03 maio 2015

Para Sempre

Mother_and_Child.jpg


Michael Foley


 


Por que Deus permite


que as mães vão-se embora?


Mãe não tem limite,


é tempo sem hora,


luz que não apaga


quando sopra o vento


e chuva desaba,


veludo escondido


na pele enrugada,


água pura, ar puro,


puro pensamento.


Morrer acontece


com o que é breve e passa


sem deixar vestígio.


Mãe, na sua graça,


é eternidade.


Por que Deus se lembra


— mistério profundo —


de tirá-la um dia?


Fosse eu Rei do Mundo,


baixava uma lei:


Mãe não morre nunca,


mãe ficará sempre


junto de seu filho


e ele, velho embora,


será pequenino


feito grão de milho.


 


Carlos Drummond de Andrade

Dia(s) da(s) mãe(s)

mothers_day_829165.jpg


 


Olá, boa tarde.


 


Que lindo dia está, que lindo dia da mãe. Chove um pouco, é verdade, está ligeiramente cinzento (e frio também), é certo, mas é aquele dia dedicado às mães, a todas as mães, grandes, pequenas, gordas, magras, novas, velhas, muito velhas, aquele em que é suposto darem-se-lhes muitas prendas, muitos beijos, escrever nos facebooks muitos poemas e muitos carinhos.


 


Enfim, já que um dia não são dias, toca lá a despachar mais esta efeméride e a marcar um restaurante para o jantar em família, juntando avó e filha (as homenageadas), marido e filhos. Ultrapassando o facto de todos serem longe, caros e estarem fechados aos domingos, arranja-se um que, pelo nome, pode ser que não seja mau (a ver vamos, darei notícias posteriores).


 


Depois, para que possa desfrutar deste dia da mãe, descansadíssima como mãe que sou, já ontem despachei a pilha de análises por resolver, a compra dos legumes e da fruta, enchi e esvaziei máquinas de louça e roupa, para que o dia da mãe chegasse livre e escorreito, prometendo gozo e descanso.


 


Por isso mesmo fui logo de manhã ao hipermercado: compras já arrumadas, sopa preparadíssima e legumes guisados para a semana. Falta apenas acabar o workshop que tenho pendurado pois, durante a semana, não há tempo de o organizar. Tudo para que o jantar deste dia (da mãe) seja o êxito que se quer e se merece.


 


Não é (foi) um dia (fim de semana) soberbo? Muito diferente dos outros, ou não fosse ele dedicado às mães que, neste seu dia anual, podem descansar das fadigas rotineiras e habituais.


 


Um feliz dia a todas aquelas que hoje são lembradas e mimadas - as mães.

02 maio 2015

Carta aberta a um possível candidato

Guilherme_d'Oliveira_Martins.jpg


 Guilherme d'Oliveira Martins


 


António Sampaio da Nóvoa avançou para Belém. Crédito para ele, que se disponibilizou para esse serviço público e de cidadania. No entanto Sampaio da Nóvoa coloca vários problemas para as eleições presidenciais e legislativas:


 



  1. Sampaio da Nóvoa apresenta-se como um outsider do sistema político, um novo político que vai regenerar o sistema. Na minha opinião é um erro e uma postura perigosa. A Presidência da República é um cargo político que, nos difíceis tempos de descrença que atravessamos, deverá ser ocupado por alguém que privilegia a política e que a exerça de forma nobre. Ser-se político é mesmo aquilo que se deve pedir ao mais alto representante da Nação.

  2. Sampaio da Nóvoa apresenta-se com um discurso esperançoso e bem escrito, de não resignação às desigualdades e à pobreza, de transformação da sociedade – todos sabemos que o Presidente não o fará nem é para isso que o elegemos. O Presidente da República tem que ser alguém em quem a população se possa rever como exemplo de seriedade, honestidade e coragem e que, acima de tudo, respeite. Não precisamos de um amigo na presidência, de um companheiro de luta ou de um idealista inspirador. Não há qualquer problema em ter também estes atributos, mas não é por eles que será eleito – sê-lo-á pela percepção que teremos da sua capacidade de cumprir e fazer cumprir a Constituição, de saber ouvir o sentir do povo e que saiba interpretar os sinais da sociedade para que, com a sua influência e a sua determinação, possa ser o último garante do Estado de Direito, da Liberdade, da Democracia e da credibilidade das Instituições.

  3. Por outro lado, Sampaio da Nóvoa poderá ocupar a esquerda do PS e a área à esquerda ao PS, mas nunca poderá ganhar a área do centro. Isso abre caminho à vitória de qualquer candidato do centro-direita – Marcelo Rebelo de Sousa ou Rui Rio, por exemplo. Continuo a acreditar que Marcelo Rebelo de Sousa não se candidatará, pois por muito popular que seja colou-se à imagem de comentador do regime e dos políticos, uma espécie de Bobo da Corte o que, temo bem, não seja exactamente o que precisamos como último garante das boas relações institucionais e internacionais (mas isso é apenas uma crença minha, em nada partilhada por muitos com quem tenho conversado).

