17 novembro 2017

Ainda bem que não pararam

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Não sabia o que me esperava, nunca sei. Mas tenho sempre a absoluta certeza de que valerá a pena, quando vou assistir a um espectáculo do Meridional. E este, que comemora os 25 anos de uma carreira excepcional, prometia reflexão – DEVÍAMOS ter parado.


 


Quando acabou, as mais fortes sensações que me ficaram foram as de deslumbramento por um espectáculo belíssimo, e uma grande interrogação sobre tudo o que vi.


 


Esta não é uma peça de texto escrito ou falado, é uma peça de texto mímico e sensorial, em que o que se passa no palco conta uma história diferente para cada um dos espectadores. Aliás quem faz a história é cada um de nós, sendo os actores, a cenografia, a música, tudo, provocações de uma coisa que parece totalmente desligada e desconexa, mas que é uma forma de nos mantermos em interrogação permanente, de adaptarmos o que vamos vendo aos nossos percursos de vida. As personagens vestem e despem continuamente roupagens, que os fazem diferentes. Umas vezes experimentam, como se medissem as consequências, outras fazem-no rápida, repetida e atabalhoadamente, atropelando-se pelas mesmas roupas, outras normalizam-se e adquirem um tom executivo, assertivo e apressado, agressivo e devorador, outras ainda acabam por preferir a própria pele sem adereços, mergulhando numa posição quase fetal e isolada, à parte, como se se auto marginalizassem.


 


E por vezes encontram-se, como na cena em que duas actrizes têm vestido iguais, se movem da mesma maneira e olham espantadas à sua volta, meio crianças, meio bonecas, de mãos dadas. Por vezes encontram-se, como as que caiem nos braços uma da outra, como se desistissem e se amparassem mutuamente. Por vezes encontram-se, como se descobrissem o amor. Por vezes encontram-se, como se pudessem substituir ou acrescentar pormenores uns aos outros, adaptando-se a circunstâncias extremas.


 


E há algumas revoltas isoladas e inconsequentes, como a vontade de cantar de uma personagem que lembra as bailarinas da Paula Rego, que não sabe “o que querem que faça” e desafia “quem quer” com uma voz poderosa, há alguns desesperos, há um guarda-chuva que faz rir, um espelho que roda vagarosamente numa interpelação directa (somos nós que ali estamos), alguém que se passeia com nariz de palhaço e flores, murmurando palavras como silêncio e pausa.


 


A última cena é indescritível de bela. A música, as vozes, a luz, a melancolia, tudo misturado com a sensação de que não percebemos nada de nada, nada do que passámos, do que vivemos, do que somos, e ao mesmo tempo que, apesar de tudo, aquilo é connosco. Que, apesar de tudo, continuamos a procurar a nossa própria personagem, individual e colectiva.


 


Seria isto o que o Meridional pretendia? Penso que cada um fará uma interpretação diferente.


 


Mais uma vez estão todos de parabéns. Não percam, mesmo.

11 novembro 2017

His Eye Is On The Sparrow


Ethel Waters


 


Why should I feel discouraged, why should the shadows come,


Why should my heart be lonely, and long for heaven and home,


When Jesus is my portion? My constant friend is He:


His eye is on the sparrow, and I know He watches me;


His eye is on the sparrow, and I know He watches me.


 


I sing because I'm happy,


I sing because I'm free,


For His eye is on the sparrow,


And I know He watches me.


 


"Let not your heart be troubled," His tender word I hear,


And resting on His goodness, I lose my doubts and fears;


 Though by the path He leadeth, but one step I may see;


His eye is on the sparrow, and I know He watches me;


His eye is on the sparrow, and I know He watches me.


 


I sing because I'm happy,


I sing because I'm free,


For His eye is on the sparrow,


And I know He watches me.


 


 Whenever I am tempted, whenever clouds arise,


When songs give place to sighing, when hope within me dies,


I draw the closer to Him, from care He sets me free;


His eye is on the sparrow, and I know He watches me;


His eye is on the sparrow, and I know He watches me.


 


I sing because I'm happy,


I sing because I'm free,


For His eye is on the sparrow,


And I know He watches me.

Dream deferred

 



 


What happens to a dream deferred?


 


Does it dry up


Like a raisin in the sun?


Or fester like a sore--


And then run?


Does it stink like rotten meat?


Or crust and sugar over--


like a syrupy sweet?


 


Maybe it just sags


like a heavy load.


 


Or does it explode?


 


Langston Hughes

10 novembro 2017

The Negro Speaks of Rivers


 


 


 


I've known rivers:


I've known rivers ancient as the world and older than the


flow of human blood in human veins.


 


My soul has grown deep like the rivers.


 


I bathed in the Euphrates when dawns were young.


I built my hut near the Congo and it lulled me to sleep.


I looked upon the Nile and raised the pyramids above it.


I heard the singing of the Mississippi when Abe Lincoln


went down to New Orleans, and I've seen its muddy


bosom turn all golden in the sunset.


 


I've known rivers:


Ancient, dusky rivers.


 


My soul has grown deep like the rivers.


 


Langston Hughes

Do anedotário nacional (3)

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