticos e entram no jogo da manipulação dos factos, realçando o que pode comprometer uma certa orientação política, esquecendo ou deturpando o que a favorece, quando usam acriticamente as redes sociais, fazendo de caixa de ressonância aos mais aberrantes (pseudo) factos, sem qualquer investigação das fontes e da veracidade dos mesmos, estão a hipotecar a sua isenção e credibilidade informativas. Quando pescam comentários e causas estapafúrdias, com a miragem das audiências e da visibilidade que desejam, quando publicam artigos mal traduzidos e mal escritos, sem qualquer enquadramento histórico e/ ou científico, acabam por se comparar com o lixo pseudo informativo que pulula pela internet.


 


E é importante que nós próprios, cidadãos, olhemos para a nossa incapacidade de perceber que a imprensa livre não sobrevive sem dinheiro, que a independência económica é uma das mais importantes chaves para o rigor e a exigência, e um dos mais eficazes antídotos contra a corrupção. Se os jornais em papel se pagam também se devem pagar os jornais digitais. Por outro lado a formação, a honestidade e a competência dos jornalistas é semelhante às das outras profissões, não sendo eles super heróis nem párias sociais.


 


O verdadeiro inimigo é, de facto, a ignorância. É o ingrediente mais fértil para a intolerância, a estupidez, o desprezo pelos outros, o fanatismo. Combater a ignorância é um dever de toda a sociedade, sendo a informação livre um dos seus mais importantes instrumentos.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...