23 abril 2014

Das comemorações da Liberdade

 



 


Temos um País a empobrecer, estamos a perder a coesão social, há um refulgir da ideologia em que os direitos sociais não existem, são dados pelos que têm poder, quase por direito divino.


 


Tudo isso é verdade, em Portugal e na Europa. Os cidadãos divorciam-se dos seus representantes e a tristeza abunda.


 


Mas nada se pode comparar com o que existia antes do 25 de Abril de 1974. Por muito erros que tenhamos cometido, como comunidade, a liberdade de mudar é nossa. Podemos escrever, falar, pintar, desenhar, viajar, casar, ter filhos ou não ter, quando e como quisermos. Também é certo que nada é absoluto e tudo é relativo, que a dependência económica das pessoas e dos países limita a liberdade.


 


Buscamos sempre a perfeição. Mas a democracia existe e, em nome da democracia que fundaram, os Militares da Associação 25 de Abril, deveriam ter sido tratados com respeito pela Presidente da Assembleia da República. Se o discurso que têm a fazer é crítico e incómodo, pois que seja - é isso a liberdade de expressão, foi por isso que se revoltaram.


 


Mas também não deveriam os representantes da Associação 25 de Abril imporem condições para estarem presentes nas comemorações oficiais parlamentares. Não são donos da liberdade e o parlamento foi eleito pelo povo, em eleições livres e democráticas. O respeito pelas Instituições democráticas é também um sinal de que o 25 de Abril triunfou.


 


Há 24 horas num dia - 25 de Abril de 2014 terá 24 horas, suficientes para as comemorações oficiais e para as manifestações no Largo do Carmo. Não nos fica bem, como país democrático que preza a sua História, transformar estes eventos em episódios menores e mesquinhos.


 


Mário Soares foi Presidente da República durante 10 anos, para além de outros cargos de elevada responsabilidade que ocupou. Há muitos cidadãos que nunca gostaram de Mário Soares. No entanto, as maiorias eleitorais deram-lhe a Presidência. Assim ocorreu com Cavaco Silva e com Passos Coelho/Paulo Portas. Nada disto faz sentido. As diferenças de opinião não deveriam nunca ensombrar as comemorações de uma data que permitiu que se possam expressar essas mesmas diferenças.


 

20 abril 2014

A Troika que se acautele

  



 


É agora que a vamos varrer para sempre. Se o Benfica ganhou o campeonato, Portugal triplicou a bravura, o ânimo e a fúria.


Agarrem-nos senão...


 

Em modo revolucionário - primeiro comunicado MFA

 


Rádio Clube Português


 



Joaquim Furtado

  


Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.



Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.


 

Novo léxico político

 


 


Este período de governo PSD/CDS, Passos Coelho/Paulo Portas, sob o beneplácito e aplauso mudo de Cavaco Silva, tem sido riquíssimo para o léxico da política portuguesa - a requalificação, o inconseguimento, a desoneração, a convergência, redefinição, fusão, guião de reforma, reestruturação, empreendorismo, gorduras do estado, consumos intermédios, rescisões amigáveis, tudo muito colossal.


 


Estou certa que há inúmeros temas para teses de mestrado e doutoramento para fazer nas próximas décadas.


 


Nota: maçadoria, elencar e deselencar...

Em modo recosto pós prandial

 


 



Vieiira da Silva


 


 


Do cabrito reza uma história que não sei contar. Talvez lá para as bandas do último dos Romanos se possa descortinar a receita. Sei apenas que ocupou uma prateleira do frigorífico durante vários dias, mergulhado numa molhanga encarniçada. O passeio diário de 180 graus era bastante custoso, pois os 2 garfos compridos, quais forquilhas do demo, eram parcos para tanta costela. Fiquei mesmo com a impressão que a metade tinha um multiplicador, como agora está na moda dizer-se a propósito da austeridade, mas este era de aumentação.


 


Mas que estava uma delícia, isso é um facto, com acompanhamento de castanhas e esparregado, regado com o costumeiro vinho que já se tornou tradição pascal, cá em casa.


 


Para não mencionar um maravilhoso pudim, também da autoria do cozinheiro de serviço, que era uma bomba calórica, mistura entre leite condensado, leite de coco, gelatina e frutos silvestres, mas que se derretia na boca e se deglutia quase sem se perceber.


 


Enfim, se os impostos sobre produtos nocivos já estivessem activos, nós hoje já tínhamos contribuído com uma bela percentagem para a redução do défice. Só faltou mesmo um certo canadiano de empréstimo para que o dia fosse perfeito...


 

E quem fala assim...

 


(...) poderão ser equacionados contributos adicionais do lado da receita, designadamente na indústria farmacêutica, ou de tributação sobre produtos que têm efeitos nocivos para a saúde.


Ministra Maria Luís Albuquerque 


 


Não gostaríamos que estas medidas fossem olhadas apenas numa perspectiva orçamental. O nosso primeiro objectivo com este tipo de políticas é melhorar o estado de saúde da população.


Secretário de Estado Adjunto Leal da Costa


 


Não há taxa. É uma ficção, um fantasma que nunca foi discutido em Conselho de Ministros e cuja especulação só prejudica o funcionamento da economia.


Ministro Pires de Lima


 

Gloria

  



Vivaldi


Orquestra e Côro de Câmara Nacionais da Arménia
soprano M. Galoyan
soprano H. Harutyunova
mezzo-soprano N. Ananikyan
Maestro R. Mlkeyan


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...