As mesas de voto estafam com fila, cheias de gente que quer escolher aquele que melhor se opuser a esta direita que nos govera.
Quando há razões os cidadãos mobilizam-se e participam. Estou muito esperançada numa vitória folgada de António Costa.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
As mesas de voto estafam com fila, cheias de gente que quer escolher aquele que melhor se opuser a esta direita que nos govera.
Quando há razões os cidadãos mobilizam-se e participam. Estou muito esperançada numa vitória folgada de António Costa.
(...) Dois terços dos doentes não deviam estar no hospital
(...) A comissão da Fundação Calouste Gulbenkian que no último ano e meio se dedicou a estudar o quebra-cabeças da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde concluiu que dois terços dos doentes atendidos nos hospitais devia antes ter acesso a mais cuidados de proximidade, como apoios no domicílio. A comissão vai agora lançar três projectos para mostrar que é possível uma mudança de paradigma, estimando poupanças para o Estado superiores a 200 milhões de euros por ano. Os peritos defendem que esta mudança é mais vital para a sustentabilidade financeira do SNS do que haver mais dinheiro. (...)
(...) A Gulbenkian defende que a mudança no sistema para uma organização mais centrada nas pessoas não pode esperar. (...)
(...) muitos internamentos acontecem por falta de outras soluções, de apoio às famílias e de criação de soluções na comunidade. (...)
(...) Muito do que se quer mudar, a partir de agora, fica resumido num ditado africano, referiu: “a saúde faz-se em casa, o hospital é para reparações”. Ou seja, em vez de canalizar o financiamento em saúde quase todo para o Sistema Nacional de Saúde (hospitais, centros de saúde, medicamentos) é preciso agir sobretudo fora dele, passando-se de um paradigma “da doença para um centrado na saúde”. É o discurso da prevenção. (...)
Este é um assunto que me preocupa há muito tempo. Não se pode esperar, é preciso começar a realizar.
Philippe Jaroussky
Des jours heureux où nous étions amis
En ce temps là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois je n'ai pas oublié
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emportet
Dans la nuit froide de l'oubli
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais
C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, et je t'aimais
Et nous vivions tout les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis
C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aime
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis.
Jacques Prévert & Joseph Kosma
Depois do crime a expiação - com grande sentido de contrição, pedindo desculpas por este acto deliberado e presunçoso de bem comer, saboreamos a sobremesa com a arrogância que se impõe, seguindo os exemplos dos nossos governantes.
E assim se acaba a semana.
Faltava, portanto, a prova de fogo, a dita Sericaia. Como está na moda ser-se provinciano e lutar contra as elites desta Capital de gente malformada, é sempre bom assumir a minha condição de alentejana: é verdade, nasci em Vendas Novas.
Ao lume com 1/2 litro de leite gordo, raspa de 1 limão (com o inexcedível Microplane) e 2 paus de canela; antes, no entanto, liguei o forno com um tabuleiro redondo e baixo de cerâmica vidrada, para aquecer. Bati 6 gemas com 200g de açúcar até ficar um creme branco e fofo, juntei 75g de farinha e bati de novo até ficar tudo homogéneo. Foi misturando o leite, já arrefecido e levei ao lume até engrossar.
Depois bati as 6 claras em castelo firme (com uns grãozinhos de sal) e incorporei as claras no preparado anterior, depois de este arrefecer (estes arrefecimentos aumentam o tempo de confecção mas previnem alguns desastres, como a cozedora inapropriada de claras e grumos no creme). Coloca-se a mistela no recipiente que está em brasa, com cuidado e às colheradas (confesso que deitei tudo lá para dentro sem o pormenor das colheradas), cobre-se de bastante canela e deixa-se a cozer no forno durante 25 minutos em forno alto nos primeiros 10 e médio nos restantes.
Quando arrefeceu o centro ficou com um aspecto bastante encolhido, convenhamos.
