até 25 de Maio de 2014
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Arpad Szenes
Estamos todos de partida
no fim do olhar a música do adeus
palavras que nos doem e empurram
como mar de mágoa a que nos damos
como estradas em que nos perdemos
de nós e dos outros.
Estamos todos de partida
nos sinos dolentes com que retomamos
caminhos de regressos que ansiamos.
Nas madrugadas em que nos desfazemos
partimos sempre para aqui chegar.
Foram anos intensos, perigosos e determinantes na História da democracia espanhola e, por extensão, da democracia como conceito e como regime. Neles houve alguns protagonistas que não evitaram o risco, a defesa dos seus ideais.
Estes são tristes tempos em que esperamos que outros, como eles, assumam a política como uma causa nobre e não se escudem nas interpretações ínvias e subliminares, populistas e autoritárias, para denegrir o que de melhor temos para dar - o contributo para a sociedade.
Tristes tempos estes em que olhamos para outros protagonistas que apoucam o serviço público e não estão à altura das suas responsabilidades.
Ao contrário do que Marcelo Rebelo de Sousa acabou de dizer, no golpe de Tejero Molina não foram apenas duas pessoas que permaneceram sentadas ou de pé. Foram três - Adolfo Suaréz, Gutiérrez Mellado e Santiago Carrillo.
Devo andar muito distraída ou cada vez mais vendida ao grande capital e à exploração desregrada dos trabalhadores, visto que fui surpreendida com uma indignação que alastrou qual incêndio em palha seca pelo facebook, a propósito de iogurtes oferecidos pela Danone a alunos estagiários, de uma reportagem da RTP sobre a opinião dos jovens estagiários, e de um programa da Antena 1, com Isabel Stilwell e Eduardo Sá que opinavam contra a indignação dos estagiários.
Ou seja, a indignação é o elemento comum de toda esta história descabelada. Além disso descobri que, no serviço onde trabalho, afanamo-nos a proporcionar estágios curriculares a vários alunos mas, pelos vistos, deveríamos recusar-nos a fazê-lo, para não os humilhar. E ainda por cima há uma espécie de tradição em que os alunos oferecerem um bolo ao serviço, no último dia de estágio...
Antes de mostrarmos tanto escândalo, talvez não fosse má ideia perceber exactamente do que estamos a falar para não confundirmos as coisas.
Estágios curriculares - são períodos de semanas a alguns meses, integrados nos curriculos dos vários cursos/ licenciaturas, que as várias instituições de ensino contratualizam com empresas, para as vertentes práticas das várias formações. Estes estágios obedecem a um determinado programa, têm responsáveis ou tutores que, pelo menos no nosso caso, não auferem qualquer remuneração, que devem delinear o dito programa, supervisioná-lo e avaliá-lo, com provas práticas, relatórios, etc. Estes estágios são parte integrante dos cursos/ licenciaturas, que não podem ser concluídos sem eles. Os estagiários não são, como me parece absolutamente lógico, remunerados.
Estágios profissionais - períodos mais ou menos longos em que pessoas já com os graus de licenciatura e/ou cursos completos ficam em empresas, iniciado-se na actividade profissional, habitualmente ainda sem autonomia total, que funciona como integração, sujeitos a uma avaliação do desempenho pelo empregador. Estamos a falar de um contrato, mesmo que em períodos experimental e que deveria ser obrigatoriamente remunerado - coisa que não o é, na maior parte dos casos.
Estágios voluntários - períodos com duração máxima de 3 meses, segundo creio, em que pessoas já com os graus de licenciatura e/ou cursos completos pedem para se integrarem numa empresa que tenha possibilidade de os acolher, para enriquecimento curricular e aquisição de experiência. Estes estágios multiplicam-se por vários períodos dada a ausência de oferta de empregos. Estes estágios não são remunerados e, obviamente, deveriam sê-lo. Estes casos só existem porque o desemprego é galopante e são uma forma de mantenção do contacto com o mundo profissional. Esta é, de facto, uma exploração indevida de mão-de-obra a custo zero.
Os estagiários que tanto se indignaram com a Danone pertencem ao 1º grupo, pelo que não entendo a indignação deles, não percebo a razão da indignação incendiária do facebook e percebo, além de concordar, com a visão de Isabel Stilwell e de Eduardo Sá.
Estou portanto caduca e rendida aos mais férreos valores conservadores e opressivos do neoliberalismo, uma velha caquética que se esforça por colaborar na formação prática dos jovens.
Eu até concordo que se fale da Europa, durante a campanha para as próximas eleições. O problema é que o que há a dizer é nada. Não conheço nenhuma ideia original que os partidos tenham a apresentar e discutir sobre a Europa política, económica e social.
Na verdade o país depende exactamente do que todos pensarmos sobre a forma como o espaço europeu funciona, ou melhor, não funciona. Mas será que há algum dos nossos candidatos a deputados que tenha alguma sugestão a fazer? E o Presidente? O que pensa do nosso passado recente, do presente e do futuro da União Europeia? Será que pensa?
(...) O último dia, sábado, será preenchido com a atuação, a partir das 22:00, dos grupos Manu Jazz (Oliveira do Hospital) e SoWhat?, com Nana Sousa Dias. (...)
(daqui)
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...