Apesar do peso da detenção preventiva de Sócrates, António Costa e o PS conseguiram protagonizar um congresso em que se falou do País, em que se fez oposição ao governo e em que se afirmaram as ideias que guiarão as próximas estratégias políticas.
António Costa não tem medo de fantasmas - nem de Sócrates, nem do espectro da necessidade dos acordos e compromissos, nem dos profetas do bloco central, nem das carpideiras da esquerda da esquerda mais à esquerda que qualquer esquerda.
Da renovação do partido terá que seguir para a renovação da esperança e da confiança. As eleições ainda estão longe e é indispensável que a clarificação do que é governar à esquerda significa. Não me parece que os assuntos enunciados no discurso de encerramento, nomeadamente o problema da integração europeia, se possam resolver. O PS não deve ter tabus em relação a nada, muito menos à importância de se redefinir os moldes de funcionamento desta União cada vez menos democrática e mais distanciada das instituições nacionais.
Mas foi com grande satisfação e renovada esperança que ouvi o discurso de encerramento* deste Congresso. Como devem estar tristes os comentadores que já antecipavam um velório em vez de um renascimento.
* Não sei porquê, mas este link não funciona no google chrome, mas funciona no internet explorer.