Está vazio o teu peito No lugar
do coração talvez um ataúde
ou nem isso uma sombra
igual a essa noite onde procuras
o mar o imenso mar e só encontras
sede
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Está vazio o teu peito No lugar
do coração talvez um ataúde
ou nem isso uma sombra
igual a essa noite onde procuras
o mar o imenso mar e só encontras
sede
O infindável caso da entrega das declarações de rendimentos e património dos administradores da CGD ao Tribunal Constitucional, do eventual compromisso do Ministério das Finanças em dispensá-los de tal obrigação, o folhetim das várias lateralidades indignadas, à esquerda pelo facto de ser impensável fugir ao escrutínio público, à direita pelo não cumprimento de promessas escritas, não me parece ser uma coincidência.
Convém esclarecer desde já que não consigo compreender como é possível, num país em que o rendimento líquido médio mensal é de 838 euros, haja alguém a receber por mês muito mais do que a média dos cidadãos recebem por ano, por muito competente que seja no seu trabalho. E não me venham explicar que no sector privado é isso que se aufere porque isso não pode justificar uma tão grande desigualdade salarial.
Mas a verdade é que todo este frenesim tem apenas o objectivo de atingir politicamente Mário Centeno. Ficámos a saber, pela mesma imprensa que tanto tem atacado a administração da CGD, que os anteriores presidentes da Administração entregaram, de facto, as declarações de rendimentos e de património, mas em branco ou com informações incompletas. E mais ainda, é que nada aconteceu: o Tribunal Constitucional não fez rigorosamente nada e os nossos jornalistas de investigação, colunistas, opinadores, comentadores e políticos encartados, nunca tiveram qualquer curiosidade em perscrutar as ditas declarações públicas, pois só agora se aperceberam disso.
Ou seja, tudo isto é de uma hipocrisia sem nome. E não me parece coincidência porque os ataques políticos têm atingido vários ministros, chegando agora a vez de Mário Centeno.
(...) Alguém que quer, através da prática clínica, impor aos outros, insensível ao sofrimento que causa e louvando-o até como "redenção", as suas crenças religiosas, não deve ter licença para o fazer. É para isso que servem as leis e as ordens profissionais: para garantir que ninguém usa o poder que lhe é conferido por uma certificação oficial para subverter a sua missão, infringindo direitos fundamentais e incentivando discriminações que a Constituição interdita. Porque está errado. Porque é maldoso. Porque destrói vidas. Não está em causa calar Maria José Vilaça: pode subir a púlpitos, escrever artigos, dar entrevistas, ir à TV pregar a sua visão do mundo e dos homossexuais. Mas não como psicóloga. Porque isso, sim, é uma total anormalidade.
Temos muitos canais de televisão, a enorme maioria deles desinteressantíssimos.
Os de informação têm alinhamentos noticiosos idênticos, sem rasgos nem diferenças, com os mesmos comentários e comentadores. Os de cinema repetem os mesmos filmes indefinidamente. Os de séries são todos iguais. E há uma plétora generalizada de debates futebolísticos verdadeiramente ridículos, e de programas de comida com uma multiplicidade de chefes que praticam uma culinária cada vez mais divorciada da alimentação dos comuns mortais.
No entanto há alguns oásis de que nos apercebemos quase por acaso, como o Visita Guiada, de Paula Moura Pinheiro, que já vai na sexta temporada.
Em episódios de cerca de 30 minutos, Paula Moura Pinheiro leva-nos a visitar quadros, peças de arte, mosteiros, altares, igrejas, bibliotecas, jardins, onde tudo é devidamente enquadrado e acompanhado por alguém que explica e conta a história do que estamos a ver, levando-nos a conhecer e a compreender a época, o artista, o acontecimento.
De uma elegância contida e de uma sobriedade sem solenidade, Paula Moura Pinheiro consegue interessar os espectadores sem falsas erudições nem condescendências com o popularucho ou discursos facilitistas, percorrendo o País e os seus vários tesouros, mais ou menos desconhecidos.
Felizmente podemos ver e rever os programas na RTP Play. Muitos parabéns a toda a equipa que o pensa, produz e realiza.
Pose
Lá fora soam passos entre o nevoeiro.
Volto a cabeça atentamente
mas não me importam os passos nem o nevoeiro nem a cabeça
nem os sucessivos segundos que transcorrem entre o voltar da cabeça e o piscar dos olhos
entre uma gota desfeita no ar e o peso da gota nos cabelos.
Ouça as rodas do pensamento mais alto que os passos que o nevoeiro conserva
indentado e arrastado de sucessivas voltas no fechar da luz
que se coa por entre as gotas que pesam nas mãos dentro dos bolsos
tão afundadas e presas como a cabeça que conta os sucessivos passos
de quem desatento atravessa o espaço do meu mundo
reduzido à dimensão do nevoeiro em que se transforma o que volta à minha cabeça.
Emptiness
Vamos confinando o espaço do corpo que encolhe
ao canto do universo em expansão que nos acolhe
como infinito é o tempo que se retrai e se recolhe
nas sobras desta vida que se vive e não se escolhe.
A literatura não tem que estar confinada nem rotulada. Os grandes temas são afinal aqueles que nos fazem estalar o coração, sejam eles as liberdades colectivas ou o mais puro e egoísta sentimento de paixão e posse. Leonard Cohen é mais um exemplo de que um escritor pode ser cantor e músico, tal como um músico como Bob Dylan pode ser cantor e escritor.
Leonard Cohen atravessou gerações e as suas canções são poemas com melodias intemporais. Não sei se canta se declama, mas também não me interessa nem importa. Quem assim viveu é como se fosse quase imortal, porque continua a fazer-nos companhia, a seduzir-nos e a ensinar-nos o mundo.
Steer your way through the ruins
Of the altar and the mall
Steer your way through the fables
Of creation and the fall
Steer your way past the palaces
That rise above the rot
Year by year
Month by month
Day by day
Thought by thought
Steer your heart past the truth
You believed in yesterday
Such as fundamental goodness
And the wisdom of the way
Steer your heart, precious heart
Past the women whom you bought
Year by year
Month by month
Day by day
Thought by thought
Steer your path through the pain
That is far more real than you
That smashed the cosmic model
That blinded every view
And please don’t make me go there
Tho’ there be a god or not
Year by year
Month by month
Day by day
Thought by thought
They whisper still, the ancient stones
The blunted mountains weep
As he died to make men holy
Let us die to make things cheap
And say the Mea Culpa which you’ve probably forgot
Year by year
Month by month
Day by day
Thought by thought
Steer your way, o my heart
Tho’ I have no right to ask
To the one who was never
Never equal to the task
Who knows he’s been convicted
Who knows he will be shot
Year by year
Month by month
Day by day
Thought by thought
They whisper still, the ancient stones
The blunted mountains weep
As he died to make men holy
Let us die to make things cheap
And say the Mea Culpa which you gradually forgot
Year by year
Month by month
Day by day
Thought by thought
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...