Adamo Macri
Descubro-me sempre menor
do que me sonho. Tão mais vulgar e apagada
que nos espaços que percorro e conquisto
para me reconhecer acordada
figura de cera inamovível e incolor.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Adamo Macri
Descubro-me sempre menor
do que me sonho. Tão mais vulgar e apagada
que nos espaços que percorro e conquisto
para me reconhecer acordada
figura de cera inamovível e incolor.
Afinal, quase exactamente 2 meses depois, ficamos a saber, de forma relativamente discreta, que o BES teria tido os mesmos resultados que o BCP nos tão famosos testes de stress à Banca, em 2013.
Para que servem então estes testes de stress? E qual a credibilidade da regulação e das Instituições que têm essa função?
Nunca me preparei para as ausências.
Nas gavetas do meu corpo gestos
de carícia ou separação
guardados num qualquer quarto alugado
da alma em permanência
de gelo e paixão.
Querido Pai Natal,
Querido Menino Jesus,
Penso que não tenho nenhum pedido especial. Também me parece que já devem estar bastante cansados dos pedidos da humanidade, daquela parcela da humanidade que pede e se queixa, pois a outra parte nem sequer tem força para se lembrar das épocas natalícias, ocupada que está a sobreviver.
Por isso esta carta serve apenas para vos dizer que compreendo a enorme vontade que devem ter de despachar esta quadra o mais depressa possível, para que regresse o silêncio e se refaçam as forças para enfrentar mais um ano de penúria, revolta e tristeza perante o que se passa no país e no mundo. E para que o grande intervalo entre este e o próximo Natal seja aproveitado para devolver alguma esperança a quem já desesperou, alguma decência e dignidade a quem a perdeu ou a quem delas foi obrigado a separar-se. E mais que tudo, antes que tudo e a propósito de tudo, que não nos percamos uns dos outros.
Boa Consoada.
PS – Ajudava IMENSO a eleição do PS com maioria absoluta e de um Presidente que nos restaurasse a vontade de resistir.
A solidariedade e o carinho cristãos deixaram de ser sentimentos da intimidade de cada qual, um amor ao próximo íntimo e modesto, apenas conhecido desse próximo e de Deus inspirador de tão santas tendências e convicções, para passar a ser um acontecimento social, propagandeado e apregoado pelos media, com fotos das benfazejas criaturas adequadamente vestidas - ou como se fossem para a ópera ou com a fluorescência dos bombeiros. Alvos de grandes e oportunas reportagens, os desgraçados que tiveram a infelicidade de ser sem-abrigos, novos e envergonhados pobres ou outra qualquer marginalidade, são exibidos sem qualquer pudor para os consumidores de big brothers, condoídos candidatos a qualquer coisa ou empresários com enormes consciências sociais.
Tal é a quantidade de iniciativas para ajudar os desfavorecidos que a noite de Natal não chega para tanto ardor de ajuda e amor, pelo que as ceias começam a 14 de Dezembro, para que as santas e os santos ajudantes de Cristo possam ter a noite de 24 para consoarem na paz do Senhor, nas suas quentinhas casas e com as suas famílias mais ou menos funcionais, tranquilizadas as consciências pelo bem espalhado, deixando os sem-abrigo e as famílias carenciadas com o seu Natal minguante.
Johann Sebastian Bach
Amsterdam Baroque Orchestra & Choir
Kyrie eleison,
Christe eleison,
Kyrie eleison.
Em abono da verdade deve dizer-se que, embora estejam deliciosos, os licores de ameixa e de pêssego não se distinguem muito bem um do outro e não sabem grandemente a qualquer das frutas. Até a cor é muito parecida.
Há apenas um pormenor que os separa - o de pêssego está bastante mais forte que o de ameixa! Mas não há desânimo que me chegue, neste tema (palavra bastante em voga) dos licores. Este fim-de-semana foi a vez de acabar o último, que aguardava pacientemente a sua vez.
Esse foi uma excelente surpresa, porque a fé que tinha nele era escassíssima. É de folha de figueira. Não uma novidade, porque já o tinha feito, mas as folhas que gentilmente me deram não tinham um perfume muito acentuado e eu estava bastante céptica quanto ao resultado final.
Pois está mesmo muito bom. Tem mesmo a cor da folha de figueira, um perfume e um sabor que lembra o figo, está excelente e é fácil de fazer.
Colocam-se as folhas de figueira partidas aos bocadinhos (com as mãos) num frasco de boca larga com a aguardente do costume. Depois de macerar pelo menos 1 mês (eu deixei-as a macerar desde Setembro), côa-se a aguardente (num pano de algodão ou de linho), faz-se um xarope com água, açúcar e raspa de laranja (para 1 litro de água, 750 g de açúcar a ferver durante 15 minutos). Depois junta-se o xarope à aguardente (para cada litro de aguardente, 8 dl de xarope) deixa-se ferver, enfrasca-se e só se rolha quando está frio.
O problema começa a ser a falta de imaginação para tanto verso de pé quebrado!
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...