14 julho 2018

Erbarme dich, mein Gott


 Anne Sofie von Otter


J. S. Bach - Matthäus-Passion

Redoma

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Papoilas de cerâmica


Lincoln Castle


 


Da janela enfrento as nuvens dentro da redoma do esquecimento.


Espero o vagar do sono os gestos do descanso a que me obrigo


aplicadamente para suster a respiração. As bandeiras


deixaram a cor empalidecer e os hinos estão calados. Amanhã


acordarei a alma por eles.

09 julho 2018

A poesia na Grande Guerra

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Gassed


John Singer Sargent


 


All a poet can do today is warn. That is why the true poet must be truthful


Wilfred Owen


 


poesia é um dos grandes testemunhos da I Guerra Mundial. Muitos dos poetas eram jovens que combateram e morreram nas batalhas ou como consequência delas. A poesia foi um meio de expressarem o seu medo, a sua fúria, a sua tristeza, a sua vulnerabilidade. Transformaram-se nas vozes das consciências dos povos, pela sua comovedora sinceridade e honestidade, numa linguagem que se desligou de artificialismos formais e nos aproxima do sofrimento, da amizade e da solidariedade.


 


Muitos foram os que publicara os seus poemas durante a Grande Guerra, havendo inúmeras antologias já do pós-guerra.


 


IN FLANDERS FIELDS


 


In Flanders fields the poppies blow


Between the crosses, row on row,


    That mark our place; and in the sky


    The larks, still bravely singing, fly


Scarce heard amid the guns below.


 


We are the Dead. Short days ago


We lived, felt dawn, saw sunset glow,


    Loved and were loved, and now we lie,


        In Flanders fields.


 


Take up our quarrel with the foe:


To you from failing hands we throw


    The torch; be yours to hold it high.


    If ye break faith with us who die


We shall not sleep, though poppies grow


        In Flanders fields.


 


John Mccrae


 


 


THE DEAD


 


These hearts were woven of human joys and cares,


      Washed marvellously with sorrow, swift to mirth.


The years had given them kindness. Dawn was theirs,


      And sunset, and the colours of the earth.


These had seen movement, and heard music; known


      Slumber and waking; loved; gone proudly friended;


Felt the quick stir of wonder; sat alone;


      Touched flowers and furs and cheeks. All this is ended.


 


There are waters blown by changing winds to laughter


And lit by the rich skies, all day. And after,


      Frost, with a gesture, stays the waves that dance


And wandering loveliness. He leaves a white


      Unbroken glory, a gathered radiance,


A width, a shining peace, under the night.


 


Rupert Brooke

28 junho 2018

won't you celebrate with me

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won't you celebrate with me


what i have shaped into


a kind of life? i had no model.


born in babylon


both nonwhite and woman


what did i see to be except myself?


i made it up


here on this bridge between


starshine and clay,


my one hand holding tight


my other hand; come celebrate


with me that everyday


something has tried to kill me


and has failed.


 


Lucille Clifton


através de O Som que os Versos Fazem ao Abrir

27 junho 2018

Extraordinário

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Habituei-me a lidar com a exigência, a pontualidade, as regras, a voz de comando. Aprendi as conversas, os livros, a necessidade de pensar e reflectir. Cresci a sentir a seriedade, o sentido do dever, do serviço, da obrigação, da superação.


 


A minha casa era o espelho do que julgava ser o mundo. Sempre a fazer mais e melhor, independentemente de qualquer necessidade ou mesmo esperança de reconhecimento, fazer o máximo como um dever. À medida que os anos passaram percebi que a minha casa não era a norma, nem um hábito generalizado. À medida que fui assumindo outras responsabilidades reconheci que a minha casa era, de algum modo, extraordinária.


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E ontem, mais uma vez, ao ouvir o que pessoas a quem tanto devemos diziam do meu pai, ao ver tanta gente a comover-se, a cumprimentá-lo e a agradecer-lhe o exemplo, ao ler o seu percurso descrito por pessoas estranhas à minha casa, posso assumir sem pudor que sou filha de um pai extraordinário.

24 junho 2018

A carruagem do Armistício

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Clairière de l'Armistice é o local onde se encontra uma réplica da carruagem de comboio onde foi assinada a rendição da Alemanha, na I Guerra Mundial, a 11 de Novembro de 1918 e onde também foi assinada a capitulação da França, na II Guerra Mundial, a 22 de Junho de 1940.


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Esta carruagem, no fim da I Guerra, foi colocada na zona onde está agora, não exactamente no mesmo sítio, tendo sido comprada pelo Governo Francês e restaurada para que fosse o símbolo vivo da vitória dos Aliados.


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Mas Hitler, vingando-se dos Franceses quando, em poucas semanas, esmagou a França, decidiu que a suprema humilhação destes e a suprema vitória dele seria obrigar a França a assinar a sua rendição precisamente na mesma carruagem e precisamente no mesmo sítio. Para isso foram demolidas as paredes do museu para a conduzir exactamente ao mesmo local.


