22 setembro 2014

Les Feuilles Mortes


Yves Montand





Philippe Jaroussky


 






Eric Clapton










Oh je voudrais tant que tu te souviennes


Des jours heureux où nous étions amis
En ce temps là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Tu vois je n'ai pas oublié
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emportet
Dans la nuit froide de l'oubli
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais

C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais, et je t'aimais
Et nous vivions tout les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis

C'est une chanson, qui nous ressemble
Toi tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions, tous deux ensemble
Toi qui m'aimait, moi qui t'aimais
Mais la vie sépare ceux qui s'aime
Tout doucement sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Le pas des amants désunis.


 


Jacques PrévertJoseph Kosma




21 setembro 2014

... da deglutição vagarosa e conventual


 


Depois do crime a expiação - com grande sentido de contrição, pedindo desculpas por este acto deliberado e presunçoso de bem comer, saboreamos a sobremesa com a arrogância que se impõe, seguindo os exemplos dos nossos governantes.


 


E assim se acaba a semana.

... da maravilhosa Sericaia (pouco) alentejana...


 


 


Faltava, portanto, a prova de fogo, a dita Sericaia. Como está na moda ser-se provinciano e lutar contra as elites desta Capital de gente malformada, é sempre bom assumir a minha condição de alentejana: é verdade, nasci em Vendas Novas.


 


Ao lume com 1/2 litro de leite gordo, raspa de 1 limão (com o inexcedível Microplane) e 2 paus de canela; antes, no entanto, liguei o forno com um tabuleiro redondo e baixo de cerâmica vidrada, para aquecer. Bati 6 gemas com 200g de açúcar até ficar um creme branco e fofo, juntei 75g de farinha e bati de novo até ficar tudo homogéneo. Foi misturando o leite, já arrefecido e levei ao lume até engrossar.


 


Depois bati as 6 claras em castelo firme (com uns grãozinhos de sal) e incorporei as claras no preparado anterior, depois de este arrefecer (estes arrefecimentos aumentam o tempo de confecção mas previnem alguns desastres, como a cozedora inapropriada de claras e grumos no creme). Coloca-se a mistela no recipiente que está em brasa, com cuidado e às colheradas (confesso que deitei tudo lá para dentro sem o pormenor das colheradas), cobre-se de bastante canela e deixa-se a cozer no forno durante 25 minutos em forno alto nos primeiros 10 e médio nos restantes.


 


Quando arrefeceu o centro ficou com um aspecto bastante encolhido, convenhamos.

Das ameixas de Elvas que se urbanizaram...


 


Embora seja o tradicional dia do Senhor, para mim é dia da gula - um dia na semana que começa com um pequeno almoço partilhado num tabuleiro empoleirado nos joelhos, por sua vez dentro dos lençóis. Já há bastante tempo que não me aventurava pelos tortuosos caminhos culinários. Hoje, depois de um cozido à montanheira feito pelo Chefe cá de casa, resolvi que era tempo de experimentar a sericaia com ameixas de Elvas. Para dizer a verdade ainda equacionei a hipótese de substituir as ameixas de Elvas por outro doce qualquer, dando-lhe um toque de adaptação ou não fosse eu uma inveterada indisciplinada no que concerne à confecção de doces.


 


Mas não. Decidi que ia seguir à risca (enfim..., quase) a receita que encontrei neste blogue, muito bom e muito bem explicado. Ontem comprei ameixas pequeninas numa frutaria cujos donos são indianos, o que dificulta um pouco a comunicação, porque percebo mal o que dizem. Nada como os gestos para ultrapassar este pequeno problema.


 


E assim escolhi as ameixas mais duras, contei 3 por pessoa e pesei-as; coloquei-as num tacho cobertas de água e deixei ao lume durante 30 minutos depois de levantar fervura. Juntei o peso em açúcar e ficou ao lume até ao ponto de estrada; deixei arrefecer e repeti a operação 4 vezes - levantar fervura, ferver por 2 ou 3 minutos e arrefecer (juntei um pouco de água de cada vez porque a calda estava a ficar demasiado grossa).


 


Hoje estavam prontas.

