12 abril 2014

O nosso problema

 



 


No mês passado assistiu-se a uma grande comoção perante as despesas que se temiam para os 40 anos do 25 Abril - chaimites com cravos, de Joana Vasconcelos.


 


Pois se calhar ficava mais em conta colocar alguns dos protagonistas - Vasco Lourenço e companheiros - a falar do 25 de Abril, nas cerimónias oficiais da Assembleia da República. É que, por muito disparatadas sejam algumas das declarações que os representantes da Associação 25 de Abril fazem, sem eles não teria havido 25 de Abril, Assembleia da República nem os 40 anos de democracia. Provavelmente iriam dizer coisas desagradáveis, mas a democracia é isso mesmo, ouvirmos mesmo o que não gostamos.


 


Ao contrário do que afirma Assunção Esteves, o problema é nosso. Um problema que alastra como uma maré negra - a falta de credibilidade nas instituições democráticas, a falta de memória sobre o que significou a ditadura deposta em 25 de Abril de 1974 e a desconsideração pelos valores da liberdade, que deveriam ser justamente exaltados nessa data. Por toda a gente, sem excepção.


 

Salário mínimo

 


Estive a fazer contas.


 


O salário mínimo é 485,00 euros:



  1. Nos meses de 30 dias (Abril, Junho, Setembro e Novembro), quem recebe o salário mínimo pode gastar 16,16 euros por dia - para comer, pagar transportes, água, luz, gás, vestir-se e pagar casa.

  2. Nos meses com 31 dias (Janeiro, Março, Maio, Julho, Agosto, Outubro e Dezembro) tem a enorme quantia de 15,64 euros por dia.

  3. Em Fevereiro terá 17,32 ou 16,72 euros, para anos normais ou bisextos, respectivamente.


Se o salário mínimo passasse para 500,00 euros estaríamos a falar de



  1. mais 0,5 euros/dia

  2. mais 0,48 euros/dia

  3. mais 0,53 ou 0,51 euros/dia


Não há vergonha nem decência.


 

01 abril 2014

Um dia como os outros (139)

 


 



 


(...) Para o deputado Duarte Marques (e seguramente para o eurodeputado do CDS, Nuno Melo), o que importa é saber se Constâncio sabia ou não sabia do caso BPN, umas horas, uns dias ou uns meses antes do que disse. Isso é que é importante. Isso é que conta. Porque se isso for provado, o culpado de tudo o que se passou no BPN é de Constâncio. Os senhores Oliveira Costa, Caprichoso, Fantasia e todos os que fizeram negócios mentirosos com créditos que nunca pagaram do BPN (por acaso todos figuras gradas do cavaquismo) são uns santos e umas vítimas. Funcionasse a supervisão do Banco de Portugal e eles não teriam sido tentados pelo pecado da ganância. (...)


Nicolau Santos

29 março 2014

Lisboa

 



 Lisboa


 


 


O arco do Tejo abraça Lisboa.


Imóvel e secreta no cais do mundo


a cidade escreve a próxima viagem


no preciso instante em que regressa.


 

Da cidadania

 


A Assembleia da República é a Instituição que, no Portugal Democrático, deve discutir e decidir a melhor forma de conduzir os destinos do País. Por isso assinei a petição pública para que o Manifesto 74, depois do Manifesto dos 70seja discutido pelos deputados.


 


Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade


 


O programa do FMI e da União Europeia para Portugal (2011- 4) deve terminar a 17 de Maio de 2014. Nas próximas semanas será tomada a decisão de aceitação de um programa precaucionário continuando as mesmas políticas ou de submissão à vontade dos mercados. Em qualquer dos casos, a regra da austeridade continuaria num país em que o nível de desemprego já duplicou para cerca de 20%, como resultado da estratégia escolhida.


