18 abril 2015

Da hipocrisia pornográfica

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 Mariano Gago


 


São quase pornográficas as declarações que ouvimos de Passos Coelho e de Nuno Crato, na hora em que vestem o luto e afivelam rostos de circunstância e pesar, elogiando o trabalho de um homem que dedicou muito da sua vida a construir tudo aquilo que os dois se apressaram a destruir.

17 abril 2015

Do voto de confiança

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Apesar dos erros que estão, na minha opinião, a ser cometidos pelo PS - política de alianças, estratégia presidencial, falha na liderança da agenda política, apesar das sondagens não demonstrarem a tão ansiada subida de intenções de voto, apesar de me indignar com as incapacidades da oposição, não me restam nenhumas dúvidas quanto à infinita diferença entre esta direcção do PS e a anterior.


 


António Costa tem tudo para ser um excelente Primeiro-ministro: cultura política, diplomacia, honestidade, frontalidade e bom-humor, experiência governativa e coragem para enfrentar adversidades. O PS, mais devagar do que eu gostaria, é certo, tem centrado a sua acção de forma hierarquizada em relação às prioridades que definiu, com bastante habilidade e realismo. É um alívio olhar para António Costa e para os seus colegas e perceber que podemos confiar neles.

Dos erros (ex) Presidenciais

Se Ramalho Eanes apoiar a candidatura de Sampaio da Nóvoa para as próximas eleições presidenciais, o PS perde a possibilidade de apresentar, de forma explícita ou não, qualquer outro candidato da área do centro-esquerda que possa ampliar a base de apoio e protagonizar uma verdadeira mudança de ciclo político no País.


 


Como está cada vez mais à vista, o PS foi ultrapassado pelos acontecimentos e não consegue arrancar com alma e coragem, deixando a iniciativa nas mãos das forças políticas mais ou menos marginais à esquerda e nas mãos da direita, com Marcelo Rebelo de Sousa em grande actividade dando gás a esta candidatura.


 


Considero-a (mais) um erro estratégico da esquerda, que se perde nos entrincheiramentos monolíticos e reage a tudo como actos provocatórios, sem que lhe ocorra, àquela histórica esquerda revolucionária, criativa e desestabilizadora, ter alternativas e imaginação. Em vez do descabelamento e das juras de amor eterno ao Texto Constitucional, recusando (por blasfema) a hipótese de discutir a possibilidade de se escrever uma nova Constituição, deveria preocupar-se em avançar com propostas que renovassem a democracia e obrigassem a direita ao desconforto.


 


Infelizmente estamos a assistir ao contrário. Por isso parece-me um erro também de Ramalho Eanes adiantar-se neste apoio, arrumando por mais 10 anos a questão presidencial.

16 abril 2015

Terra seca

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Dry Land


John R Walker


Chamaram-lhe tempo de cerejas


ao vasto encontro da bonomia


ao azul chamamento do mar.


 


Mas dos frutos as mãos já se desarmam


desapetecidos pela secura do olhar


e do tempo já a vida se demora


esquecida do que falta semear.

Dos totalitarismos esclavagistas

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 Laurence Valère


Anse Cafard Slave Memorial


 


Seremos todos altos, fortes, saudáveis e moralmente puros, com inúmeras virtudes públicas (vícios só os privados).


Governo quer proibir tabaco em todos os locais públicos fechados


Proibição de qualquer tipo de álcool a menores vai avançar


 


E será tudo a favor da Nação, todo o esforço e o suor dos nossos rostos brilharão para o esplendor nacional, de olhos postos no chão e humilde chapéu na mão, facebook para distrair e sol para desdeprimir - Portugal no seu melhor.


Empresas apoiadas pelo Estado pagam 505 euros a engenheiros e professores

Da exaustão como arma política

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Erwin Jules de Vries


 


Há muitas formas de alienação, umas privadas e auto sustentadas, outras públicas e utilizadas como arma política. Muitas vezes ambas se confundem e se alimentam. A religião e o futebol são as mais conhecidas e citadas. Mas uma das mais eficazes é o trabalho insano, os horários desumanos e a exaustão completa dos poucos cidadãos que conseguem trabalho e, por isso, deixam de reivindicar qualquer capacidade de protesto.


 


A falta de tempo e de disposição mental para pensar, para ter outra vida que não a que lhe é exigida pelas empresas, individuais ou colectivas, amesquinha, aplana e apaga a criatividade, a vontade e a auto estima, deixando apenas o instinto de sobrevivência e a intolerância absoluta por qualquer movimento que estimule e contenha dinamismo que, por sua vez, aumenta a exaustão.


 


Não tenhamos dúvidas – a concepção do trabalho e das relações laborais desta maioria que nos governa, em Portugal e na Europa, é aquela que reduz a capacidade crítica e que aumenta a subserviência dos cidadãos. É toda uma ideologia subjacente à retórica da economia e do moralismo bacoco, ultrapassado e obsceno que nos inunda.

04 abril 2015

Das referências

A diferença entre o despojamento, a generosidade e a integridade de Ramalho Eanes e os de outros candidatos, é que o primeiro não precisou de se adjectivar nem de proclamar os seus créditos de honestidade e seriedade, as suas qualidades de servidor público e amante da Pátria - isso foi a imagem com que o País ficou dele pela sua atitude a pela sua forma de fazer política.


 


A ambição em ser Presidente da República é legítima e pode ser a de qualquer um de nós que se sinta capaz e com vontade de exercer o cargo. A menção de Ramalho Eanes, porque é uma referência em Portugal, tem o perigo de ser interpretado como uma manobra de marketing algo desastrada e, parece-me, sem qualquer efeito nos cidadãos. Além disso, Eanes foi Presidente numa altura específica e especial, como esta agora também especial e específica é, não valendo a pena forçarem-se paralelos para empolgar os incréus.


 


A moralidade e a idoneidade fazem (ou não) parte de cada um e é com as suas características que cada candidato deve apresentar-se ao eleitorado, não com aquelas que pensa que serão mais aceitáveis. O carisma tem-se, não se pede emprestado.


 


Independentemente de não me rever nas candidaturas de Henrique Neto e de Sampaio da Nóvoa, ambos merecem o nosso respeito por terem clarificado as suas intenções e por se disponibilizarem para a corrida à Presidência. A democracia faz-se exactamente com alternativas e com coragem política. Aguardemos que outras personalidades sintam também esse apelo de cidadania, seja qual for o seu espaço político. É mais que tempo de se delinerarem as propostas para o novo ciclo político. Quanto mais cedo, melhor.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...