10 setembro 2015

É esta a nossa riqueza

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 Júlio Pomar


 


Um país todo inteiro como uma galeria de arte.


 


O mar que nos abraça, a costa a que nos aportamos, os montes que estão para lá e para cá, as planícies alentejanas, as ilhas, os calhaus esculpidos por todos os que aqui chegaram e ficaram, as casas caiadas de branco e as rígidas de granito, a luz das cidades, o silêncio da terra, as gentes de madeira e erva, engelhadas e adormecidas, resignadas e aventureiras, os velhos e os novos, pescadores e cientistas, pintores e poetas, o fado e as guitarras, as vozes e as revoltas, os sabores de norte a sul, do aconchego das sopas às tentações conventuais, a segurança da tradição e a centelha da liberdade.


 


Um país todo inteiro como uma galeria de arte.

Se alguém tinha dúvidas...

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... o debate foi esclarecedor: António Costa tem estatura e capacidade para ser o próximo Primeiro-ministro. Só falta irmos todos às urnas, a 4 de Outubro, afirmar isso mesmo.


 


Passos Coelhos foi mais do mesmo, com a crispação e o nervosismo de quem defende o indefensável. Foi patética a forma como arrastou o nome de Sócrates mais que uma vez, e até conseguiu ir buscar o Syriza. Foi patética e desavergonhada a permanente mentira.


 


Só tenho pena de não ter havido mais indignação em António Costa. Porque é o que estamos todos, indignados com as mentiras e volte-faces da coligação - desde a austeridade como programa de governo que revigoraria o país pecador, até às oportunidades do desemprego e da emigração, que agora se transformaram em responsabilidades socialistas, tudo valeu e tudo vale.


 


Cabe-nos agora decidir.


 


Em Outubro, numa urna perto de si - votar pela mudança, pela dignidade e pela esperança.

09 setembro 2015

Em Outubro, nas mesas de voto (2)

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Inaugurou-se uma nova forma de manipulação: para além dos programas que nos explicam quem ganhou e quem perdeu os debates televisivos há agora aqueles que nos ensinam o que vamos ver e ouvir, mesmo antes de acontecerem.


 


Portanto já todos estamos cientes que António Costa é que tem que demonstrar que tem propostas, ser desafiador, contido, informado e preparado, bastando a Passos Coelho defender-se. Já se decidiu quem vai ganhar o debate.


 


Por outro lado são publicadas as sondagens que não só dão a vitória à coligação PAF como o fazem por larga margem e denunciam a maior popularidade de Passos Coelho em relação à de António Costa. Ou seja, a coligação já ganhou, nem vale a pena duvidar, nem vale a pena ir votar.


 


Se, de facto, as eleições derem a vitória ao PSD ou uma vitória escassa ao PS, confesso a minha total perplexidade. Não compreendo como é possível os cidadãos terem interiorizado que é esta a vida que merecem, que é este o país a que têm direito, que são estes os governantes que lhes cabem. É que não basta não ver em António Costa uma boa alternativa, é preciso querer que se mantenha esta governação e esta maioria.


 


Se, de facto, a coligação vencer as próximas eleições legislativas, confesso a minha total ausência de conexão com a realidade, a minha incapacidade para perceber os meus concidadãos.


 


No entanto as eleições ainda não aconteceram. E, por muito que nos tentem convencer que nem vale a pena irmos votar, mais importante do que as percentagens de cada força política é a afluência às urnas. Seja quem for que vença que o faça com um voto maciço para que possa usar essa vitória não só com a legitimidade que as eleições lhe dão mas, principalmente, com a afirmação da esmagadora maioria do eleitorado.


 


Que ninguém se demita da sua responsabilidade. Não são apenas os governantes que vão a votos, somos todos nós.

07 setembro 2015

A pouco recomendável coligação retrógrada

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A marcação de jogos de futebol no dia das eleições é pouco recomendável.


 


Tudo tem sido muito pouco recomendável, de há 4 anos a esta parte - a actuação do governo, a irrevogabilidade de Portas, o colossal ministro das Finanças, a revolta do pastel de Belém, o nosso inexcedível Professor de Economia que ocupa o mais alto cargo da Nação, os jornalistas que se trocaram por mexeriqueiros incompetentes, a imparcialidade dos comentadores, a miséria medíocre e mesquinha das nossas elites, os jornais, a deseducação do Ministro Crato, o assistencialismo caritativo, a venda a patacos do Estado e dos serviços públicos.


 


Estamos todos a recomendar-nos outro País, outra capacidade de confiar, outra esperança no futuro. Precisamos de nos recomendar mais resistência, mais e maior força para chegar a 4 de Outubro. Desistir não é opção.


