Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
11 outubro 2014
10 outubro 2014
Da nova oposição
Não basta que as sondagens demonstrem que há um novo caminho a percorrer e que há urgência e ânsia pelo início desse caminho. António Costa tem carisma e é, neste momento, o líder incontestado do maior partido da oposição. Porque temos de novo oposição.
Independentemente da construção de plataformas de entendimento com outros partidos que aceitem sem reservas a democracia, é muitíssimo importante que o PS ambicione e construa uma maioria absoluta para uma alternativa sólida de governo. A situação do país e da Europa é demasiado grave para que a base eleitoral do próximo governo não resulte de um largo consenso em relação a áreas chave da nossa vida comum.
Não é de pactos de regime, consensos ou reflexões urgentes que precisamos mas sim da afirmação de políticas sérias e que tenham como objectivo repor o primado do bem estar dos cidadãos e do serviço público, do reconhecimento que Portugal não pode aceitar ser minimizado na sua soberania e na sua independência perante a centralização do poder cada vez menos democrático da Europa.
Não há que ter medo de enfrentar os assuntos, sejam eles quais forem. Os compromissos internacionais para com os credores devem ser cumpridos de forma a parar com a delapidação da sociedade livre, solidária e democrática a que temos assistido nos últimos anos.
Os fenómenos populistas tendem a ocupar o vazio em tempos de descrédito, insegurança e pobreza. É preciso inverter a queda para o abismo. Temos condições para lutar - renovação dos princípios e valores, realinhamento do que de essencial é preciso preservar; mobilização de vontades e de esperanças - é possível mudar.
Demasiado
1.
Antes que o mar me inunde
enrolando em ondas e pedras fragmentos de pele e alma
antes que o vento me afogue
em estilhaços de sopro e esquecimento
espalho brasas e olhos
e aprendo a massa do infinito
com que resitimos às tempestades de medo.
2.
Nem grande nem perfeito o nosso sonho de felicidade
nem fugaz nem perene a nossa funda imperfeição.
3.
Como gato em fuga aguardo uma porta
entreaberta um silêncio desprevenido uma candura
de espírito ausente para activar um desaparecimento
instantâneo.
4.
Realidade demasiada e solitária rasura
linhas longas e sinuosas de apagamento.
09 outubro 2014
06 outubro 2014
Vertigem
A Cloudy Sky
A vertigem do desfiladeiro
em velocidade de nevoeiro
eu e o tempo em secreta intimidade
fragmento suspenso na eternidade.
05 outubro 2014
Hoje, como então
Hoje, como então, é da varanda da Câmara Municipal de Lisboa que se corporiza a esperança. Da solenidade dos discursos retiraremos apenas a linguagem secreta e universal dos olhares, comodidades e incomodidades de postura e sorrisos.
Hoje, como então, esperamos recomeços e continuidade - na liberdade, na democracia e na solidariedade de uma vida em comunidade.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...
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