11 setembro 2014

Das reformas inadiáveis

Vários governos falaram, sempre com carácter de urgência, da indispensável reforma do SNS para que se garantisse a sua sustentabilidade e, consequentemente, a sua existência.


 


Trinca e cinco anos depois da sua fundação, essa urgência ainda não foi implementada. Temos um sistema pesado, assimétrico, com enormes falhas de acessibilidade, com recursos humanos desajustados às actuais necessidades. O país mudou, a distribuição etária, demográfica e de patologias é muito diferente, a oferta tecnológica de meios complementares é infinitamente superior, as terapêuticas também se modificaram, resultantes dos diferentes métodos de diagnóstico e os custos subiram astronomicamente.


 


Neste momento o SNS está centrado nos hospitais. As urgências transformaram-se na porta de entrada dos cuidados de saúde e as consultas externas enchem os gabinetes, as salas de espera e os corredores hospitalares, esticando os tempos de espera para marcações não consentâneos com um correcto e eficaz atendimento. Neste grupo de consultas externas estão as 1ª consultas que resultam da referenciação efectuada nos CS e as de follow-up de situações anteriormente tratadas no hospital.


 


Porque não se deslocam as consultas para os CS? Porque não existem médicos especialistas a fazer consultas de especialidade nos CS? Ginecologia, Pediatria, Gastrenterologia, Endocrinologia, …? Porque não podem ser efectuados alguns pequenos actos cirúrgicos em gabinetes devidamente equipados nos CS? Porque não se oferecem consultas de Oftalmologia, ORL e Odontologia no SNS, nos CS? Porque não se formam Enfermeiros e outros técnicos de saúde para, nos próprios CS ou nos domicílios, fazerem atendimento e acompanhamento de doentes crónicos, diabéticos, insuficientes cardíacos ou oncológicos, com grandes ganhos de conforto e qualidade para os doentes e redução de custos para o Estado?


 


Os hospitais deveriam ser locais de passagem para as fases agudas e graves, que não pudessem ser tratadas em casa e/ ou nos CS. Para isso é preciso que haja vontade política e que as várias corporações ligadas à saúde compreendam que ou se altera a cultura instalada ou se desmantela o SNS, um dos maiores factores de promoção de efectiva igualdade numa sociedade que se pretende solidária e democrática.


 


Era este o género de discussão a que eu gostava de assistir entre os candidatos a líderes no PS. Ou noutro partido qualquer. Estes são os assuntos importantes, não os estados de alma, ofensas ou juras de lealdade.


 


Nota: Esta entrevista a Marta Temido, Presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, é muito interessante.

10 setembro 2014

Dos resultados dos (tristes) debates

A votação em qualquer dos candidatos a líder está já decidida e estes debates não servem para ninguém, simpatizante ou militante do PS, optar por qualquer deles. Quem é militante já escolheu e quem se inscreveu como simpatizante também.


 


Estes debates servem para o eleitorado, no geral, dependendo do líder do PS, ponderar votar ou não no PS. Por isso é tão importante que António Costa fale para fora.

Dos (tristes) debates (2)

O problema dos debates políticos é também de quem modera. Se o moderador fizer perguntas do tipo daquelas que ocuparam ontem mais de metade do tempo do debate entre António Costa e António José Seguro, teremos meia hora de uma telenovela. Aliás os programas de informação estão transformados em dramas romanescos, cheios de desculpas, deslealdades e traições, olhos nos olhos e mão na mão, frases angustiadas e grandes declarações de paixão.


 


O debate de hoje foi menos envergonhante. Ou seja, quem o viu, como eu, sentiu menos vergonha do que ouvia.


 


Penso que correu bem para António Costa. Mas tem que falar mais para o país, falar do que é preciso fazer, de como mobilizar as pessoas, de como combater na Europa. Percebo e concordo que as especificidades são prematuras, mas tem que haver um discurso sobe as grandes linhas que defende.

09 setembro 2014

Da deslealdade

O combate democrático dentro do partido Socialista, a crença de que o PS não poderia ganhar as próximas eleições legislativas, ou seja, destronar a coligação PSD/CDS, isso não interessa a António José Seguro e a quem continua a discutir a deslealdade de António Costa.


 


Para António José Seguro o que interessa é ele ir a eleições, não o PS ganhar as eleições. Isto é alucinante.

Dos (tristes) debates (1)

Estamos a ouvir agora os comentadores a explicar-nos porque foi que António José Seguro ganhou o debate.


 


Estivemos mais de 15 minutos a ouvir as queixas de António José Seguro em relação à deslealdade e à traição de António Costa. Sobre o país pouco sabemos. Acho que António Costa deveria ter dito mais sobre as suas ideias e as suas propostas. Não é que fosse fácil, até porque não era isso que Judite de Sousa perguntava. Mas António Costa tem que ser mais inteligente.


 


De resto foi constrangedor. Tudo. Muito.

07 setembro 2014

Da decisiva simpatia


 


Perante as várias informações que vão sendo publicadas nas redes sociais e nos órgãos de informação, veiculadas pelos apoiantes de António Costa e de António José Seguro podemos estar certos que serão os simpatizantes a decidir quem será Secretário-Geral do PS para se apresentar às eleições legislativas.


 


Por isso, e até 12 de Setembro, seria muito importante que os simpatizantes do PS se inscrevessem em massa para as primárias. Só desta forma poderemos aproximar o sentir dos prováveis eleitores no PS do sentir do partido. Só assim a realidade estará mais perto da discussão política e das decisões dos eleitos.


 


As sondagens que vão saindo demonstram aquilo em que creio já há muito: se António José Seguro for o adversário de Passos Coelho, teremos mais 4 anos de austeridade redentora dos nossos pecados gastadores, mantendo a regressão colectiva da sociedade para o empobrecimento e a honradez que esta maioria que nos governa advoga.


 


É preferível participarmos nas primárias do PS do que toda a raiva e todos os insultos que se coleccionam nas caixas de comentários, que se ouvem por esses cafés e por esses táxis fora.

Riverside



 


 


Down by the river by the boats 
Where everybody goes to be alone 
Where you wont see any rising sun 
Down to the river we will run 

When by the water we drink to the dregs 
Look at the stones on the riverbed 
I can tell from your eyes 
You've never been by the riverside 

Down by the water the riverbed 
Somebody calls you somebody says 
swim with the current and float away 
Down by the river every day 

Oh my God I see how everything is torn in the river deep 
And I don't know why I go the way 
Down by the riverside 

When that old river runs past your eyes 
To wash off the dirt on the riverside 
Go to the water so very near 
The river will be your eyes and ears 

I walk to the borders on my own 
To fall in the water just like a stone 
Chilled to the marrow in them bones 
Why do I go here all alone 

Oh my God I see how everything is torn in the river deep 
And I don't know why I go the way 
Down by the riverside.

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