17 junho 2018

Bayeux

Bayeux é uma cidade no departamento de Calvados, na Normandia, célebre pela sua tapeçaria. É uma cidade muito bonita e tivemos sorte com o tempo, que não estava frio nem demasiado quente. Depois de estacionar o carro, demos logo com a Boutique Coquelicot, engalanada por papoilas. Desde que soube que as papoilas se transformaram num símbolo da I Guerra Mundial, parece-me vê-las por todo o lado, despontando em qualquer campo por onde passo, assinalando a esperança e o renascimento. Fiquei imediatamente conquistada.


 


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Iniciámos a visita dos 3 museus pelo da Tapeçaria de Bayeux. Fiquei verdadeiramente abismada. Ao contrário do que esperava, a tapeçaria de Bayeux (uma peça de linho bordada a lã) tem 70 metros de comprimento e 50 cm de altura! Conta a história, como se fosse uma banda desenhada, da conquista do trono de Inglaterra a Haroldo por Guilherme o Conquistador, nomeadamente a batalha de Hastings (em 1066). Esta tapeçaria foi encomendada por Odo, Bispo de Bayeux e meio-irmão de Guilherme, e provavelmente confeccionada numa oficina de bordadoras profissionais. Pudemos contar com uma espécie de telemóvel, em português, para a explicação da história, cena por cena. A tapeçaria era exposta regularmente para a população a ver, tendo sofrido várias andanças e bolandas, nomeadamente durante a II Guerra Mundial, em que escapou a ser rapinada pelos alemães, como tantas outras obras de arte. De facto, extraordinária!


 


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Fiquei a saber ainda que a dentelle de Bayeux é uma espécie de renda de bilros, típica desta cidade.


 


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A seguir decidimos visitar o Museu Memorial da Baralha da Normandia. Como a cidade é pequena pensámos que os museus eram todos no centro, mas foi um loooongo engano, pois andámos quilómetros até lá chegar. Percorremos as salas do museu, onde se conta com pormenor o desembarque nas praias da Normandia, no dia 6 de Junho de 1944, o que aconteceu em cada uma delas – as americanas com os nomes de código Utah Beach e Omaha Beach (onde houve maiores baixas no desembarque); as inglesas com os nomes de código JunoGoldSword – e a resistência alemã, naqueles dias e nos meses posteriores, que levou a que apenas a 19 de Agosto os Aliados chegassem a Paris. Cá fora, um pouco afastado, o cemitério militar Britânico com campos cheios de lápides de militares mortos durante a II Guerra. Em cada lápide o nome, a idade e a força a que pertencia o morto. Quando não se chegou a uma identificação, a lápide tem as inscrições um soldado, ou um marinheiro, morto na II Guerra Mundial. E são bastantes.


 


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Não saímos de Bayeux sem comprarmos Calvados – uma aguardente de cidra ou pêra, e Pineau de Charentes, um aperitivo que tínhamos descoberto o ano passado mas sem o encontrar em lado nenhum.


 


Já um pouco moídos, dirigimo-nos a Utah Beach.


 



Germaine Sablon


Le Chant des Partisans

16 junho 2018

De Chartres a Caen

A cada um a sua peregrinação. Uma das minhas é a visita aos locais emblemáticos da II Guerra Mundial, tentando compreender porque aconteceu, o que se passou, como conseguiu o mundo vencer a ditadura criminosa de Hitler, o que se passou depois. Este ano a ideia era visitarmos os locais do desembarque das forças aliadas na Normandia – operação Overlord.


 


De Chartres a Caen, com uma chuva miudinha e um céu que não prometia nada de bom, o próprio gps estava em modo disfuncional, pelo que pedimos ajuda a um polícia. Este, depois de nos obrigar a repetir com ele Cãã, e de ele repetir de novo Cãã, e não Caen como nós pronunciávamos, apontou-nos um caminho muito rápido e fácil. Mas não era o correcto.


 


Dedicámos a tarde à visita ao Memorial de Caen, onde passámos cerca de 2 horas a visitar a exposição permanente, que se inicia com a explicação da ascensão das ditaduras após a I Guerra Mundial, a tomada de poder por Mussolini, Hitler e Estaline, a expansão alemã, as anexações meteóricas pela Alemanha dos países vizinhos, o pacto germano-soviético, as tentativas de paz de Chamberlain e, inexoravelmente, a guerra, após a invasão da Polónia. Todos os aspectos são tocados, também com recurso a filmes e documentários. Muito interessante e muito educativo.


 


Extraordinário ver fotografias de Caen na altura do desembarque. Ficou completamnete destruída, como muitas outras cidades por toda a Europa. Esta destruição foi essencialmente feita pelos bombardeamentos aéreos dos Aliados, para destruirem tudo o que os Alemães poderiam usar como meios de comunicação. E no entanto, agora nada se percebe. Estes anos que passaram acabaram também por apagar da memória das populações os horrores da guerra.


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O jantar foi perto do hotel, num restaurante que se chama Hyppopotamus. E, de facto, acredito que após algumas refeições lá, todos nos transformemos em hipopótamos. Pedimos uma tábua com queijos, presunto, paté, isto só para começar e para partilhar, o que valia quase pelo jantar inteiro. Tudo muito bom, complementado pela simpatia do rapaz que nos atendeu, que repetia hop e hopa com uma frequência alucinante.


