25 dezembro 2013

Do pecado da gula (2)

 



 


Pois todo o conceito de peru recheado foi desconstruído. Do peru comeram-se as pernas e o recheio foi exterior e não interior, como parece indicar a palavra. Mas todos sabemos, desde a decisão irrevogável de Paulo Portas, que as palavras ganharam outra vida e outros significados.


 


Não foi fácil colocar as pernas de peru, de uma dimensão dinossáurica, dentro do tabuleiro do forno, mas lá ficaram elas, um tantos atafulhadas, pouco elegantes, convenhamos. Escorridas do molho em que estavam há 2 dias, foram barradas e amassadas com uma pasta de 6 dentes de alho (altura ideal para descobrir que o esmagador de alhos estava partido), 2 colheres bem cheias de pimentão doce, alecrim, louro, piri piri e azeite. Espalhei um pouco de sal e reguei com um pouco de azeite, vinho branco (este generosamente) e as rodelas da laranja. Cobri com uma folha de alumínio e foi a assar durante cerca de 3 horas, em lume brando.


 


Quanto ao recheio, foi uma inspiração de momento. Fritei bacon (2 caixinhas), uma grande cebola, castanhas, tâmaras, passas de uva, nozes, azeitonas e cogumelos, tudo cortado aos bocadinhos, e fui temperando com um pouco de sal, piri piri e vinho (usei Porto seco e aguardente). Vai-se mexendo até ficar tudo cozinhado. Se não apreciar muito o sabor adocicado não junte as passas de uva.


 


Acompanhei com arroz branco e esparregado, uma iguaria gentilmente preparada por um dos comensais, e vinho tinto (Quinta do Portal 2007). A seguir foi a panóplia de doces que sobraram de ontem, com o respectivo café e seu licor, pelo que terei que caminhar vários quilómetros nos próximos dias, para digerir e reduzir a enorme quantidade de calorias que ingeri neste dias.


 


A operação Natal 2013 está encerrada. Iniciar-se-á, brevemente, a operação ano novo 2014.


 

24 dezembro 2013

Da decadência das rabanadas à revolução do bacalhau

 



 


A calda para os sonhos e as rabanadas está... miam... glup... miam...


 


Para 400g de açúcar adicionam-se 300ml de água, 3 paus de canela e casca de 1 laranja (pequena). Quando ferver junta-se um bom cálice de vinho do Porto... seco, e deixa-se ganhar ponto (cerca de 15 minutos). Já está numa taça funda, onde irão mergulhar os sonhos; o restante está noutra taça, para quem quiser regar as rabanadas.


 


O ano passado discutiu-se a lateralidade política das couves. Sim, cá em casa é tudo muito assumido em termos de debate democrático, e todos os gestos tradicionais são revirados, numa dialéctica comprometida e engajada. Temos que urgentemente decidir se comer bacalhau cozido com batatas e grão é considerado revolucionário e herdeiro de Abril, ou se o Natal em si, com a sua decadência doce e pegajosa, ou não houvesse açúcar que baste a lambuzar os pratos e os dedos, não é a mais pura e reaccionária expressão da direita ultraliberal fashion e caritativa.


 


Neste caso, a singeleza do bacalhau e as horas de escravidão que se passam a preparar o Natal bem podem ser assumidas como solidariedade operária, objecto de gente reivindicativa, como eu. A justa luta não tem tido grande resultado, acabando habitualmente na mais abjecta confraternização entre os representantes do capitalismo, que se levantam tarde e a más horas, e os defensores do trabalho e dos valores da liberdade, que mourejam todo o dia entre panelas. Nesta mesa a consertação acontece por entre os ruídos dos talheres e os perfumes que despertam os mais empedernidos dorminhocos.


 


A todos os companheiros e companheiras, camaradas de consoadas e réveillons, que passem um excelente natal, dignificando a causa em manifestações e comícios nocturnos porque, como sempre, a luta continua!


 

Continuar

 



Baemikkumi


 


Qualquer que fosse o esforço que fizesse


arrasar esta inquietação esta inamovível tristeza


qualquer que fosse a caminhada


a extensão da estrada que me esperasse


qualquer que fosse o longínquo obscuro lugar


que me quisesse talvez lá encontrasse


a força que me falta para continuar.


 

River

 




 


It's coming on Christmas


They're cutting down trees


They're putting up reindeer


And singing songs of joy and peace


Oh I wish I had a river I could skate away on


 


But it don't snow here


It stays pretty green


I'm going to make a lot of money


Then I'm going to quit this crazy scene


Oh I wish I had a river I could skate away on


 


I wish I had a river so long


I would teach my feet to fly


I wish I had a river I could skate away on


I made my baby cry


 


He tried hard to help me


You know, he put me at ease


And he loved me so naughty


Made me weak in the knees


Oh, I wish I had a river I could skate away on


 


I'm so hard to handle


I'm selfish and I'm sad


Now I've gone and lost the best baby


That I ever had


I wish I had a river I could skate away on


 


Oh, I wish I had a river so long


I would teach my feet to fly


I wish I had a river


I could skate away on


I made my baby say goodbye


 


It's coming on Christmas


They're cutting down trees


They're putting up reindeer


And singing songs of joy and peace


I wish I had a river I could skate away on


 

Da diáspora

 


É difícil falar do imensurável tédio e incontido asco que estas pseudo-iniciativas me causam. E da incompreensão relativamente à presença do inefável líder do PS, que não perde uma oportunidade de passear o vácuo do seu pensamento e a irrelevância da sua presença na irrealidade deste tempo de colaboracionistas.


 


E segue a quadra da obrigatoriedade do contentamento hipócrita.


 

23 dezembro 2013

Moda-crise réveillon 2013/2014

 



 


Há poucos dias, não sei bem em que estação de rádio, ouvi um designer perorar sobre a elegância e adequação de se mostrar regrado e contido nos gastos com o réveillon, repetindo toilettes e reciclando acessórios.


 


É chique fingir ser pobre - está na moda.


 

Da circularidade do tempo

 


O tempo é circular, pelo que os inícios e fins de ano são marcos totalmente artificiais num continuidade a várias dimensões.


 


E no entanto, quando chego ao Natal, comporto-me como se, de facto, alguma coisa fosse acabar, alguma coisa que nunca mais voltará. Daí a necessidade inconsciente que sinto em resolver assuntos pendentes, em comprar alimentos que cheguem para uma semana, em fornecer-me de aconchego como se aguardasse o fim de uma era, o início de uma guerra, qualquer inevitabilidade terrível que se abatesse ao soar o alarme das zero horas do novo ano.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...