09 março 2015

Do próximo Presidente da República (1)

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O nosso Excelentíssimo Presidente, do alto da sua eminência silenciosa, apenas oraculando de quando em vez aos cidadãos sedentos das suas pérolas de sabedoria e presciência, resolveu desenhar o perfil de quem acha digno de lhe suceder como Mais Alto Magistrado da Nação (embora sempre mais baixo do que Sua Presidência, claro).


 


Pois parece-me que todos nos deveremos pronunciar, principalmente nas urnas, sobre quem deverá ser o próximo Presidente da República. E peço que me perdoe, Excelentíssimo Sr. Presidente, mas a minha opinião é assustadoramente simples e directa - deverá ser o seu contrário total e absoluto, desde o rictus acidus e amarus, de quem se sente incomodado pela persistente atmosfera de decomposição, à sua inigualável honestidade (e moralidade) pois, como temos obrigação de reconhecer (e de nos curvarmos perante esse reconhecimento), ninguém ainda conseguiu nascer duas vezes.


 


Portanto, com a oportunidade a que já nos habituou, estamos perante um importantíssimo contributo para a clarificação deste clima malção e infecto - procurar alguém que faça o exacto contrário daquilo que Sua Excelência tão relevantemente corporizou.

02 março 2015

Para discussão política a sério

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Através do Observador, são divulgadas medidas propostas por António Costa como o primeiro capítulo do programa de governo. Pois ainda bem. E que tal começarmos a ler e a discutir estas propostas?


 


Confesso que estou com vontade de ler os próximos capítulos - venham eles.

01 março 2015

Das amnésias selectivas

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Isto é já um problema de saúde pública - será um vírus, uma bactéria? Será da atmosfera parlamentar?

Portugal dos Poetas

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Teatro Meridional

Um dia como os outros (153)

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(...) Creio que uma imensa maioria dos portugueses julgará, nesta altura, que José Sócrates está muito bem preso. E por três ordens de razões diversas: uns, porque abominam politicamente Sócrates e acreditam que foi ele sozinho que criou 170 mil milhões de dívida pública (hoje, 210 mil milhões), assim conduzindo o país à ruína; outros, porque acreditam que o “Correio da Manhã”, o “Sol” ou o “i” são uma fonte credível de informação e, portanto, já nem precisam de julgamento algum em tribunal, porque a sentença já está dada; e outros, porque, mesmo não emprenhando pelos ouvidos dos pasquins ao serviço da acusação, acreditam mesmo na culpabilidade de Sócrates e, por isso, a sua prisão preventiva parece-lhes aceitável. Porém, nenhum destes três grupos tem razão: o primeiro, porque confunde um julgamento político com um julgamento penal, assim fazendo de Sócrates um preso político; o segundo, porque prescinde de um princípio básico de qualquer sistema de justiça, que é o do contraditório e do direito à defesa do acusado: basta-lhes a tese da acusação para se darem por elucidados e satisfeitos; e o terceiro, porque ignora a diferença fundamental entre a fase de inquérito processual e a fase de julgamento. O erro destes últimos (que são os únicos sérios na sua apreciação) é esquecer que a presunção ou convicção de culpabilidade do arguido por parte do juiz de instrução, as suspeitas, os indícios ou as provas que o processo possa conter, não servem de fundamento à prisão preventiva. Se assim fosse, a fase de inquérito seria um pré-julgamento, com uma pré-sentença e uma pena anterior à condenação em julgamento: a pena de prisão preventiva. (...)


 


(...) A avaliar por aquilo que nos tem sido gentilmente divulgado, o dr. Carlos Alexandre não tem uma razão válida para manter os arguidos em prisão preventiva. E mais arrepiante tudo fica quando se torna evidente que o motorista de Sócrates só foi preso para ver se falava, e foi solto, ou porque disse o que o MP queria (verdadeiro ou falso) ou porque perceberam que não tinha nada para dizer. Ou quando a SIC, citando fontes do processo, nos conta que uma das razões para que a prisão preventiva de Carlos Silva fosse prorrogada por mais três meses foi o facto de ele não ter prestado quaisquer declarações quando chamado a segundo interrogatório por Rosário Teixeira. Se isto é verdade, quer dizer que estes presos preventivos não o foram apenas para facilitar a investigação (o que já seria grave), mas para ver se a prisão os fazia falar. Nada que cause estranheza a quem costuma acompanhar os processos-crime, onde a auto-incriminação dos suspeitos — por escutas ou por confissão — é quase o único método investigatório que a incompetência do MP cultiva (e, depois da transcrição da escuta feita a Paulo Portas no processo dos submarinos, ficámos a saber que a incompetência pode não ser apenas inocente, mas malévola e orientada). (...)


 


(...) Que a tudo isto — mais a já inqualificável violação do segredo de justiça, transformado numa espécie de actividade comercial às claras — se assista em silêncio, com a procuradora-geral a assobiar ao vento e o Presidente da República, escudado na desculpa da separação de poderes, fingindo que nada disto tem a ver com o regular funcionamento das instituições, que lhe cabe garantir, enquanto se discute, nem sequer a pena ilegal de prisão preventiva, mas a pena acessória de humilhação de um homem que foi duas vezes eleito pelos portugueses para chefiar o Governo e que agora se bate pelo direito de usar as botas por ele escolhidas e ter um cachecol do Benfica na cela, é sinal do estado de cobardia cívica a que o país chegou. As coisas estão a ficar perigosas. Eu não votarei em quem não prometa pôr fim a esta paródia do Estado de direito.


 


Miguel de Sousa Tavares


(daqui)

And the waltz goes on


Anthony Hopkins


André Rieu

Até ao grito

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Isabel Lhano


Biblioteca Municipal Rocha Peixoto

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...