Embora seja o tradicional dia do Senhor, para mim é dia da gula - um dia na semana que começa com um pequeno almoço partilhado num tabuleiro empoleirado nos joelhos, por sua vez dentro dos lençóis. Já há bastante tempo que não me aventurava pelos tortuosos caminhos culinários. Hoje, depois de um cozido à montanheira feito pelo Chefe cá de casa, resolvi que era tempo de experimentar a sericaia com ameixas de Elvas. Para dizer a verdade ainda equacionei a hipótese de substituir as ameixas de Elvas por outro doce qualquer, dando-lhe um toque de adaptação ou não fosse eu uma inveterada indisciplinada no que concerne à confecção de doces.
Mas não. Decidi que ia seguir à risca (enfim..., quase) a receita que encontrei neste blogue, muito bom e muito bem explicado. Ontem comprei ameixas pequeninas numa frutaria cujos donos são indianos, o que dificulta um pouco a comunicação, porque percebo mal o que dizem. Nada como os gestos para ultrapassar este pequeno problema.
E assim escolhi as ameixas mais duras, contei 3 por pessoa e pesei-as; coloquei-as num tacho cobertas de água e deixei ao lume durante 30 minutos depois de levantar fervura. Juntei o peso em açúcar e ficou ao lume até ao ponto de estrada; deixei arrefecer e repeti a operação 4 vezes - levantar fervura, ferver por 2 ou 3 minutos e arrefecer (juntei um pouco de água de cada vez porque a calda estava a ficar demasiado grossa).
Hoje estavam prontas.
A internet e as redes sociais dão-nos a ilusão de sermos todos uma grande família, numa relação de proximidade com quem nem sequer conhecemos. Por isso nos expomos ao mundo, publicando pensamentos, disparates, pretensões, ignorâncias, futilidades e fotografias, nossas e de outros a quem não pedimos autorização, numa demissão total da reserva e privacidade das nossas vidas e da nossa intimidade e também daqueles que fazem verdadeiramente parte do nosso grupo familiar e de amizade.
Por outro lado assistimos ao alardear dos lados mais negros, falsos, cínicos e violentos do ser humano. A coberto do anonimato e da facilidade de comunicação, lemos trivialidades, insultos e mentiras. Tal como os adolescentes dão a toda a escola o código de entrada da porta do prédio onde moram, sem se aperceberem de que é o mesmo que distribuírem pelos pátios a chave de entrada da sua casa, a sensação de devassa a que estamos sujeitos é assustadora.
A propósito do último post que publiquei sobre Maria de Lurdes Rodrigues, reparei que estava a ser muito visitada por pessoas direccionadas de um blogue que se distingue pelo grupo de energúmenos que a si mesmo se chama classe docente, conspurcando todos os que são verdadeiros professores. E então dei com um comentário a um post sobre a condenação de Maria de Lurdes Rodrigues, que linkava para o meu:
Não estranhei o teor nem a elegância do comentário. Apenas fiquei espantadíssima com o excerto de uma dúvida que, em 2008 (!!!), enviei ao site Ciberdúvidas a propósito de uma expressão que vi e ouvi diversas vezes e que pensava estar errada: "envergar por uma carreira". Como não tenho a pretensão de saber tudo e, bem pelo contrário, tenho alguma tendência a dar erros de ortografia, umas vezes por dislexia outras por ignorância pura, resolvi esclarecer-me:
Confesso que fiquei perplexa. Percebi, mais uma vez, que tudo o que escrevemos, por muito normal e inocente que nos pareça, pode ser vasculhado, guardado e usado para insultar e descredibilizar, quando não com mais escuros e dúbios objectivos.
Numa sociedade que nos quer fazer acreditar que somos uma grande, unida e feliz família universal, percebemos que de universal há seguramente a intrínseca estupidez humana. Estamos a construir um Big Brother vingativo, cheios de flores e música celestial com que enganadoramente o enfeitamos.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...