22 novembro 2014

Da inevitabilidade dos efeitos colaterais

O país já tem mais um escândalo para se entreter, esquecendo os escândalos anteriores como os vistos gold a reposição das subvenções mensais vitalícias aos deputados - não há repúdio ao populismo que grassa pela sociedade, transformando os deputados numa raça a abater, que compreenda a prioridade nacional deste assunto.


 


António Costa, que reagiu com ponderação à mediática justiça de hoje, viu desaparecer a sua eleição como Secretário-Geral do PS, tragada pelo assunto pensionista e pelo rodar implacável e secreto da justiça. O governo deve estar a respirar de alívio e o PS de tristeza e ansiedade.

Lisboa menina e moça


Ary dos Santos & Joaquim Pessoa & Fernando Tordo & Paulo de Carvalho


 


Parabéns ao Carlos do Carmo


ao Vasco Palmeirim e à Rádio Comercial


 


No castelo, ponho um cotovelo


Em Alfama, descanso o olhar


E assim desfaz-se o novelo


De azul e mar


À ribeira encosto a cabeça


A almofada, na cama do Tejo


Com lençóis bordados à pressa


Na cambraia de um beijo


 


Lisboa menina e moça, menina


Da luz que meus olhos vêem tão pura


Teus seios são as colinas, varina


Pregão que me traz à porta, ternura


Cidade a ponto luz bordada


Toalha à beira mar estendida


Lisboa menina e moça, amada


Cidade mulher da minha vida


 


No terreiro eu passo por ti


Mas da graça eu vejo-te nua


Quando um pombo te olha, sorri


És mulher da rua


E no bairro mais alto do sonho


Ponho o fado que soube inventar


Aguardente de vida e medronho


Que me faz cantar


 


Lisboa menina e moça, menina


Da luz que meus olhos vêem tão pura


Teus seios são as colinas, varina


Pregão que me traz à porta, ternura


Cidade a ponto luz bordada


Toalha à beira mar estendida


Lisboa menina e moça, amada


Cidade mulher da minha vida


 


Lisboa no meu amor, deitada


Cidade por minhas mãos despida


Lisboa menina e moça, amada


Cidade mulher da minha vida

Da prata das palavras e do ouro do silêncio

Acordei para a notícia da detenção de José Sócrates. Não percebi se tinha fugido à justiça ou se estava a fugir, se se tinha negado a prestar declarações, se tinha tentado matar ou morto alguém. Apenas que, com a SIC a filmar, tinha sido detido no aeroporto no âmbito de uma investigação que está em segredo de justiça. Como é habitual este segredo é apenas para gerir melhor o circo mediático e os alvos que vão sendo atingidos.


 


Tudo isto é assustador: se José Sócrates for considerado culpado dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, é mais um golpe na nossa confiança nos representantes políticos, mais uma machadada na imagem dos servidores públicos, mais uma acha para a fogueira do populismo e do advento do moralismo totalitário dos movimentos que estão a crescer por todo o lado; se esta investigação acabar como a da Casa Pia e semelhantes, é mais uma demonstração da judicialização da política e do poder absolutista que vão tendo os Juízes, modelando a opinião pública através destas investigações que não condenam mas, sobretudo, não absolvem.


 


Vivemos em tempos em que não nos sentimos protegidos por este poder judicial - e isso é terrível. Por muito que se repita que até prova em contrário as pessoas são inocentes, é impossível apagar as suspeitas. E é por isso e para isso que estes circos se montam.


 


Continuo a pensar que José Sócrates foi um dos melhores Primeiros-ministros que tivemos na era democrática. Quero muito acreditar nas pessoas, e preciso muito de acreditar nas Instituições. Cada vez mais estas duas crenças são mutuamente exclusivas.

16 novembro 2014

Do penoso arrastar do governo

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Miguel Macedo mostrou aos seus colegas do governo como se deve proceder - a responsabilidade política e a postura das Instituições deve estar sempre salvaguardada.


 


E também mostrou que quando a vontade de se demitir é genuína, não há Primeiro-ministro que o impeça.

15 novembro 2014

Chuva no mar


Arnaldo Antunes & Marisa Monte & Carminho


 


Coisas transformam-se em mim,


É como chuva no mar,


Se desmancha assim em


Ondas a me atravessar,


Um corpo sopro no ar


Com um nome p’ra chamar,


É só alguém batizar,


Nome p’ra chamar de


Nuvem, vidraça, varal,


Asa, desejo, quintal,


O horizonte lá longe,


Tudo o que o olho alcançar


E o que ninguém escutar,


Te invade sem parar,


Te transforma sem ninguém notar,


Frases, vozes, cores,


Ondas, frequências, sinais,


O mundo é grande demais.


Coisas transformam-se em mim,


Por todo o mundo é assim.


 


Isso nunca vai ter fim.

Aguarda-se a demissão a qualquer momento...

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"Qualquer pessoa que ponha em causa uma instituição deve imediatamente apresentar o seu pedido de demissão ou de suspensão de funções."

Monitorização

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Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...