Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
10 outubro 2014
Demasiado
1.
Antes que o mar me inunde
enrolando em ondas e pedras fragmentos de pele e alma
antes que o vento me afogue
em estilhaços de sopro e esquecimento
espalho brasas e olhos
e aprendo a massa do infinito
com que resitimos às tempestades de medo.
2.
Nem grande nem perfeito o nosso sonho de felicidade
nem fugaz nem perene a nossa funda imperfeição.
3.
Como gato em fuga aguardo uma porta
entreaberta um silêncio desprevenido uma candura
de espírito ausente para activar um desaparecimento
instantâneo.
4.
Realidade demasiada e solitária rasura
linhas longas e sinuosas de apagamento.
09 outubro 2014
06 outubro 2014
Vertigem
A Cloudy Sky
A vertigem do desfiladeiro
em velocidade de nevoeiro
eu e o tempo em secreta intimidade
fragmento suspenso na eternidade.
05 outubro 2014
Hoje, como então
Hoje, como então, é da varanda da Câmara Municipal de Lisboa que se corporiza a esperança. Da solenidade dos discursos retiraremos apenas a linguagem secreta e universal dos olhares, comodidades e incomodidades de postura e sorrisos.
Hoje, como então, esperamos recomeços e continuidade - na liberdade, na democracia e na solidariedade de uma vida em comunidade.
04 outubro 2014
Dias despidos
Eyes as big as plates
Agnes 1
Eyes as big as plates
Agnes 2
Riitta Ikonen & Karoline HJorth
Ainda está bom tempo e os fins-de-semana são aproveitados para passear. De certa maneira fazemos voltas semelhantes, pois vamo-nos prendendo a hábitos, mesmo os hábitos do lazer: o café de manhã, o jornal que se folheia, a tv aberta em programas tontos, as ruas cheias de gente, o vagar das livrarias, os restaurantes ainda vazios à uma da tarde.
Passamos por muita gente velha, que atravessa a rua lentamente, sem olhar nem se assustar, curvados para o chão ou buscando o horizonte enevoado atrás dos óculos, com bengalas que não usam e eternos saquinhos de plástico com misteriosos conteúdos, outros com sandálias e calções, ipads assestados à paisagem urbana, não sei bem se gostam ou se apenas cumprem um ritual.
Vejo-me daqui a uns anos, igual em vagar e alheamento. No entretanto vou gozando os dias abertos e despidos de afazeres, tão poucos que se escoam rapidamente entre os dedos.
Skoda - o carro musical
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...
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Durante muito tempo achei que não se deveria dar palco a André Ventura e aos seus apaniguados. O que dizem é de tal forma idiota, mentiros...
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