 


Reservámos o dia seguinte a Bayeux e às praias do desembarque na Normandia.


De Paris a Chartres

Não, desta vez não me esqueci da carta de condução, estivemos às voltas no aeroporto à procura da empresa de aluguer de carros, a rapariga que nos atendeu tinha uma pronúncia cerrada mas lá conseguimos sair, sãos e salvos, em direcção a Chartres.


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Antes de entrar na cidade, pequena e um pouco escura, a catedral impõe-se, imponente, dominadora, avassaladora. Os vitrais são lindíssimos, embora não tenhamos tido a sorte os ver com a luz de um dia de sol. Mas valeu a pena. À volta da catedral há inúmeras galerias com obras em vidro e verdadeiros vitrais. Pululam os turistas, como nós. Há ainda um pequeno largo de onde se tem uma vista fantástica sobre a cidade.


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Durante a viagem sintonizámos uma rádio local (jazz) que passava, entre outras, In the Mood, de Glenn Miller. Estranhamente apropriado ao tema desta viagem.


12 junho 2018

En France, avec lui

C'est vrai, je serais en France, avec lui, toujours avec lui.


 



Douce France


Anne Sofie von Otter


Leo Chauliac & Charles Trenet


 


Il revient à ma mémoire


Des souvenirs familiers


Je revois ma blouse noire


Lorsque j'étais écolier


Sur le chemin de l'école


Je chantais à pleine voix


Des romances sans paroles


Vieilles chansons d'autrefois


 


Douce France


Cher pays de mon enfance


Bercée de tendre insouciance


Je t'ai gardée dans mon cœur!


Mon village au clocher aux maisons sages


Où les enfants de mon âge


Ont partagé mon bonheur


Oui je t'aime


Et je te donne ce poème


Oui je t'aime


Dans la joie ou la douleur


 


Douce France


Cher pays de mon enfance


Bercée de tendre insouciance


Je t'ai gardée dans mon cœur


Oui je t'aime


Et je te donne ce poème


Oui je t'aime


Dans la joie ou la douleur


 


Douce France


Cher pays de mon enfance


Bercée de tendre insouciance


Je t'ai gardée dans mon cœur


Je t'ai gardée dans mon cœur

"General Loureiro dos Santos - Biografia"

Convite Lancamento General Loureiro dos Santos - B 

10 junho 2018

Casa

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14 e 15 de Junho


 


 


Son tus brazos los muros


y tus labios el techo


de la casa segura


donde está mi alegria.


 


Tú abres las puertas, entro,


me refugio y me entrego,


mi dicha y yo volvemos


a encontrarnos, perplejas.


 


Y cada vez es la primera vez.


 


Amalia Bautista


Falsa Pimienta


Editorial Renacimiento


2013

03 junho 2018

Exame prévio

As mulheres são diferentes dos homens. São biologicamente diferentes pelo que é natural e espectável que tenham comportamentos diferentes.


 


A igualdade de género é um assunto muito sério, que precisa de políticas activas e urgentes, para que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens, que possam ter as mesmas ambições, pessoais e profissionais, que possam escolher, livremente e em igualdade de circunstâncias, o que querem fazer da sua vida, que vejam reconhecidas as suas funções e os seus méritos da mesma forma e com as mesmas remunerações que os homens.


 


Vem isto a propósito da polémica em relação ao filme da campanha anti tabágica que usa o sentimento de culpa de uma mãe que está a morrer com cancro do pulmão, em relação à sua filha, e à mensagem que quer passar – será sempre a sua princesa e as princesas não fumam.


 


O tabagismo tem tido uma redução percentual na população masculina enquanto aumenta na feminina, predominantemente entre as mulheres jovens. Uma das maiores preocupações das mulheres jovens com cancro, qualquer que ele seja, é os filhos, de como vão reagir, o medo de os deixar sem a sua protecção, de não os ver crescer.


 


As campanhas anti tabágicas são sempre baseadas no medo e na culpa, aliás tal como qualquer campanha que queira criticar comportamentos – anti-açúcar, anti-gorduras, etc. No caso do tabaco não só é explorada a culpa própria mas também a culpa por causar doença nos fumadores passivos.


 


As crianças imitam os adultos e têm os pais como referência. Na generalidade dos casos as filhas olham para as mães e imitam-nas, tal como os filhos olham para os pais, imitando-os. A campanha usa precisamente o papel de modelo da mãe - o mau exemplo - e a culpa da mãe - não estarei cá por minha culpa e se tu fumares a culpa também é minha. Quanto à princesa - uma banalidade nas expressões usadas entre mães e filhas - pode ser utilizada como símbolo de um comportamento exemplar.


 


Podemos achar a campanha pirosa e excessiva – eu até acho, tal como a campanha que usa imagens chocantes nos maços de cigarro. Mas transformá-la numa bandeira para a luta contra a desigualdade de género parece-me totalmente disparatado. É até assustadora a existência de uma polícia de palavras, de imagens, de conteúdos, de intenções. Não tarda temos uma comissão para o Exame Prévio!


 


A banalização deste tipo de críticas acaba por desvalorizar a real necessidade de denúncia contra todas as situações que perpetuam a desigualdade de género. Isso é que é intolerável.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...