AXIMAGE - 7 de Junho de 2015
António Costa e o PS estão a fazer uma campanha limpa e séria, como já há muito tempo não se assistia. O programa eleitoral está publicado, para que quem quiser o leia e discuta, o compare com o da coligação de direita que, a reboque da iniciativa do PS, se sentiu na obrigação de apresentar propostas.
O PS, segundo as várias sondagens que vão sendo conhecidas, não consegue uma maioria absoluta. Os valores de abstenção da última sondagem da AXIMAGE situam-se em 35%. É aqui que António Costa e a sua equipa se devem concentrar.
É indispensável que o PS convença o eleitorado da importância de conseguir uma maioria absoluta. Como se esperava, o PCP e o BE (não falando noutras formações mais ou menos folclóricas, mais ou menos bem intencionadas) continuam a atacar o PS colando-o ao PSD e CDS. Esta legislatura não lhes ensinou nada, tal como não ensinaram nada as décadas que decorreram desde o 25 de Novembro de 1975, em Portugal e no resto do mundo. Para conseguir aplicar o seu programa, aquele que vai defender em campanha eleitoral, o PS tem de convencer o País a dar-lhe autonomia e a responsabilidade não partilhada para os próximos 4 anos.
As alianças pós eleitorais estão nas mãos dos eleitores. Mas os eleitores têm que ser bem esclarecidos do significado da ausência de uma maioria absoluta, tanto para a esquerda como para a direita.
A grande diferença é que, à esquerda, não há interlocutores que permitam uma coligação com coerência e com o mínimo de estabilidade. Por muito que o PS se esforce, a sua natureza intrinsecamente democrática e a sua opção por uma economia aberta afasta-o das formações que se dizem de esquerda, defensoras de uma utopia que apenas se materializou em totalitarismos. A sua opção por um Estado que garanta os direitos e os apoios sociais aos cidadãos, um estado promotor de igualdade e desenvolvimento em vez de um Estado mínimo e anémico, afasta-o desta direita trauliteira e retrógrada.
Não é entre Passos Coelho e António Costa que os eleitores hesitam mas sim entre António Costa e a demissão de votarem. António Costa, os seus mais próximos conselheiros, os órgãos dirigentes, os militantes e os simpatizantes terão que, persistente e aplicadamente, vencer a propaganda diária dos comentadores, dos alinhamentos noticiosos e da desinformação permanente.
O País precisa de um governo decente, para que se recupere a dignidade de viver com segurança e com confiança no futuro. Não há margem para falhar. É urgente a mudança.