15 agosto 2016

La vie en rose


Richard Galliano & Sylvain Luc

Curtíssimas

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Jacob and the Angel


Sir Jacob Epstein


Tate


 


São de Verão, mas poderiam ser de qualquer outra estação.


 



  • O palavreado dos nossos políticos/ figuras públicas é cada vez mais vulgar - a lengalenga dos comentadores é sempre a mesma, os assuntos repetem-se ciclicamente nesta época, a aridez e a secura informativa queimam tudo.

  • É impressionante a desfaçatez, também eterna, das exigências de medalhas olímpicas a atletas e a modalidades de que ninguém fala durante os 4 anos de intervalos inter olimpíadas. Quanto à importância da participação independentemente do pódio, já não se disfarça a culpabilização de não se fazer parte da percentagem dos vencedores.

  • É uma pena que as experiências anteriores não ensinem nada - os secretários de estado que viajaram a expensas da GALP já se deveriam ter demitido. Independentemente dos contornos criminais que a conduta possa configurar, é uma ponta solta para o ataque político a que o governo não se pode dar ao luxo.

  • Tenho a sensação de que a Procuradoria-Geral da República abre inquéritos ao arrasto do ruído mediático.

  • Já todos sabemos que a apresentação de imagens e filmes de fogo vivo excitam e motivam os pirómanos, tal como a multiplicação mediática dos corpos e das chacinas perpetradas pelos criminosos e terroristas apenas servem para propagar o medo, mas não há o menor vislumbre de um sobressalto de consciência e de sensatez da parte das televisões que, pelo contrário, rivalizam entre si medindo os minutos dedicados à exposição das chamas, dos desgraçados que perderam tudo, do desespero das populações - a tudo isto chamam o direito à informação.

  • A informação veiculada pelos jornais está cada vez mais ao nível da que usufruímos ao ler as opiniões e as partilhas requentadas do facebook.


 


Não sei bem porque ainda vou escrevendo alguma coisa. A total irrelevância do que escrevo deveria ensinar-me a resoluta opção pelo silêncio. Aquilo a que chamo poesia talvez só o seja para mim; os arroubos de cidadania não têm qualquer impacto, a partilha de opiniões são-no apenas para um círculo muito restrito que não necessita de ler o blogue. Porquê esta necessidade de protagonismo mediático? Nem é protagonismo nem é mediático. Suspeito que seja apenas triste e ligeiramente ridículo.

14 agosto 2016

Palácio Nacional da Ajuda

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O Palácio Nacional da Ajuda - o seu projecto, construção, readaptação de projecto, etc. - é um bom retrato da forma como o País funciona. Quando as idades passam a ser mais avançadas, a tendência para vermos degradação e laxismo nas novas gerações é cada vez maior. Mas basta um pequeno conhecimento, mesmo que escasso e limitado, da nossa História, e percebemos que sempre fomos feitos da mesma massa, e que os pendentes arrastados e seculares são um princípio, um meio e um fim, uma mistura de incúria, lentidão, arrojo, capacidade de adaptação e de ultrapassagem de dificuldades, económicas e outras, megalomania e realismo.


 


O Palácio Nacional da Ajuda, projectado para residência real no rescaldo do terramoto de 1755, foi erigido como Real Barraca que, como é hábito entre nós, foi um palácio provisório por 33 anos, tendo sido destruído por um incêndio. Depois, entre projectos barrocos e reprojectos neoclássicos, invasões francesas e mortes reais, o Palácio vai sendo construído durante anos e anos, mais ou menos habitado e utilizado até ao reinado de D. Luís, altura em que foi (de novo) adaptado ao Rei e, sobretudo, à Rainha D. Maria Pia.


 


A visita ao Palácio dá-nos um vislumbre da vida doméstica de D. Luís, D. Mia Pia e da sua descendência, com os aposentos da Rainha e do Rei, a sala de bilhar, a sala da música, os quartos de dormir, as ante câmaras, as salas onde o Rei despachava, recebia os dignitários nacionais e estrangeiros, etc. Ainda hoje alguns aposentos são usados, nomeadamente para banquetes de Estado e para cerimónias de investidura de governos, tanto quanto percebi.


 


O Palácio precisa de obras e de cuidados de manutenção, como tantos outros palácios, museus e galerias, património arquitectural periclitante e a esboroar-se, parte da nossa memória colectiva. Por vezes vêem-se placas para que fiquemos a conhecer os mecenas - a GALP, o Millenium BCP - que financiaram alguma da reabilitação.


 


Outro dos motivos para a visita é a exposição (até ao fim deste mês) de pintura romena entre 1875 e 1945, constituída por quadros da Colecção Bonte, para mim uma revelação, primeiro por total desconhecimento da pintura romena e porque as obras são muitíssimo interessantes.


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13 agosto 2016

Da desinformação doméstica

Aqui está como a desinformação e manipulação informativas já fizeram escola. 


 


Em abono da seriedade jornalística é bom que se reponha a verdade dos factos:



  • A hora não era assim tão matinal: eram 09:00h.


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  •  A Edna não estava a par das tardias horas de repouso do amantíssimo esposo.


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  •  O carinhoso pequeno almoço está suspenso até à necessária retratação.


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11 agosto 2016

E se perder

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Maki Haku


 


1.


E se perder


não terei que mostrar nos olhos e na boca


o peso indizível dos ganhadores.


 


2.


Arrasto a pele e cubro de areia


os montes vazios em que me transformei.


 


3.


E se perder


já a lua alisará o mar


e a alma minguante secará em tempos desiguais.


 

31 julho 2016

É já amanhã...

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... que começa esta série na RTP 2.


 


A não perder. E assim terei a oportunidade de ver a série 2. Muito, muito bom!

29 julho 2016

E quais as conclusões políticas?

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Christine Lagarde


 


Afinal parece que as pessoas e os partidos que defendem e sempre defenderam uma reestruturação da dívida têm e tinham razão.


 


Quais vão ser as consequências? É agora que se vai avançar para a reestruturação da dívida? É agora que finalmente a Comissão Europeia vai fazer marcha atrás em relação à política que impôs nos últimos anos?


 


E se começássemos a falar de impostos mais progressivos para que quem mais tem seja quem mais pague? E se começássemos a falar da taxa Tobin? E se começássemos falar da redução dos horários de trabalho, não para 35h mas para 30h por semana, no público e no privado? E se começássemos a falar da renovação geracional dos quadros? E se começássemos a falar do aumento de emprego que isso significaria com a consequente melhoria na qualidade de vida, aumento da participação contributiva, perspectiva e segurança de emprego, para que as gerações que esperam indefinidamente a sua vez possam não ter que adiar cada vez mais a vontade de serem independentes, responsáveis, cidadãos activos, fundarem famílias, terem filhos? E se começássemos a pensar em investir na cultura, apostar na música como um elemento fundamental na educação e desenvolvimento das crianças e adolescentes?


 


E se retomássemos a ideia de procurar financiamentos para suprir as necessidades dos cidadãos em vez de as reduzirmos ao dinheiro existente? Não é assim que os empreendedores fazem? Não é isso o empreendedorismo?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...