 


Para mais, apesar de fortes reduções do orçamento de Estado, o rácio da dívida no PIB subiu para 129%. Nos dois anos anteriores a 2008, a dívida pública tinha aumentado 0,7%; nos dois anos seguintes, cresceu 15%. Os resultados são claros: a austeridade orçamental reduziu a procura agregada, agravou a recessão, aumentou o nível da dívida pública e impôs sofrimento social à medida que as pensões e salários foram reduzidos, os impostos foram aumentados e a protecção social foi degradada.


 


Como economistas de diversas opiniões, temos expressado as nossas preocupações quanto aos efeitos da estratégia de austeridade na Europa. Recomendámos fortemente a rejeição das ideias da “recessão curativa” e da “austeridade expansionista” e os programas impostos a vários países. Criticámos as decisões do BCE durante a recessão prolongada e a recuperação medíocre. Os resultados confirmam a razão da nossa crítica. É tempo de mudar o curso desta política. 


 


Assim, apelamos a uma política europeia consistente contra a recessão. Apoiamos os esforços dos que em Portugal propõem a reestruturação da dívida pública global, no sentido de se obterem menores taxas de juro e prazos mais amplos, de modo que o esforço de pagamento seja compatível com uma estratégia de crescimento, de investimento e de criação de emprego. 


 


Para quem o quiser fazer, aqui fica o link.


 


Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente


 


Para: Sua Excelência a Presidente da Assembleia da República


 


Hoje, há um consenso amplo na sociedade que reconhece que Portugal enfrenta uma crise sem precedentes na sua história recente que combina dimensões económicas, sociais e financeiras, tendo também importantes manifestações políticas que podem abalar os alicerces do regime democrático. 

Nenhuma estratégia de combate à crise pode ter êxito se não conciliar a resposta à questão da divida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e de solidariedade nacional. A reestruturação honrada e responsável da divida no âmbito da União Económica e Monetária a que pertencemos é condição sine qua non para o alcance desses objectivos, tendo igualmente em atenção a necessidade de prosseguir as melhores práticas de rigorosa gestão orçamental no respeito das normas constitucionais. Sem crescimento económico sustentável, a dívida actual é insustentável. 

Após a entrada em funções do novo Parlamento Europeu e da nova Comissão Europeia, deverá estar na agenda europeia o início de negociações de um acordo de amortização da divida pública excessiva de vários Estados membros. Portugal precisa de identificar as condições a que deve obedecer um processo eficaz de reestruturação da divida nesse âmbito e deve fazê-lo no respeito pelos processos inscritos no quadro institucional europeu. No entendimento dos signatários essas condições devem visar: 

- o abaixamento significativo da taxa média de juro do stock da dívida; 

- extensão de maturidades da divida para quarenta ou mais anos; 

- a reestruturação, pelo menos, de divida acima dos 60% do PIB, tendo na base a divida oficial. 

Os mecanismos de reestruturação devem instituir processos necessários à recuperação das economias afectadas pela austeridade e recessão, tendo em atenção a sua capacidade de pagamento em harmonia com o favorecimento do crescimento económico e do emprego num contexto de coesão nacional. 

A Assembleia da República é o espaço institucional por excelência para desencadear um debate democrático alargado sobre as condições gerais a que deve obedecer a eficaz reestruturação da dívida pública. Uma deliberação da Assembleia da República sobre tais condições genéricas não será um factor de fragilidade. Pelo contrário, reforçará a legitimidade das instituições democráticas, e ao mesmo tempo, fortalecerá a posição negocial do Estado português junto das instâncias europeias. 

Neste sentido, e nos termos da Lei que regula o direito de petição, os peticionários pedem à Assembleia da República que aprove uma resolução recomendando ao governo o desenvolvimento de um processo preparatório tendente à reestruturação honrada e responsável da dívida, com os fundamentos constantes do manifesto: “Preparar a Reestruturação da Divida para Crescer Sustentadamente” que se anexa. Mais pedem à Assembleia da República que desencadeie um processo parlamentar de audição pública de personalidades relevantes para o objectivo em causa.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...