Da intrínseca estupidez

A internet e as redes sociais dão-nos a ilusão de sermos todos uma grande família, numa relação de proximidade com quem nem sequer conhecemos. Por isso nos expomos ao mundo, publicando pensamentos, disparates, pretensões, ignorâncias, futilidades e fotografias, nossas e de outros a quem não pedimos autorização, numa demissão total da reserva e privacidade das nossas vidas e da nossa intimidade e também daqueles que fazem verdadeiramente parte do nosso grupo familiar e de amizade.


 


Por outro lado assistimos ao alardear dos lados mais negros, falsos, cínicos e violentos do ser humano. A coberto do anonimato e da facilidade de comunicação, lemos trivialidades, insultos e mentiras. Tal como os adolescentes dão a toda a escola o código de entrada da porta do prédio onde moram, sem se aperceberem de que é o mesmo que distribuírem pelos pátios a chave de entrada da sua casa, a sensação de devassa a que estamos sujeitos é assustadora.


 


A propósito do último post que publiquei sobre Maria de Lurdes Rodrigues, reparei que estava a ser muito visitada por pessoas direccionadas de um blogue que se distingue pelo grupo de energúmenos que a si mesmo se chama classe docente, conspurcando todos os que são verdadeiros professores. E então dei com um comentário a um post sobre a condenação de Maria de Lurdes Rodrigues, que linkava para o meu:


 



 


Não estranhei o teor nem a elegância do comentário. Apenas fiquei espantadíssima com o excerto de uma dúvida que, em 2008 (!!!), enviei ao site Ciberdúvidas a propósito de uma expressão que vi e ouvi diversas vezes e que pensava estar errada: "envergar por uma carreira". Como não tenho a pretensão de saber tudo e, bem pelo contrário, tenho alguma tendência a dar erros de ortografia, umas vezes por dislexia outras por ignorância pura, resolvi esclarecer-me:


 



 


Confesso que fiquei perplexa. Percebi, mais uma vez, que tudo o que escrevemos, por muito normal e inocente que nos pareça, pode ser vasculhado, guardado e usado para insultar e descredibilizar, quando não com mais escuros e dúbios objectivos.


 


Numa sociedade que nos quer fazer acreditar que somos uma grande, unida e feliz família universal, percebemos que de universal há seguramente a intrínseca estupidez humana. Estamos a construir um Big Brother vingativo, cheios de flores e música celestial com que enganadoramente o enfeitamos.

20 setembro 2014

Mobilizar Portugal


 


O desapego dos cidadãos à política e aos políticos é directamente proporcional à incompetência e vacuidade dos protagonistas. Prova disso é a mobilização para as primárias do PS - quando há uma causa importante, quando os cidadãos têm um motivo para aderirem à política fazem-no.


 


Este facto é verificável em Portugal e noutros países europeus. A participação na votação para o referendo escocês teve uma percentagem histórica de 85,6%. É a evidência de que há interesse e envolvimento da sociedade para resolver os problemas que sentem importantes.


 


O ataque de populismo de António José Seguro, rivalizando com Marinho e Pinto, na tentativa de apelar aos instintos mais primários de culpabilização dos responsáveis eleitos por todos os males do universo é patético e, espero eu, contraproducente. A hipotética proposta de alteração da lei eleitoral, a dormir desde há vários anos, para além das insinuações sobre a promiscuidade entre negócios e políticas, demonstram bem as habilidades de que é capaz.


 


Nas primárias do PS está em causa a escolha de alguém que nos saiba e possa representar, não uma pessoa que afirma ter-se anulado estrategicamente para conseguir ter o partido na mão e que coloca o seu direito a ser candidato a Primeiro-ministro à frente dos interesses do país. Está em causa a hipótese de alternativa a este governo.


 


Depois das primárias a disputar a 28 de Setembro se, como acredito, António Costa vencer, espero que António José Seguro se demita de Secretário-geral do PS. Os recentes agendamentos de discussões parlamentares fazem-me temer que o não fará.

Da minha janela


O Tejo


 


A verdadeira dor


a que não se bebe em lágrimas


a que não se aperta em aflição


entre os nós dos dedos


a que não embacia os cabelos


a que não se encarquilha na porosidade


e fragilidade do esqueleto


está na funda e incompreensível solidão


no silêncio de um mar que não termina


num infinito universo que elimina


a sôfrega vastidão do tempo.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...