No espelho da água
os contornos da figura
e o pó da neblina desdobra a manhã.
No olhar fixo que interroga
a dúvida persiste
e para sempre perdura.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
No espelho da água
os contornos da figura
e o pó da neblina desdobra a manhã.
No olhar fixo que interroga
a dúvida persiste
e para sempre perdura.
Jacob and the Angel
Sir Jacob Epstein
São de Verão, mas poderiam ser de qualquer outra estação.
Não sei bem porque ainda vou escrevendo alguma coisa. A total irrelevância do que escrevo deveria ensinar-me a resoluta opção pelo silêncio. Aquilo a que chamo poesia talvez só o seja para mim; os arroubos de cidadania não têm qualquer impacto, a partilha de opiniões são-no apenas para um círculo muito restrito que não necessita de ler o blogue. Porquê esta necessidade de protagonismo mediático? Nem é protagonismo nem é mediático. Suspeito que seja apenas triste e ligeiramente ridículo.
O Palácio Nacional da Ajuda - o seu projecto, construção, readaptação de projecto, etc. - é um bom retrato da forma como o País funciona. Quando as idades passam a ser mais avançadas, a tendência para vermos degradação e laxismo nas novas gerações é cada vez maior. Mas basta um pequeno conhecimento, mesmo que escasso e limitado, da nossa História, e percebemos que sempre fomos feitos da mesma massa, e que os pendentes arrastados e seculares são um princípio, um meio e um fim, uma mistura de incúria, lentidão, arrojo, capacidade de adaptação e de ultrapassagem de dificuldades, económicas e outras, megalomania e realismo.
O Palácio Nacional da Ajuda, projectado para residência real no rescaldo do terramoto de 1755, foi erigido como Real Barraca que, como é hábito entre nós, foi um palácio provisório por 33 anos, tendo sido destruído por um incêndio. Depois, entre projectos barrocos e reprojectos neoclássicos, invasões francesas e mortes reais, o Palácio vai sendo construído durante anos e anos, mais ou menos habitado e utilizado até ao reinado de D. Luís, altura em que foi (de novo) adaptado ao Rei e, sobretudo, à Rainha D. Maria Pia.
A visita ao Palácio dá-nos um vislumbre da vida doméstica de D. Luís, D. Mia Pia e da sua descendência, com os aposentos da Rainha e do Rei, a sala de bilhar, a sala da música, os quartos de dormir, as ante câmaras, as salas onde o Rei despachava, recebia os dignitários nacionais e estrangeiros, etc. Ainda hoje alguns aposentos são usados, nomeadamente para banquetes de Estado e para cerimónias de investidura de governos, tanto quanto percebi.
O Palácio precisa de obras e de cuidados de manutenção, como tantos outros palácios, museus e galerias, património arquitectural periclitante e a esboroar-se, parte da nossa memória colectiva. Por vezes vêem-se placas para que fiquemos a conhecer os mecenas - a GALP, o Millenium BCP - que financiaram alguma da reabilitação.
Outro dos motivos para a visita é a exposição (até ao fim deste mês) de pintura romena entre 1875 e 1945, constituída por quadros da Colecção Bonte, para mim uma revelação, primeiro por total desconhecimento da pintura romena e porque as obras são muitíssimo interessantes.
Aqui está como a desinformação e manipulação informativas já fizeram escola.
Em abono da seriedade jornalística é bom que se reponha a verdade dos factos:
1.
E se perder
não terei que mostrar nos olhos e na boca
o peso indizível dos ganhadores.
2.
Arrasto a pele e cubro de areia
os montes vazios em que me transformei.
3.
E se perder
já a lua alisará o mar
e a alma minguante secará em tempos desiguais.
... que começa esta série na RTP 2.
A não perder. E assim terei a oportunidade de ver a série 2. Muito, muito bom!
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...