 


Para que possamos derrotar estes representantes pouco recomendáveis, que transformaram o nosso mundo num lugar pouco recomendável e nos recomendam que continuemos e que gostemos.


 


Não vale a pena compararmos António Costa a António José Seguro, como não vale a pena compararmos António Costa a Passos Coelho ou a Paulo Portas - não têm comparação possível.


 


Recomendemo-nos combater esta direita que nos encomenda as almas ao purgatório ressuscitada em 2011 ao ganhar as eleições. Não nos deixemos desanimar pela campanha de desinformação que nos enterra. A 4 de Outubro vamos votar e voltar a acreditar que há uma alternativa à pobreza, à descrença, à modorra assassina dos retrógrados.

06 setembro 2015

Triste, preocupante e deprimente.

Estou, neste momento, a assistir ao jornal da SIC: começou com Paulo Portas, continua com Sócrates e Marques Mendes, volta a Sócrates e ao seu aniversário (já passaram as imagens dos abutres em cima de Mário Soares), com longa reportagem sobre os vários visitantes - passaram 12 minutos do telejornal. Logo a seguir passa para Marcelo Rebelo de Sousa de boina, na Festa do Avante, com algumas declarações de Jerónimo de Sousa - passaram 16 minutos. Vamos agora ouvir Pedro Passos Coelho numa entrevista à CMTV - passaram 18 minutos. Clara de Sousa publicita o debate entre Pedro Passos Coelho e António Costa. Estou agora a ouvir que há muito mais gente a entrar este ano no Ensino Superior - a mensagem está dada - tudo a melhorar - passaram 21 minutos. E lá vamos nós ao Papa e aos refugiados.


 


Nem António Costa nem o PS têm lugar nos telejornais.


 


Nas próximas eleições legislativas está em causa a governação destes últimos 4 anos, a cargo da coligação PSD/ CDS. Foi durante estes últimos 4 anos que Portugal regrediu em matéria de desigualdades sociais, aumento do número de pobres, redução de todos os apoios sociais aos mais desfavorecidos e vulneráveis, aumento dos impostos, redução do valor do trabalho, aumento do desemprego, aumento da imigração de quadros qualificados, destruição dos serviços públicos, privatizações selvagens, etc.


 


Mas nada disso interessa discutir. É triste, preocupante e deprimente.

O esconso lugar da Democracia

A democracia deixou de ser uma prioridade. É avassalador o silêncio que se ouve nos vários meios de informação tradicionais, que ainda são aqueles a que mais gente tem acesso e acede, sobre os desenvolvimentos da campanha eleitoral e sobre os indispensáveis debates que deveriam incidir nas escolhas que se nos vão colocar a 4 de Outubro.


 


Todos os comentadores são unânimes em opinar que a alteração da medida de coacção de José Sócrates prejudica António Costa e o PS. E afirmam com ar sério e vozes de crítica que deveríamos estar a discutir as opções governativas e não José Sócrates, gastando horas sem fim a falar dele e a discutir a a sua desimportante importância.


 


Arrasta-se penosamente esta pré campanha e arrastar-se-á a campanha, com a PAF a aparecer hegemonicamente debitando as manipulações que lhe interessam e a apagar do espaço tudo o que minimamente se assemelhar à realidade.


 


Resta apenas a esperança de que, tal como aconteceu no PREC de 1975, os cidadãos façam a leitura desta lavagem cerebral e tal como a fizeram aquando das primeiras eleições legislativas.

02 setembro 2015

Tudo como dantes

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Ouvi hoje alguns excertos da entrevista de ontem com os líderes do BE e do PCP. Aquilo que ouvi é coerente com a atitude destes dois partidos - os tais que se dizem de esquerda - para com o PS, eleito como já é hábito, no seu verdadeiro adversário político, afirmando que o PS tem votado sempre ao lado do PSD e do CDS:


 


(...) a vida tem demonstrado que o PS, em minoria ou em maioria absoluta, sempre, mas sempre, ao longo destes 39 anos, fez uma opção - a política de direita - e a verdade é que os portugueses têm prova de facto, incluindo neste programa eleitoral (...)[do PS]" - Jerónimo de Sousa.


 


Claro que o facto de terem sido estes dois partidos a votarem ao lado da direita para derrubar o governo do PS, o que levou à queda do mesmo e à tomada do poder pela coligação PSD/ CDS é uma cruel ironia e uma triste e recorrente realidade.


 


Quanto à hipótese de haver coligações para viabilizar um governo de esquerda, é apenas mais uma hipocrisia de quem ainda não conseguiu aceitar a democracia que o 25 de Abril de 1974 inaugurou e que o 25 de Novembro de 1975 reatou.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...