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 Após a assinatura do Armistício de 1940, a carruagem foi transportada para Berlim.


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Em 1945, com o avanço das forças aliadas sobre Berlim, foi levada para a Turíngia, onde foi incendiada pelas SS por ordem de Hitler. A que vemos de novo na Clairière é uma carruagem adquirida novamente pelo governo francês, da mesma série da original (2419D), e recolocada com um museu adjacente.


 


Compiègne foi a última etapa. Tanto que ficou por ver, tanto que ficou por saber. As brumas adensam-se outra vez sobre a Europa. As crises da democracia, bem visíveis nos aproveitamentos populistas dos líderes de extrema direita, manipulando o medo do desemprego, e a insegurança, fazendo dos estrangeiros e dos refugiados o bode expiatório dos problemas económicos e do terrorismo, incentivando a xenofobia e o racismo, fazem temer uma nova ascensão das ditaduras, do nacionalismo e do racismo.


 


É essencial que nos lembremos do resultado dessas falácias e das manipulações que não são novas mas são sempre perigosas. É essencial que nos informemos e não cedamos ao medo. O conhecimento é o nosso melhor amigo.



La Madelon

Pays du coquelicot

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Aproximando-nos já a largos passos do fim desta espécie de peregrinação, fomos para Albert, uma cidade no departamento do Somme, que foi vastamente martirizada durante a I Guerra Mundial, precisamente na Batalha do Somme, uma ofensiva dos exércitos aliados, especificamente do Francês e do império Britânico, contra o Alemão. Iniciou-se a 1 de Julho e terminou a 18 de Novembro de 1916 e foi a mais sangrenta da Grande Guerra, com cerca de 1 milhão de homens mortos ou feridos. O primeiro dia da batalha foi ainda a mais mortífera para os ingleses, que perderam 57.470 homens, entre Albert e Bapaume.


 


Em todo o caminho vamos encontrando vários memoriais e monumentos que lembram episódios da guerra, inúmeros cemitérios de australianos, ingleses, etc.. Um deles, que ficava no local mais elevado da Batalha, onde se encontrava um moinho, lembrava a bravura e heroicidade dos australianos. 


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Noutro local presta-se homenagem ao Regimento do Newfoundland, um território pertencente ao Império Britânico que foi quase totalmente dizimado nesse primeiro dia da Batalha do Somme - 80% de mortos, feridos e desaparecidos, a maior parte deles nos primeiros 30 a 60 minutos de combate. Vimos ainda outro monumento que recorda a utilização de tanques, em Poizières. Uma enorme quantidade de memoriais, cemitérios e locais de homenagem em relação aos caídos no Somme.


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Chegados a Albert, num dia que começava a clarear, nada melhor que um café (que, convenhamos, poucos franceses sabem fazer) antes de nos aventurarmos pelo Musée Somme - 1916. Entrámos num café com aspecto simpático, decididos a beber um capuchino (deliciosa alternativa depois do meu companheiro se ter lembrado da iguaria). À porta dos toilettes um aviso importante e peculiar...


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... apenas porque 5 minutos não dá para grandes leituras, mas mesmo assim...


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... havia um confortável sofá para esperarmos, convidando a puxar de um livro.


 


Certos do grande amor pela literatura dos habitantes e visitantes de Albert, entrámos no museu do Somme. Depois de descermos para uma espécie de túnel subterrâneo, onde se encontrava um magote de adolescentes (ingleses) ruidosos de mais, assistimos primeiro a um filme de 15 minutos sobre a Batalha do Somme e os vários locais a visitar, para percorrermos depois uma espécie de trincheira onde se expunham várias cenas, muito bem montadas, sobre a vida dos militares nas trincheiras, com fardamentos, equipamentos, restos de armas e cacos de utensílios de todos os dias - higiene, saúde, alimentação, etc. - que dá uma ideia muito nítida do que deve ter sido aquele inferno e como se incorporava uma espécie de normalidade, inclusivamente com artesanato que os soldados faziam com os restos do metal das bombas, das balas, etc.


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Há ainda uma vitrine que lembra os feridos na face e os problemas de reconstituição cirúrgica e da evolução das próteses, através de fotografias de uma associação criada na altura pelo Coronel Picot - Union des Blessés de la Face et de la Tête ou, mais prosaicamente, Gueles casséesNo fim da "trincheira" pudemos ver o que tinha acontecido com o militar do qual nos tinham dado, à entrada, uma reprodução da sua carta militar. Tinha morrido, como tantos e tantos outros.


 


Ficámos alojados mesmo em frente à Catedral, num turismo de habitação muito simpático. O fim de tarde e a noite estavam tão fantásticos que jantámos na esplanada do "La Basilique". 


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Vim de lá com os olhos inundados de papoilas.



It's a long way to Tipperary

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...