  4. Mas o certo é que se o PS apoiar Sampaio da Nóvoa, como fará, caso não apareça rapidamente outro candidato que possa abarcar a área política do centro-esquerda, ficará com  um espaço reduzido de actuação em relação às eleições legislativas: a) se Sampaio da Nóvoa ganhar, será que vai ser facilitador de eventuais necessárias coligações com o centro, na hipótese, cada vez mais provável, do PS não conseguir maioria absoluta?; b) e como ficará a mobilização e o entusiasmo para as eleições legislativas e a vitória do PS? Não é evidente que a direita ganhará novo alento com a ausência de um candidato ganhador? Mesmo que esqueçamos Marcelo Rebelo de Sousa, podem perfilar-se Rui Rio ou Mota Amaral, que poderão estar em condições de vencer as presidenciais.


 


Por isso lanço este desafio especificamente a Guilherme d’Oliveira Martins, a quem não conheço, numa espécie de carta aberta a um desejável (para mim) candidato a Belém. Quando tanto se fala de um perfil, um indivíduo com a sua craveira intelectual, a sua experiência política, a sua imagem de seriedade e de honestidade nas funções que já cumpriu e cumpre, fariam dele alguém em quem o País pudesse confiar para as difíceis futuras negociações que se avizinham, nos quadros nacional e internacional, alguém rigoroso e atento, alguém que respeite os cidadãos, o Estado, o serviço público, a nossa História, a nossa cultura e a nossa língua.


 


Nota: Vale a pena ouvir Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva sobre este mesmo assunto.

Das ofensas e insultos estratégicos

A ofensa do jornalista em relação à ofensa de António Costa por casa dos insultos do jornalista que levou aos insultos do António Costa são a matéria que serve à chicana política de direita e não serve a discussão que interessa ao PS e, mais importante, ao Pais.


 


Se um jornalista chama cobarde ao um líder político, é natural que ele se aborreça. A liberdade que o primeiro tem de insultar (porque insultou, disso não tenhamos dúvida) é exactamente a mesma que leva o líder político a responder ofendido. Portanto a resposta ao SMS ofendido, sugerindo censura à liberdade de imprensa é apenas uma vitimização estratégica de campanha para diabolizar o pretenso autoritarismo de António Costa.


 


Nada disto é importante - é uma manobra (mais uma) para desviar as atenções. Por isso mesmo António Costa deve abster-se de responder, deixando-se levar para onde a direita quer - discussões estúpidas e sem conteúdo, que fulanizam e achinelam a política.


 


Há certos comentadores, que a si próprios se apelidam de jornalistas, que consideram ser seu privilégio insultar quem lhes apetece, mas não gostam que se lhes responda na mesma moeda. António Costa e o PS têm que ser mais inteligentes que eles.

01 maio 2015

Maio, maduro Maio


Zeca Afonso


 



 Madredeus


 



 Nara Leão


 



 emmy Curl


 


Maio maduro Maio, quem te pintou


Quem te quebrou o encanto, nunca te amou


Raiava o sol já no Sul, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


E uma falua vinha lá de Istambul


 


Sempre depois da sesta chamando as flores


Era o dia da festa Maio de amores


Era o dia de cantar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


E uma falua andava ao longe a varar


 


Maio com meu amigo quem dera já


Sempre no mês do trigo se cantará


Qu'importa a fúria do mar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


Que a voz não te esmoreça vamos lutar


 


Numa rua comprida El-rei pastor


Vende o soro da vida que mata a dor


Anda ver, Maio nasceu, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


Que a voz não te esmoreça a turba rompeu

Da escolha das batalhas

Ramalho Eanes não tem que provar a ninguém a sua capacidade de se expor e de se bater pelo que acha justo. Se há coisa de que se pode orgulhar, e nós dele, é da sua coragem em defender ideias e causas.


 


Poderemos estar de acordo ou em desacordo com as suas escolhas, mas acusá-lo de se negar a travar batalhas apenas porque não divide palcos nem protagonismos, é lamentável (veja-se o último parágrafo). A menos que o facto de ser citado como referência moral o obrigue a apoios e empréstimos de generalato, como tão elegantemente foi colocado o assunto.


 


Se o apoio de Ramalho Eanes é visto como importante, a ponto de menorizar os de Mário Soares e Jorge Sampaio, isso significa que honrou o cargo e o País. Esperemos que o próximo Presidente, seja ele quem for, tenha a mesma postura e seja capaz de restituir a credibilidade às Instituições, como Ramalho Eanes foi.

Da excelência dos meliantes lusos

Enquanto esperamos muito calmamente o desenvolvimento do processo de Sócrates, em prisão preventiva há mais de 5 meses, a comunicação social vai alimentando o público com notícias interessantíssimas.


 


A ser verdadeira a culpa de Sócrates poderemos orgulhar-nos de ter os meliantes mais capazes e competentes na sua profissão - esta investigação já envolve dez países e os milhões que terá recebido já somam dezassete!


 


Muito respeito!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...