Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Aqui está uma bela ideia, que poderia ser copiada por muitos outros: um supermercado alemão retirou todos os produtos não alemães das prateleiras para combater o racismo e a xenofobia.
Pelo que me lembro, as previsões do governo eram de um crescimento de 1,8%, que tem sido superado trimestre a trimestre. Aquém de Marques Mendes? A desvergonha do PSD não tem fim.
Depois de 4 anos sem me mexer, ou seja a mexer-me alguns passos da cama para a cadeira, da cadeira para o carro, do carro para a cadeira, e assim sucessivamente, com o aumento de peso correspondente apesar das mais draconianas dietas, entortada e encarquilhada por anos de inactividade e rarefacção óssea concomitante, associados à média idade que já cá chegou, fui obrigada por uma colega muito simpática e muito assertiva a iniciar o calvário do exercício físico.
Claro que para uma matrona como eu, do século XXI, só mesmo com um PT (personal trainer), novos arautos da beleza e bem-estar, indispensável profissão de futuro, e muito trendy (na moda, da última moda, moderno, badalado, inovador, em voga, actual). Rendida e convencida, procurei o mais perto de casa que pude um ginásio (ou catedral do fitness); foi-me atribuída uma PT que me avaliou. Logo nessa avaliação, sem saber muito bem como, uma máquina que nos pesa e deita cá para fora as percentagens de gordura, tecido ósseo, água e metabolismo, fiquei a saber que o meu estava ao nível do das septuagenárias. Além disso iniciou-se logo um duelo amigável sobre dietas glúten-free e lactose-free e... tudo-free.
Nunca imaginei que o meu estado de depauperamento físico fosse tão desmesurado. Dobrar-me, equilibrar-me, fazer abdominais, pranchas, step, lunges e sei lá o que mais, intervalando com uns segundos para bebericar uns golos de água e recuperar o fôlego (acho que já preguei uns valentes sustos à PT, que me obrigou a comprar uma geringonça para medir a frequência cardíaca). Confesso que me sinto uma alma presa numa cela de carne e osso, mole e gigantesca, que primeiro que se mova, levante, dobre, estique, é o cabo dos trabalhos.
Acho que tive sorte com a PT. Apesar de franzina e incondicional e fervorosa adepta da alimentação sem pão, sem leite, sem queijo, sem iogurtes (não investiguei ainda o que mais inflama os meus interiores), é delicada, simpática e assertiva, estando sempre pronta a inventar novas torturas, mas com o apoio certo, sempre que necessário.
Mas há esperança: a propósito dos Campeonatos Mundiais de Atletismo que ontem terminaram, fiquei a saber que há tabelas de recordes por idades, para 100m, 200m, 400m, 800m, (…) e maratonas (50 Km). E há um indivíduo que tem vários recordes absolutos de todas estas distâncias aos 100 anos.
Quem sabe se daqui a 34 anos não figurarei também como recordista da maratona feminina aos 90 anos? Querer é poder. Principalmente se passar a alimentar-me de ervas e de sementes e fizer muitos lunges até lá.
Há pouco vi uma ligação que alguém colocou, no facebook, de uma gravação de Casta Diva cantada por Maria Callas. Fui ouvi-la, assim como a variadíssimas interpretações da mesmíssima ária da ópera de Vicenzo Bellini, antes de ir pesquisar exactamente o que dizia Norma, assim como a sinopse da história (libreto de Felice Romani).
Transcrevo aqui a letra no original e a sua tradução em inglês. Norma é uma Grande sacerdotisa da Gália, na época da ocupação romana (50 AC); os Druidas vêm pedir-lhe a sua autorização (a sua bênção) para se revoltarem contra os ocupantes, mas Norma convence-os de que não chegou ainda a altura de fazer, movida pelo seu amor secreto, que era Romano. Casta Diva é uma prece que Norma dirige à Lua, para que acalme os espíritos revoltosos dos Druidas, confessando o seu amor e dizendo que tudo fará para o proteger.
De todas as interpretações que ouvi a que mais me agradou foi a de Cecilia Bartoli, em que a excelência da voz se une à delicadeza de quem reza e de quem sofre por amor.
Casta Diva, che inargenti O pure Goddess, who silver
queste sacre antiche piante, These sacred ancient plants,
a noi volgi il bel sembiante Turn thy beautiful semblance on us
senza nube e senza vel... Unclouded and unveiled...
Tempra, o Diva, Temper, o Goddess,
tempra tu de cori ardenti The brave zeal
tempra ancora lo zelo audace, Of the ardent spirits,
spargi in terra quella pace Scatter on the earth the peace
che regnar tu fai nel ciel... Thou make reign in the sky...
Fine al rito: e il sacro bosco Complete the rite : and the sacred wood
Sia disgombro dai profani. Be clear of the laity.
Quando il Nume irato e fosco, When the irate and gloomy God
Chiegga il sangue dei Romani, Asks for the Roman’s blood
Dal Druidico delubro My voice will thunder
La mia voce tuonerà. From the Druidic temple.
Cadrà; punirlo io posso. He will fall; I can punish him
(Ma, punirlo, il cor non sa. (But my heart is unable to do so).
Ah! bello a me ritorna (Ah! Return to me beautiful
Del fido amor primiero; In your first true love;
E contro il mondo intiero... I’ll protect you
Difesa a te sarò. Against the entire world.
Ah! bello a me ritorna Ah! Return to me beautiful
Del raggio tuo sereno; With your serene ray;
E vita nel tuo seno, I’ll have life, sky
E patria e cielo avrò. And homeland in your heart.
Ah, riedi ancora qual eri allora, Ah, return again as you were then,
Quando il cor ti diedi allora, When I gave you my heart then,