12 junho 2013

Um dia como os outros (128)

 



(...) Isto, sim, é a falência do Estado. A falência pura e simples, se de facto não há dinheiro para cumprir os compromisso básicos (apesar da "ajuda" externa), ou, alternativa ou cumulativamente, a falência do Estado de Direito, na medida em que o governo delibera desrespeitar a Lei Fundamental e quem está legalmente incumbido de a fazer respeitar. Governar o país dentro da legalidade está acima das possibilidades desta gente.


 


Porfírio Silva


 

11 junho 2013

Não se acredita

 


Ecrãs dos canais da emissora ERT vão ficar negros a partir da meia noite desta terça-feira.


 

Mousse de chocolate

 



 


Há 24 anos. Conseguia, finalmente, satisfazer a minha curiosidade e olhar para o rosto do meu filho. Durante 9 meses imaginara como seriam as suas feições, se parecido com o pai, se parecido com a mãe. Mas ele parecia-se muito a um daqueles bonecos que as miúdas gostam, os bebé chorão. Perfeito, sereno, chorava para mamar e eu, mãe inexperiente, não sabia a quantidade de leite que precisava, como lhe dar banho, pois o medo de o deixar escorregar era imenso, como o adormecer, como o vestir.


 


Sempre comeu maravilhosamente, tudo o que lhe dava. Lembro-me que a 1ª papa estava horrenda, espessa, com grumos. Depois das primeiras colheradas, que ele lambeu sem se queixar, decidi fazer outra, que ele comeu com a mesma solenidade com que nos olhava de cada vez que queríamos que repetisse as gracinhas típicas dos bebés. Falou tarde, perfeita e pausadamente. Adorava brincar com jornais e fazer filas intermináveis de sapatos. Era delicado e rústico.


 


Comprar-lhe uma prenda era sempre uma aventura. Nunca fez listas de desejos nem ambicionou brinquedos quando passava por eles. Gostava de um e de um só - o Woody, depois uma pistola de cowboy, a seguir tudo o que dissesse respeito ao Astérix, posteriormente o Tim Tim. De tempos a tempos passava a outra fase.


 


Portanto atirei-me hoje a confecção de uma mousse de chocolate, de que ele gosta, que já tinha experimentado algumas vezes mas que me saía sempre mal. Ou porque deslaçava, ou porque as quantidades dos ingredientes não estavam bem, ou porque cozia as claras em castelo.


 


Ingredientes:


6 ovos


chocolate para culinária - 200g


300g de açúcar (para quem é menos guloso, 200 ou 250g chegam)


200ml de leite


uma pitada de sal


 


Para dentro de um tacho parte-se o chocolate aos bocadinhos, deita-se o leite e o açúcar e leva-se ao lume, mexendo sempre até o chocolate derreter por completo e ficar um creme, retirando-o imediatamente do calor. Separam-se as gemas das claras, misturam-se bem as gemas numa tigela e incorporam-se com cuidado no creme. À parte batem-se as claras em castelo bem firme, com uma pitada de sal, e vão-se juntando ao creme, que deve estar apenas morno, sem bater. Vai ao frigorífico cerca de 2 horas.


 


Ficou uma delícia. E ele comeu com gosto, delicadamente, como ao longo dos seus 24 anos.


 

10 junho 2013

Sílabas

 



Almada Negreiros


Partida de Emigrantes


 


O meu país divide-se em sílabas


- por - ele tudo de nada acontece. Afunda-se


encolhe-se enruga-se esvazia-se em gente


mole e arrastada – tu - e eu manchamos a terra.


O meu país divide-nos e abre


os rios por onde se espalha e cresce


em múltiplas sílabas de dor – gal - de fim


afinal


Portugal.


 

Fragile

 



Sting

 


If blood will flow when flesh and steel are one


Drying in the colour of the evening sun


Tomorrow's rain will wash the stains away


But something in our minds will always stay


Perhaps this final act was meant


To clinch a lifetime's argument


That nothing comes from violence and nothing ever could


For all those born beneath an angry star


Lest we forget how fragile we are


 


On and on the rain will fall


Like tears from a star like tears from a star


On and on the rain will say


How fragile we are how fragile we are


 


On and on the rain will fall


Like tears from a star like tears from a star


On and on the rain will say


How fragile we are how fragile we are


How fragile we are how fragile we are


 

Bandeiras

 



Miki de Goodaboom


 

As vozes dos outros (8)

 



(...) Convicções profundas, só as têm as criaturas superficiais. Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes. A política e a religião gastam dessa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida. (...)


 


Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Fernando Pessoa. (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução e organização de Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1980.- 5.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...